Por Carolina Marialva
Sua biografia não autorizada acabou de ser lançada, um novo CD inédito está sendo preparado, além da turnê mundial em curso com a cantora Teresa Cristina, que começou ano passado. Podemos dizer que essa influente figura da música brasileira, Caetano Veloso, está sempre em alta e se reinventando ao longo de sua carreira: já fez trilhas para teatro e cinema, compôs faixas de grande sucesso, se destacou em festivais, dirigiu filmes, se arriscou na literatura com crônicas e um livro de memórias e até na pintura.
Apesar de estar há cinco anos sem lançar músicas novas, desde o álbum Abraçaço de 2012, a turnê do ano passado Dois Amigos, Um Século de Música com o companheiro de movimento e pensamento revolucionário Gilberto Gil, rendeu um CD/DVD que celebrou os 50 anos de carreira dos amigos. Os dois se apresentaram por toda a Europa, mas o show mais marcante provavelmente foi o de Londres, já que ambos relembraram o tempo em que residiram juntos na terra da rainha.
Devido à oposição aos ideais do governo da década de 60, os pais da Tropicália foram obrigados a deixar o Brasil em 1969 e acharam abrigo em Londres, onde ficaram por três anos. E embora a capital da Inglaterra seja uma cidade cosmopolita, repleta de atrações e coisas para conhecer, foi o lugar que inspirou a canção “London, London”, em que Caetano retrata a solidão de andar pelas ruas sem conhecer ninguém e da melancolia de estar longe de seu lar e do calor, afinal, as coisas são um pouco diferentes quando se é forçado a deixar o seu país.
Por outro lado, a letra também fala sobre como é bom viver em paz, e apesar do frio – tanto do ambiente como das pessoas – cantado por Caetano, ele guarda boas lembranças da cidade, uma delas, do extinto Café Picasso, antigo local de reunião de artistas e músicos no bairro de Chelsea.

Em sua turnê atual, Caetano retornou à cidade inglesa em que dividiu morada com Gil, mas desta vez apresentando uma estrela crescente do samba, Teresa Cristina, cujo último álbum, Canta Cartola, traz uma homenagem ao referido poeta, cantor e compositor da Mangueira. O show, inclusive, é aberto com um repertório do sambista acompanhada pelo violão de Carlinhos Sete Cordas, seguido pela performance de Caetano – que fez questão de escolher um repertório diferente do cantado no show com Gil – e fechado com um dueto dos dois interpretando as músicas do artista baiano.
Com apresentações internacionais em diversos países da América do Sul, Ásia, EUA e recentemente em Portugal, Espanha, Itália, Bélgica e Reino Unido, o ícone da contracultura finaliza sua turnê europeia na Holanda, dia 19 deste mês, com o último show em Amsterdã antes de retornar ao Brasil para o show em Curitiba, dia 9 de junho.
À beira de completar 75 anos, o artista natural de Santo Amaro já tem seu nome enraizado na história da cultura e música popular brasileira, mas agora também está eternizado no livro Caetano – Uma biografia: a vida de Caetano Veloso, o mais doce bárbaro dos trópicos, de Carlos Eduardo Drummond e Marcio Nolasco, lançado semana passada sob a editora Seoman.
Entretanto a biografia não autorizada foi criticada pelo objeto da obra, que a descreveu como fraca no quesito literário quando a leu pela primeira vez – o projeto foi iniciado há 20 anos e foi finalizado em 2004, mas perdeu o apoio da editora devido à falta de acordo com os representantes de Caetano. Apesar de pecar na escrita, a pesquisa aprofundada, que consistiu em dissecar jornais, revistas e documentos antigos, além de entrevistar 103 pessoas – dentre parentes e amigos – compensa a falha e traz detalhes da vida de Caetano que ainda não haviam sido revelados ao público.
