Durante os anos 1960 muita coisa aconteceu na América e no mundo. No finalzinho dessa década, surgiu um movimento a mais: nascia a dance music, o gênero que mais se aproximou do ‘sonho’ da possibilidade de integração racial e sexual.
Estava lendo hoje o caderno C2+Música do Estadão e me deparei com a sempre ótima coluna de Cláudia Assef, que indicou o documentário The Joy of Disco, da BBC4, que você pode conferir na íntegra abaixo.
Este rico material traz entrevistas com David Mancuso, considerado o pai da disco music, o DJ Ian Levin, membros do Village People, o coreógrafo de John Travolta no clássico Embalos de Sábado à Noite, o jornalista do Guardian Alexis Petridis e inúmeros outros.
A disco music tem uma interessante história que faz paralelo com a permissividade sexual nos Estados Unidos e as primeiras manifestações sobre os direitos dos gays. O doc conta história da insurreição ocorrida no clube Studio 54, onde policiais chegaram a invadir e ordenaram a evacuação da área. Eles se recusaram, alegando que também pagavam impostos e exigiam seus direitos. A data? 27 de junho de 1969. “Aquele foi o nascimento dos direitos dos gays”, disse Rollerena, frequentadora do local.
A partir daí, começaram as primeiras passeatas, que traziam cartazes como ‘sodomy is cool’ e ‘All You Need is Love’, com referência à música de mesmo nome dos Beatles.
Um dos melhores momentos do documentário mostra o baterista Earl Young, considerado o precursor da batida disco, mostrando como conseguiu revolucionar o gênero.
Falando em permissividade sexual, o disco foi o primeiro a explorar a mulher como sex symbol explícito, tendo como pano de fundo o movimento feminista, o orgulho gay e a integração racial dentro das danceterias. Uma das grandes porta-vozes dessa era foi Donna Summer que, de acordo com o documentário, representava todos os paradigmas quebrados com a invasão do gênero: era negra e tinha um vozeirão que evocava o sexo. Depois dela, começou a surgir mulheres brancas que foram encontrando brechas necessárias dentro da pop music. “A disco também coloca em ponto a satisfação da mulher. Ela também chega ao orgasmo”, definiu a DJ Alice Echols.
O documentário abrange a era de ouro do disco, que foi de 1969 a 1979, ano em que surgiu em Chicago um movimento preconceituoso chamado ‘disco-sucks’, com pessoas mostrando cartazes homofóbicos exigindo o fechamento imediato de clubes que, para eles, promoviam a promiscuidade.
Bom, não vou falar mais sobre The Joy of Disco para não perder a graça. Confira o documentário de 1h abaixo; está dividido em quatro partes. Infelizmente está todo em inglês:
