Gravadora: Independente
Data de Lançamento: 27 de janeiro de 2016
Tem sido uma tendência reduzir o nome de bandas e artistas no Brasil (tipo Mallu Magalhães se tornando Mallu; Anelis Assumpção preferindo apenas Anelis e por aí vai).
Abayomy Afrobeat Orquestra agora é só Abayomy, e isso não tem nada a ver com perda de identidade. Por outro lado, mostra um frescor. Aponta uma nova direção. Atente ao detalhe: quem produz o segundo disco da banda carioca é Pupillo, baterista do Nação Zumbi.
Nesse caso, sim, Abra Sua Cabeça tem mais da música pernambucana no caldo afro-beat do grupo, mas também há forte presença do funk de Nova Orleans (“Omulu”) e do batidão que une funk carioca, funk de Nova Orleans e o já supracitado gênero nigeriano – vide “Com Quem”, com sincronias das guitarras de Gustavo Benjão e Zé Vito mantendo a química do ritmo.
“A Abayomy aparece aqui muito mais entrosada entre si e com suas devidas musicalidades”, disse o grupo no texto de divulgação. “Elementos externos enriqueceram ainda mais o encontro para esse novo álbum”.
Isso não deixa de ser verdade, mas não quer dizer que a Abayomy se afastou da óbvia referência de Fela Kuti. As participações de Otto (“Mundo Sem Memória”) e Jorge DuPeixe (“Vou Pra Onde Vou”) conectam à música do Pernambuco, mas isso não soa uma novidade tão inovadora. Afinal, tanto Otto quanto Nação Zumbi hoje já assimilam a música nigeriana, muito presente nas percussões e no andamento da guitarra de algumas canções. Portanto, não é uma colaboração agregadora; a influência da música negra bate em todos eles, portanto, a união é mais sintética mesmo.
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O baterista Tony Allen, cada vez mais presente nas colaborações com os brasileiros (ainda bem!), dita o groove em “Tony Relax”. Os teclados de Mauricio Calmon têm a levada da antológica Afrika’ 70, permitindo que a banda trafegue suavemente pelo delinear jazzístico em que todos têm espaço – destaque para o sax-tenor de Fábio Lima e o sax-alto de Monica Ávila.

O show do primeiro disco do Abayomy Afrobeat Orquestra no Sesc Pompeia
A participação de Céu em “Sensitiva” se adequa à levada de seu canto. A esporádica entrada dos metais poderia ser mais arrebatadora, mas, pensando no que a música tem a enriquecer ao Abayomy, vale observar os arranjos: ondulados e tranquilos, como tudo aquilo que queremos buscar ao contemplar o mar.
Os detalhes desta canção são importantes, mas não custa frisar que a música brasileira da atualidade já está cheia disso: além da própria Céu, Tulipa Ruiz, Criolo, NZ, Siba, Cidadão Instigado… Todos eles são bons, mas às vezes eles se repetem. E o Abayomy tá caindo nessa…
Abra Sua Cabeça é um álbum sentimentalmente libertador, embora a estética não possa pegar o eufemismo emprestado. O repertório serve para fortalecer os shows, que impressionam pela integração dos seus 13 músicos. Mas, quem não é afeito ao afro-beat, não vai passa a gostar a partir deste registro.
