
Flavor Flav empunha o baixo enquanto Chuck D (à direita) manda os versos diretos do Public Enemy
Ontem, recebemos a triste notícia da morte de Amy Winehouse, certamente uma das grandes cantoras de nosso tempo. E os músicos do Black na Cena não deixaram batido e fizeram menção honrosa à cantora que se apresentou no início deste ano no Summer Soul Festival: Public Enemy pediu um minuto de silêncio e Pato Banton a citou como uma das maiorais.
Apesar de não ter sido escalado para fechar o line-up, o Public Enemy causou estrago em sua apresentação. Estrago no bom sentido. Tocaram mais de 2h alguns de seus principais hits, iniciando com “Public Enemy Number One” com Chuck D e Flavor Flav incitando barulho como se fossem crooners de uma final de luta livre. Entre socos e pontapés ao ar, o público vibrou com “911 Is a Joke” e “Terrordome”.
Eis que Chuck D exclama ‘It takes a nation of millions’, mencionando um de seus principais discos, e emendaram “Bring the Noise” e “Don’t Believe The Hype” numa talagada só! Thaide deve ter ficado emocionado e surpreso quando foi chamado para o palco: Chuck D ajoelhou e rasgou elogios ao rap brasileiro, afirmando que temos bom gosto ao ouvir Racionais MCs. Do palco, Thaide cantou “Corpo Fechado” e “Senhorita”.
Foi preciso muita energia para pular do começo ao fim com o grupo. Eles não paravam um segundo! “Black Steel in the Hour of Chaos” foi um dos grandes momentos do show e, logo depois, o DJ Lord mostrou serviço nas picapes sampleando as faixas “Seven Nation Army” (The White Stripes) e “Smells Like Teen Spirit” (Nirvana). E engana-se quem acha que isso foi tudo. Ainda houve tempo para “Rebel Without a Pause”, a nova “Arizona”, “She Watches Channel Zero?!?” e a clássica “Fight the Power”.
Confira o vídeo de “911 Is a Joke”:
Antes, o público havia apreciado um show animado de Xis com os rappers Marcelo Mira e Rincon Sapiência. Lee “Scratch” Perry acalmou os ânimos com seu dub repleto de grooves regueiros e prestou homenagem aos 30 anos da morte de Bob Marley tocando algumas de suas canções menos lembradas. Começou com “Crazy Baldheads” e mandou “Small Axe”, “Duppy Conqueror” e “Punk Reggae Party”, além de tocar seus grandes sucessos como a viajante “Soul Fire” e a engenhosa “Jungle Safari”. Ao lado de Mad Professor, tocaram por 1h com pouca interação com o público.
Uma das maiores homenagens à Amy Winehouse veio com o show de Marcelo Yuka. O baixista Patrick Laplan usou um vestido e causou barulho com seus slaps inspirados. Segundo Laplan, o vestido era para homenagear o Carnaval do Rio de Janeiro. Yuka assimiu teclados e sintetizadores e tocou algumas faixas de seu novo álbum que deve sair ainda neste segundo semestre, além de revisitar hits que compôs quando estava n’O Rappa, como “Lado B Lado A”. Pelo que vimos, parece que Yuka estava bem inspirado no dub psicodélico e em afro-batidas eletrônicas.
A Banda Black Rio começou com a grandiosa “Maria Fumaça”, dos tempos da primeira formação, mas investiram nas faixas novas do novíssimo Super Nova Samba Funk, que já foi lançado internacionalmente e deve pintar nas lojas brasileiras em setembro. Também tocaram hits de Movimento, como “Nova Guanabara”, e chamaram convidados ilustres, como Criolo e Negra Li. O rapper da zona sul paulistana causou êxtase tocando duas faixas do já aclamado Nó Na Orelha: “Subirusdoistiozin” e “Grajauex”.
Pato Banton tocou alguns de seus maiores hits, com metais em brasa, e Jorge Ben Jor não fugiu do óbvio com um show pot-pourri. Apesar de tudo, ele mandou algumas faixas de A Tábua de Esmeralda, coisa que ele não costuma fazer. Ele tocou “Os Alquimistas Estão Chegando”, “Menina Mulher da Pele Preta”, “Magnólia” e “Zumbi”. Quem encerrou o segundo dia foi Carlinhos Brown com a banda Olodum.
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Confira a programação de hoje:
14h – Russo, Bocage e Banda Soul3 15h – Sandrão RZO 16h – Thaíde e Funk Como Le Gusta 17h – Naughty by Nature 18h – Racionais MCs 19h – Method Man
20h – Redman
