O músico carioca Bruno Cosentino ficou conhecido por emprestar voz no projeto Banquete, considerado um dos melhores EPs de 2014.
Amarelo é seu primeiro disco solo, e mostra como um compositor singelo pode assimilar diferentes caminhos tomados pela MPB ao longo destes anos – coisa que já fica evidente logo na primeira faixa, “Tarde”, que traz o renomado guitarrista no-wave Arto Lindsay.
Se o disco é intimista, a culpa é de um relacionamento de Bruno. Ele foi além do amor a dois, o que justifica a acepção do título: junção de amor e elo.
Bruno canta baixinho, mas não faz bossa nova. O fato de sua voz se sobressair às guitarras elétricas, percussões fervorosas e ambiente industrial em petardos estéticos como “Preciso Aprender a Não Ser” e “Respira” o colocam num canto diferente de outros artistas contemporâneos considerados singelos, como Moreno Veloso e Nana (não é a Caymmi).
Afetivo e complexo, Amarelo tem nas timbragens o endosso de uma poesia claramente sentimental. Diz o release:
Nas letras de ‘Amarelo’, o amor é tratado sob uma ótica espiritual, e aparece nos afetos relativos às cidades, ao tempo e à própria vida. Personagens, cenários e histórias surgem em cada verso em palavras tarde, deserto, Guanabara, silêncio, lugar, solidão, amar e elo. (…) ‘Amarelo’ é, em seus diversos matizes, a cor desse canto. Canto que nos transporta em devaneios mundanos, ora distantes no deserto, ora no aconchego do umbigo.
Além de Arto, o disco traz participações de Ana Cláudia Lomelino, da banda Tono (“Sem Pecado”), e Marcos Lobato, d’O Rappa, em “Duas Pétalas Vermelhas”.
Ouça Amarelo na íntegra:
