01 Mar Abierto 02 Sheiko 03 Al Viento las Velas 04 La Serena 05 El Misterio del Maracuyá 06 Maestra 07 La Simiente 08 Cuando Estalla 09 Digo 10 Piedra 11 Nao Se Esqueça de Nós

12 Siestas de Verano

Gravadora: MS2 Discos
Data de Lançamento: 15 de setembro de 2012 (Uruguai) / outubro de 2013 (Brasil – versão física)

Quando um disco é lançado hoje em dia em países da Europa ou nos Estados Unidos, simultaneamente encontramos o link para download, gratuito ou não, para se antenar com o que acontece de novidade na música global.

Se essa fosse a regra para conhecer nova música, não poderia escrever sobre o último disco de Daniel Drexler a essa altura do campeonato.

Mar Abierto foi oficialmente lançado em setembro de 2012 na terra natal do músico, o Uruguai, mas só ganhou edição brasileira em outubro do ano passado. Isso depois de acumular o Prêmio Gardel de disco do ano na Argentina, ser incluído como um dos melhores álbuns de 2013 na lista do jornal El País (da Espanha) e adquirir boa aceitação no Sul do País.

Irmão mais novo do famoso Jorge Drexler, que ganhou um Óscar pela trilha sonora do filme Diários de Motocicleta, Daniel largou a Medicina para se dedicar à música. Mar Abierto é seu quinto disco.

Fã de João Gilberto e admirador das referências paisagísticas que pairam nas composições de Tom Jobim, Daniel até pode ter puxado algumas semelhanças com a bossa nova, mas seu compositor brasileiro favorito nos últimos tempos tem sido o gaúcho Vitor Ramil.

Orgânica, a música de Daniel ‘navega nos mares da diversidade’, unindo gêneros como milonga pampeana, chamarrita, bossa nova e música regional do Rio da Prata.

O painel geográfico construído em torno do disco é importante para simbolizar sentimentos descritos pelas canções. Em “Sheiko”, ‘entre golpes e beijos’ o cantor passa pelas costas de Rocha e as praias do Alaska numa espécie de música havaiana minimalista, de mares calmos e toques de sofisticação.

Esses lugares nem sempre são reais. Podem ser um ‘labirinto de hortências’ no pop acústico de “La Serena” ou um lugar ‘longe, muito longe antes de apagar a luz’ cantado em “El Mistério del Maracuyá”, cujo formato folclórico lembra o sertanejo de raiz nordestino – até certo ponto, claro.

Descrito pelo próprio Daniel como a metáfora do desejo de liberdade e segurança inerentes ao ser humano, Mar Abierto é o itinerário peculiar de uma jornada que poderia ser de cada um de nós.

Quando se fala na procura pela felicidade, invariavelmente somos entregues a uma horda de clichês. Não que Daniel ache tudo tão bonito como a ‘cura do amor’, como canta em “La Simiente”. Ele está aberto ao mistério das coisas, seja diante de uma simples piedra ou expondo a reação positiva, a ‘alegria sobrehumana de sentir o horizonte tão próximo’, mencionada na faixa de encerramento “Siestas de Verano”, levada por guitarras taciturnas e distanciadas.

Como diz o músico, “no mar aberto o movimento em qualquer direção é possível”. O próprio disco prova que a jornada é instigante e pode ser tão prazerosa como a musicalidade supõe. Assim, Daniel Drexler prova que a interferência humana na natureza estática é o que faz o mundo mover. O mundo e, claro, a gente também.

ERRATA:
• O disco Mar Abierto foi lançado no Brasil em outubro de 2013 e não no início de 2014, como estava anteriormente.