Gravadora: Dead Oceans
Data de Lançamento: 17 de fevereiro de 2015
No quarto disco, os nova-iorquinos do A Place To Bury Strangers provaram que space-rock, shoegaze e noise-rock estão longe de pertencer a poucos nomes do passado (ah, coloque também o industrial nesse meandro).
Transfixiation é a atualização do que era considerado marginal, na esfera do rock, nos anos 1990.
Natural que haja aceleração nos acordes de guitarra e doses obliteradas de efeitos que parecem lasers no espaço em uma faixa ou outra. Ouvindo “Straight”, pode-se até dizer que o APTBS virou pop. Sludge, a partir de “Deeper”. Shoegaze psicodélico em “We’ve Come So Far”.
Os passeios pelo noise, industrial, psicodelia e art-rock são congênitos, parte de uma agrura jovem
Tendo em conta que poucos limiares dividem os subgêneros contidos no som do APTBS, Transfixiation escapa de todas e quaisquer menções conceituais. O que importa é a potência do som, que pode se obter com o barulho – e como isso pode soar, ao mesmo tempo, como um baque e como algo palatável aos ouvintes.
É impossível abaixar o volume no disco, mesmo que isso signifique comprometer as vias auditivas.
A banda não dá fôlego: inicia como um bom disco pós-punk anos 1980 em “Supermaster”; domestica o ouvinte à sua barulheira em “Straight”; arranha-se no shoegaze em sua melhor forma em “Love High”; ensaia o punk melódico em “What We Don’t See” – mas basta alguns segundos para que os vocais extravasados de Oliver Ackermann e os solos enfurecidos da guitarra de Dion Lunadon distorçam a mente do ouvinte.
Teorizar sobre o que Transfixiation representa no rock atual tira toda a graça despretensiosa de sua audição. É errado fixá-lo nas décadas de 1980 e 90; os passeios pelo noise, industrial, psicodelia e art-rock são congênitos, parte de uma agrura jovem que, situada no passado, soaria deveras calculada.
Como a cultura digital teve o grande papel de proliferar facilmente dezenas e dezenas de cenas musicais, assimilar tudo isso dentro do contexto do rock até soa natural nos dias de hoje. Sim, ora, A Place To Bury Strangers insere-se facilmente no contexto do que é ser uma banda de rock nos anos 2010.
Que Loveless (1991), Psychocandy (1985) e Ladies and Gentlemen We Are Floating On Space (1996) permeiam a essência de Transfixiation, não há nem o que se discutir. Há mais, claro. Wumpscut, Skinny Puppy, Ride, Ministry, Fugazi… Não interessa. Interessa que funciona, e muito bem!
