Gravadora: Relapse
Data de Lançamento: 15 de janeiro de 2016
O termo post-metal confunde mais do que define, mas até que cai bem ao Bloodiest. A banda de Chicago formada por Bruce Lamont (voz), Tony Lazzara, Eric Chaleff (guitarras), Colin DeKuiper (baixo), Nandini Khaund (piano/teclados) e Cayce Key (bateria) chega ao segundo disco captando mais a essência do stoner e do sludge do que os drones habituais ao subgênero.
Lamont também integra a banda Yakuza, explorando metal com intersecções de jazzistas conterrâneos, como Ken Vandermark e Hamid Drake. Integra, também, no Corrections House e no Circle of Animals.
Para o segundo álbum do Bloodiest, homônimo, isso se reflete numa exuberância técnica, em que os vocais funcionam mais como uma extensão instrumental que vai do melódico início de “The Widow” aos ataques calculados por entre os riffs, em “Broken Teeth”.
O Bloodiest faz um tipo de metal que progride na velocidade do post-rock, absorvendo a catarse musical como se estivesse concentrando energia como corpos galácticos. A simbiose da banda funciona mais como um conjunto ‘neoclássico’, como Lamont já definiu, do que metal mesmo. “Estamos de volta com orquestrações ritualísticas e pesadas”, afirma o grupo em release. “Mas, em outro nível”.
Do primeiro disco, Descent (2011), para o novo, Bloodiest, pode-se dizer que o grupo se desvencilhou ainda mais de certas amarras, enquanto, diametralmente, carregou ainda mais o peso de seu metal. Dos grupos contemporâneos, pode-se dizer que eles são uma mescla entre a secura do Deafheaven e o hibridismo do Swans (numa proporção menor, talvez).
Mais melódico que arrebatador, Bloodiest constata que o fator composicional é muito mais valorizado que a entrega iminente aos riffs de guitarra. Não fique chocado se você se deparar com efeitos de saturação ou gritos ofuscados. Mediar e extrapolar tudo isso é o que faz deste um dos lançamentos mais instigantes do gênero em 2016.
Ouça o álbum na íntegra no player abaixo:
