Sim, tem o afro-beat. Mas o ritmo é apenas um em um milhão de outros que estão condensados no som do Afroelectro.
Também tem carimbó, embolada, coco, maracatu, manguebit, capoeira. Tem hip hop. E até rock.
Desde 2009, o que vale para o grupo paulista é tornar o gênero africano universal numa jam onde, o que conta, é a celebração da música por si própria.
No segundo semestre, a banda formada por Sérgio Machado (bateria, teclados, programações e vocais), Michael Ruzitschka (guitarras e vocais), João Taubkin (baixo-elétrico e vocais), Mauricio Badé (percussão e vocais) e Denis Duarte (loops, percussão e vocais) balançou geral o Sesc Pompeia em uma apresentação que empolga com menos de dois minutos de vídeo do YouTube (veja abaixo). No show realizado em agosto, eles mostraram todas as faixas do álbum homônimo, Afroelectro.
Logo de início, já vem a guitarrada frenética de Ruzitschka – austríaco que desde cedo se dedicou a estudar a música brasileira e já chegou a integrar a Gafieira São Paulo – na faixa “Padinho”, onde a percussão de Badé pede uma interferência ainda maior dos demais instrumentistas. A composição tem um quê regionalista que evoca festança, celebração, fogo no pé!
Em seguida, entra a primeira participação do álbum: o violonista/guitarrista Kiko Dinucci, já conhecido por mexer com a música africana, canta em dialeto africano na faixa “Logun”, coisa que está acostumado a fazer no Metá Metá. Só que aqui a guitarra é quem dita o ritmo, ora queimando de pano de fundo, ora servindo como base funkeira. As programações de Sérgio são esparsas como o vento e, o que parecia ser uma ciranda, logo se transforma num afro-beat. Importante é não perder o passo.
Além de Kiko, também participam do disco os músicos Siba e Chico César.
Em “Sambada”, a intenção é levar o ‘choque de 220’ para uma roda onde todo mundo tem vontade de ficar com os pés descalços. Sim, é ciranda! ‘Sempre com muito respeito a cada ouvinte’, solta Siba num monólogo temperado pela guitarra flutuante e a percussão em baixa velocidade.
Já Chico César agita tudo logo no começo de “Sika Blawa”, chamando todo mundo pra dançar junto do carimbó xamegante, cheio de remelexo. Poderia ser o interlúdio de uma trilha de casas noturnas como Canto da Ema e KVA (tradicionais lugares para se dançar forró em SP no início dos anos 00), mas em um segundo a guitarra de Ruzitschka te leva a um passeio por outros universos musicais, do prog-rock ao highlife. O que importa é se deixar levar.
Até o rap tem vez no som do Afroelectro: com uma base mais serena temperada pela bateria de Machado, “Pra Sonhar” é um canto filosófico, uma paixão declarada pela poesia, que também é enaltecida no disco: ‘Vejo o sublime me levando às alturas/Numa das formas mais puras/De tocar meu coração’.
Ouça Afroelectro na íntegra no player abaixo. Para fazer o download do disco, visite o site oficial da banda.
