
Björk já tocou canções de Biophilia em uma apresentação em Manchester (Inglaterra)
Antes de ouvir Björk, deve-se ter uma coisa em mente: que a tecnologia está lado a lado com a natureza. Como se as coisas eletrônicas tivessem um contato involuntário com a firmeza da terra, dos elementos essenciais para a vida humana, animal e, inclusive, robótica (lembra daquele clipe de “All is Full of Love”, né?).
Com essas conexões todas, não dá para analisar Biophilia como um trabalho fragmentado, mesmo sendo um projeto pensado para três diferentes nichos: um aplicativo para iPad, uma apresentação exclusivamente elaborada e, claro, um álbum.
Quando foi anunciado no primeiro semestre deste ano, Biophilia despertou, no mínimo, algo curioso: como retornaria a cantora islandesa depois de um ritmo crescente de lançamento de álbuns experimentais, que teve como último exemplo Volta, de 2007 (que traz até colaborações dela com Timbaland(!))?
A resposta óbvia que vem numa primeira audição deste disco é que a cantora decidiu explorar o espaço. Ela quer o cósmico, os asteroides, o inexplicável. Por isso mesmo, Biophilia é um disco de impacto.
Confira a seguir o faixa-a-faixa que o Na Mira do Groove preparou antes de você ouvir o disco:
1. “Moon”
Já que falamos de algo espacial, o que vem logo a mente? Nosso óbvio satélite natural. Mas ele reserva surpresas que Neil Armstrong provavelmente não nos relatou quando visitou a Lua em 1969: ela pode ter uma energia positiva bem confortante, como dá a entender a linha contínua de baixo.
2. “Thunderbolt”
Começa com uma singela balada no violoncelo, enquanto Björk encaixa, de forma como só ela sabe fazer, palavras intricadas com um ritmo desconexo, mas que representa um sentido que seria indecifrável ao ver sua personagem em contato com as luzes. Vai em um ritmo de arpeggio, ou seja, quebrado.
3. “Crystalline”
As batidas lúdicas no início são o interlúdio de uma fuzarca sonora que toma conta da canção: aqui, Björk vai do deep house, passa pelo dreampop, dá um alô no trip hop e acaba finalizando no drum’n bass. Já tem até um clipe para esta canção, dirigido por Michael Gondry (de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças). Desnecessário dizer que a música é sensacional!
4. “Cosmogony”
É bem mais tranquila e tem um diálogo com música clássica. Fala sobre equilíbrio, além de dizer que o universo é uma espécie de ‘ovo preto’. Aqui, a islandesa segue em sua espaçonave abstrata numa viagem têmpera, que vai preparando o ouvinte para novas surpresas.
5. “Dark Matter”
Este é um som de escalas, como a própria Björk define em seu subtítulo. Os vocais oníricos lembram alguma coisa do Dirty Projectors, mas é apenas uma faixa complementar do projeto Biophilia.
6. “Hollow”
Björk entra em uma cavidade estranha; a tensão aumenta conforme ela vai se aproximando de algo, que não sabemos o que é. Essa tensão é provocada por uma sonoridade que lembra um piano seco de forma clássica, remetendo a algum choque que ocorrerá a qualquer momento. Serviria de trilha para algum filme B de suspense, se não chegasse, a partir dos 4 minutos, a uma aura espacial típica de um Space Invaders desconfigurado.
7. “Virus”
Fala de cogumelos e remete a uma selva transcendental de algum planeta ainda não tocado pelos humanos. Só que tem algo estranho por aí: Björk fala de coisas degenerativas – como supõe o nome da faixa -, como um vírus que “está com fome de você”. As vozes de fundo só colaboram para toda essa destreza.
8. “Sacrifice”
Uma faixa difícil, que beira o intransponível. Talvez porque a personagem que Björk criou para Biophilia não tenha um certo apreço de falar em sacrifício humano perante a natureza. As pontuações eletrônicas caem como se fossem meteoros efêmeros que se dissipam rapidamente.
9. “Mutual Core”
Björk passeia à vontade pelas placas tectônicas, como se quisesse obter o controle dos desastres naturais causados por elas. Fala sobre esforço de evitar erupções vulcânicas – com as batidas pesadas representando as chamas ardentes da lava. Quando entra a calmaria, dá pra perceber barulhos de um caldeirão intenso de explosões crônicas: o magma.
10. “Solstice”
O solstício representa uma mudança de posição do Sol para demarcar as estações de verão e inverno, que são opostas. E é exatamente este o tema da faixa de encerramento de Biophilia: uma mudança que alterará todo o sistema solar. A cantora vai divagando sobre o que aconteceu, ao mesmo passo em que ‘espera pelos outros’. É lenta e bem triste – encaixando no conceito que permeia todo o disco.
E aí, já ouviu o álbum Biophilia? O que achou? Dispare nos comentários!
