Graças a algum ser místico, o Brasil não teve nada parecido com o “Gangnam Style” (assim como o YouTube, vamos passar um borrão em Latino).
Claro que muita música ruim pipoca por aí e, apesar de 2012 não ter tantas músicas boas quanto teve discos, o Na Mira fez questão de enumerar a própria lista de melhores do ano.
Em um ano turbulento como este, não poderia faltar o prenúncio de SILVA, as viagens de Céu, o pop-rock de Tulipa Ruiz e as invencionices de Caetano Veloso.
Enfim, confira a seguir a lista das 50 melhores músicas nacionais de 2012. Lembrando que é possível ouvir as canções em uma playlist contínua (pelo menos as que estão hospedadas no YouTube. Faixas do SoundCloud não são executadas nessa playlist, mas, quando for o único jeito de disponibilizar a canção, será sinalizado).
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Confere aí:
50. Márcia Castro: “De Pés No Chão”
49. Cabruêra: “Jurema”
48. Abayomy Afrobeat Orquestra: “Malunguinho”
47. Alice Caymmi: “Sangue, Água e Sal”
46. Afroelectro: “Sika Blawa” (part. Chico César)
45. Molho Negro: “Ela Prefere o DJ”
44. Mão de Oito: “Beats” (part. Emicida e Kamau)
43. Céu: “Retrovisor”
42. Kamau: “21|12”
41. Arnaldo Antunes, Edgard Scandurra & Toumani Diabaté: “Cara”
40. Metá Metá: “Cobra Rasteira”
39. Sexy Fi: “Loro On Loro”
38. Hurtmold: “Chavera” (postado em SoundCloud)
37. Rodrigo Campos: “Princesa do Mar”
36. Lucas Santtana: “Jogos Madrugais”
35. Tom Zé: “A Terra, Meus Filhos”
34. Gui Amabis: “Tiro”
33. Fóssil: “Lençóis”
32. Psilosamples: “Ovelha Negra”
31. O Terno: “Morto”
30. “O Céu Sobre as Cabeças”
Supercordas
Gênero: Rock Psicodélico
Álbum: A Mágica Deriva dos Elefantes
Download gratuito no site oficial
‘Afagar a terra’ é uma boa expressão para a bandeira da sustentabilidade. As dinâmicas de guitarra entre Felipe Giraknob e Pedro Bonifrate viajam para um plano entre King Crimson e Syd Barrett, influências psicodélicas que permeiam o disco A Mágica Deriva dos Elefantes.
Ouça: “O Céu Sobre as Cabeças”
29. “Crack of Love”
Filipe C.
Gênero: Soft-Rock
Álbum: Silence (EP)
Download pelo Rock’n Beats
Apenas com o primeiro EP, Filipe C. rompeu com o rock de Venus Volts e FingerFingerrr para abraçar uma sonoridade mais soft. “Crack of Love” é uma bonita composição sentimental em inglês que prega a liberdade do amor, para se livrar das amarras da sisudez.
Ouça: “Crack of Love”
28. “Baile da Ilusão”
Céu
Gênero: MPB
Álbum: Caravana Sereia Bloom
Caravana Sereia Bloom tem muitos pontos altos, como “Chegar em Mim” e “Falta de Ar”, mas é em “Baile da Ilusão” que a cantora trafega melhor na sua estrada: ‘Regida por decibéis/Serpentina nos meus pés/Dançando pelo salão’. Provavelmente o melhor convite à dança já proposto pela cantora.
Ouça: “Baile da Ilusão”
27. “Falar Pra Ficar”
Orquestra Contemporânea de Olinda
Gênero: Frevo
Álbum: Pra Ficar
Download gratuito pelo site oficial
Quem nunca? Quem nunca quis permanecer em um lugar e quis que o outro se sentisse tão bem quanto você? “Falar Pra Ficar” é uma letra despretensiosa, mas construída sob um requinte convincente. Uma dica: quando a festa estiver num momento ‘down’, coloque esta aqui. Provavelmente os convidados irão se convencer após a guitarrada que entra em cena depois dos 2 minutos.
Ouça: “Falar Pra Ficar”
26. “2012”
SILVA
Gênero: Indie
Álbum: Claridão
A atmosfera inicial climatiza bem o que foi – e ainda está sendo – o ano de 2012. ‘Gosto mesmo do incerto’, diz o capixaba SILVA, que muniu a canção de efeitos lo-fi com sonoridades futuristas. Em “2012”, o cantor brinca com o imaginário que se criou com a possibilidade do fim do mundo, apontando outros motivos para essa incerteza coletiva.
Ouça: “2012”
25. “Canoa Furada”
Siba
Gênero: MPB
Álbum: Avante
Download pelo site oficial
As guitarras e a flauta que abrem esta música são esplêndidas. Uma das mais alegres canções de Avante, “Canoa Furada” se encaixaria devidamente em um trabalho com A Fuloresta (inclusive ela havia sido mostrada com a antiga banda). Caberia um trombone aqui e um sax acolá, mas os instrumentos de corda resolvem muito bem os furos de uma canção que fala de… furos.
Ouça: “Canoa Furada”
24. “Nóiz é Negô”
Pentágono
Gênero: Rap
Álbum: Manhã
Download no site oficial
O negro geralmente é protagonista nos raps mais ativos. Mas, aqui, o Pentágono quis colocar ‘em um mesmo lugar’ negros e índios, amplamente discutido no Brasil por conta das construções de Belo Monte, além da ameaça de homicídio coletivo por conta dos Guarani-Kaiowá. Na canção, o grupo faz uma ligação de tudo isso com Marighella, militância e sofrimentos intrínsecos aos ‘filhos desse Brasil’ não tão acolhidos assim.
Ouça: “Nóiz é Negô”
23. “Xangô”
Sambanzo
Gênero: Afrobrasileira
Álbum: Sambanzo, Etiópia
Download gratuito pelo site oficial
Baixou o funk na guitarra de Kiko Dinucci, que introduz uma das mais ágeis canções de Sambanzo, Etiópia. Thiago França entoa os primeiros acordes em seu sax de leve, mas logo rouba a cena com um groove latino que encontra a dança e vai se dissolver em efeitos esvoaçantes.
Ouça: “Xangô”
22. “Guilhotinesco”
Jair Naves
Gênero: Rock
Álbum: E Você Se Sente Numa Cela Escura, Planejando a Sua Fuga, Cavando o Chão Com as Próprias Unhas
Download pelo Bandcamp oficial
Aos 31 anos, Jair Naves não se considera mais jovem – ou não deve se considerar. “Guilhotinesco” é um retrospecto de ‘dias que me arrastei’. Ele se diz temente a Deus e sente-se aproximar o fim dos dias ‘sem ilusões’, vide a guitarra soturna. Uma das composições mais maduras de um dos grandes cantores do ano.
Ouça: “Guilhotinesco”
21. “Um Comunista”
Caetano Veloso
Gênero: MPB
Álbum: Abraçaço
2012 também foi o ano de Carlos Marighella. Depois de lançamento de livro, documentário e faixa dos Racionais MCs, Caetano Veloso também quis homenagear o seu conterrâneo baiano, partindo para uma canção mais triste, que poderia ser tocada no túmulo do ex-militante. Uma linda narrativa que mostra a força de Caê como contador de histórias.
Ouça: “Um Comunista”
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20. “Essa é Pra Tocar no Baile”
BNegão & Seletores de Frequência
Gênero: Funk/Hip Hop
Álbum: Sintoniza Lá
Taí a prova maior de como BNegão conseguiu recarregar as energias do seu groove. Uma festa bacana (e não de bacana) tem que ter essa pra tocar. Começa com o trompete rígido de Pedro Selector, e logo o baile começa a ferver com a devida liderança de BNegão em um ‘groove que balança mas não enjoa’. O solo de Pedro nos minutos finais é outra pérola daqui.
Ouça: “Essa é Pra Tocar no Baile”
19. “Doce”
Curumin
Gênero: Dub/Reggae
Álbum: Arrocha
Ao falar de natureza, Curumin acerta ao passear por diversos gêneros. Em “Doce” ele opta por um reggae denso, evocando um clima nostálgico que parece exalar a beleza de águas límpidas ‘que escorrega nas minhas mãos’. Dá vontade de largar o computador, colocar uma bermuda e pular na represa, no mar, no rio.
Ouça: “Doce”
18. “Paraquedas”
Apanhador Só
Gênero: Rock
Álbum: Paraquedas (compacto)
Download gratuito no site oficial
Lançado como compacto, o único registro da Apanhador Só neste ano prenuncia um novo trabalho para 2013. Aqui, o compositor Alexandre Kumpinski se sente mais livre musicalmente, criando um paralelo interessante com a carreira da banda: ‘Essa tua mania/De não querer nos definir/Pode acabar/Nos deixando imensos’.
Ouça: “Paraquedas”
17. “O Encontro de Lampião com Eike Batista”
El Efecto
Gênero: Alternativo
Álbum: Pedras e Sonhos
Compre pelo site oficial da banda
Apesar de não ter sido tão comentado na imprensa fora do Rio de Janeiro, o terceiro álbum do El Efecto merecia sim atenção maior (até mesmo por aqui, verdade seja dita). A primeira faixa de Pedras e Sonhos é uma fábula que conta a trajetória de assentamentos e terrenos a partir de diversos personagens de nossa cultura, ligando rock, forró, MPB e alguns trejeitos tropicalistas. São oito minutos de poesia com ironia e inteligência raras no cenário independente.
Ouça: “O Encontro de Lampião com Eike Batista”
16. “Legal e Ilegal”
Felipe Cordeiro
Gênero: Música nortista
Álbum: Kitsch Pop Cult
A primeira faixa de Kitsch Pop Cult é uma espécie de esboço do disco. Ali, Felipe Cordeiro enumera ‘do tabaco do bolero à tequila do merengue’ uma série de elementos pop que têm a ver com distintos ritmos. Tudo isso entra no álbum, que mostra com criatividade, argúcia e singularidade o que a música nortista tem de melhor. É mistura, mistura, mistura, mistura. Mistura boa. Bem boa.
Ouça: “Legal e Ilegal”
15. “Se Pá Ska S.P.”
Lucas Santtana
Gênero: MPB
Álbum: O Deus Que Devasta Mas Também Cura
Ultimamente, a cidade de São Paulo tem inspirado ótimas canções (“Não Existe Amor em SP”) e grandes discos (Estação Sé). Lucas Santtana também deixou um ótimo registro, mas seria grande injustiça apenas incluir “Se Pá Ská S.P.” em um rol. Muito mais que isso, o compositor retrata a solidão que, apesar de extrema, parece normal a cada morador desta megalópole (‘É só sair na rua e ter a impressão/De que estamos sós desde a barriga até o caixão’). Vivemos com ela, somos felizes com ela e sofremos com ela. E, à solidão, os moradores de São Paulo pertencem.
Ouça: “Se Pá Ska S.P.”
14. “Qasida”
Siba
Gênero: MPB
Álbum: Avante
Download pelo site oficial
Avante, além de ter um esplêndido arranjo de cordas, é marcado por lindas poesias, sejam elas fáceis de cantar (“A Bagaceira” e “Canoa Furada”) ou mais intensas, como é o caso de “Qasida”, possivelmente uma das melhores composições de Siba em seus mais de 10 anos de carreira. Na verdade, a canção mostra uma nova forma em relação às outras músicas de Siba; tem a preocupação de mostrar a fé do povo nordestino ao olhar a realidade: ‘O que foi já não é e nem será/E da frente pra trás ninguém irá/Desfazer o que é certo ou errado’. Pura sabedoria, baita canção.
Ouça: “Qasida”
13. “Mil Faces de Um Homem Leal”
Racionais MCs
Gênero: Rap
Álbum: single
Baixe a música pelo 4Shared
Mano Brown já tinha escrito essa música muito antes de receber o convite para inserir a trilha do documentário Marighella. Gravada com um MPC explorando batidas minimalistas, “Mil Faces de Um Homem Leal” foi levemente alterada para que simbolizasse o momento crucial em que o militante invadiu a Rádio Nacional – como é possível ver no videoclipe. Se por um lado diversas faixas dos Racionais MCs apontavam outras vertentes sonoras, “Mil Faces…” veio para lembrar fãs e ouvintes de que o grupo ainda mantém a raiz detratora e ativa, por mais obscura que possa parecer.
Ouça: “Mil Faces de Um Homem Leal”
12. “Samba Pop”
Quinteto em Branco e Preto
Gênero: Samba
Álbum: Quinteto
Sentia falta de um grupo que faz samba tradicional – tirando os grandiosos nomes que ainda estão na ativa, claro – com composições inteligentes. O Quinteto em Branco e Preto veio para assegurar que o gênero conversa com todos os outros: ‘O samba tá sempre no toque/Feito hip hop/Rima e seduz/Tem força e atitude de rock/Feito foxtrot/Funk, soul e blues’. Os arranjos da Banda Mantiqueira vão do samba de roda às guitarras blueseiras, sem se mostrar pretensioso demais. ‘Samba é pop meu bem/O look fashion que sempre cai bem’. Se todo samba feito hoje fosse como o do Quinteto em Branco e Preto…
Ouça: “Samba Pop”
11. “Oito”
Sobre a Máquina
Gênero: Post-Rock
Álbum: Sobre a Máquina
Download gratuito pelo selo Sinewave
Em clima de hibridismo tenso, o Sobre a Máquina aos poucos se destaca como um dos melhores expoentes do post-rock nacional na atualidade. “Oito” é um drone-industrial que reproduz a serventia do homem à máquina – coisa que nada difere daquilo que Karl Marx tanto criticou há mais de um século atrás. A guitarra noisy de Emygdio Costa entra em atrito com o teclado de Cadu Tenório, como se o homem estivesse lutando contra a imposição industrial. Não há começo nem fim; “Oito” é justamente um reflexo híbrido daquilo que nos acomete desde a Revolução Industrial.
Ouça: “Oito” (postado no Vimeo)
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10. “Escarcéu”
Miranda Kassin
Gênero: Pop/Rock
Álbum: Aurora
O que Miranda Kassin diz nessa música é retrato do cansaço generalizado que paira após a mesmice. Tem horas que não é bem você, pessoa, que deve mudar: o local geográfico e físico conta muito. ‘Mas quer saber?/Depois de tanto patinar/Eu aprendi/Será que sou eu?/Pode ser você/Por culpa dos astros ou desastres naturais’, solta ao ar a cantora. No entanto ela prefere recorrer a uma máxima para explicar todo esse caos interno: é apenas um dia ruim. Será?
Ouça: “Escarcéu”
9. “Terra em Trânsito”
Caê Rolfsen
Gênero: Samba/Marchinha
Álbum: Estação Sé
O samba que Caê Rolfsen faz em “Terra em Trânsito” remete a uma São Paulo de cinquenta, sessenta anos atrás. Ali tem uma marchinha carnavalesca que faz com que o ouvinte perceba que o contato com a multidão nessa metrópole não vem de hoje. ‘Na cidade/Onde a gente viveu/Uma fanfarra/Reclamando a ressurreição/Da multidão ô ô ô ô’. É como se Caê fizesse um resumo do crescimento populacional de São Paulo em retrospecto, de forma nostálgica, apontando que, por mais que haja os malefícios que tantos estão cansados de detratar, essa multidão também tem sentimentos, conquistas e motivos para sorrir. Um belo olhar otimista sobre a cidade, que tanto precisa desse acalanto.
Ouça: “Terra em Trânsito”
8. “A Bossa Nova é Foda”
Caetano Veloso
Gênero: MPB/Rock
Álbum: Abraçaço
A primeira faixa de Abraçaço é hipnótica, um liquidificador pop. Caetano Veloso conseguiu arranjar um refrão pegajoso numa ‘dança da moda’ que recicla diversas informações e personagens de nossa atualidade para arremessá-lo numa lixeira, que se mostra reaproveitável (sustentabilidade musical?). E esse reaproveitamento, consequência do ‘homem cruel e destruidor’, acaba se tornando a própria canção, a resolução pop perfeita em tempos em que as explicações se confundem cada vez mais. É tudo foda.
Ouça: “A Bossa Nova é Foda”
7. “Aleluia”
Cascadura
Gênero: Rock
Álbum: Aleluia
Download gratuito pelo site oficial
Uma das composições de rock mais bonitas dos últimos anos. Na primeira faixa de Aleluia, o Cascadura relata a crônica de um possível velho que já não enxerga mais, mas que ainda sofre com o peso da solidão: ‘A vida era o caminhar por um quarto escuro’. É a possibilidade do desejo da ‘musa que chamavam Luzia’ que surge a luz que lhe faltava para guiar por todo esse tempo. A composição passa a ideia de que tudo nasce por meio do sonho. É a possibilidade que gera o acontecer. Há uma luz para o cego que muitas pessoas com perfeita visão também não conseguem enxergar.
Ouça: “Aleluia”
6. “Dois Cafés”
Tulipa Ruiz & Lulu Santos
Gênero: Pop-rock
Álbum: Tudo Tanto
Em Tudo Tanto, Tulipa Ruiz provou ser uma potencial expoente do pop-rock. Para chegar lá, nada como um empurrãozinho de um dos maiores hitmakers nacionais: Lulu Santos (amado por uns, odiado por muitos outros). É de se questionar a qualidade da obra de Lulu Santos, mas esta canção certamente não entra nessa indagação. O dueto é bem interposto, a composição é ótima e a levada agrada qualquer ouvinte de rádio FM. A única pena é que só investindo por meio de jabá e acordos obscuros para a música atingir um grande público…
Ouça: “Dois Cafés”
5. “Passarinho”
Curumin
Gênero: MPB
Álbum: Arrocha
De todos os temas ligados à natureza que Curumin explorou em Arrocha, “Passarinho” é a mais simbolista e talvez a mais utópica de todas. Sim, ele fala de nadar em águas limpas (“Doce”), mas nesta canção o animal que melhor representa o sentido de voo e liberdade nos desperta inveja e, inevitavelmente, nos leva a pensar em nossas limitações. ‘Não tem gaiola que possa me seguraaaarrrrr’. Quem não gostaria de se livrar das amarras que nós mesmos criamos (emprego, aluguel, impostos) para aproveitar a imensidão do mundo e da natureza?
Ouça: “Passarinho”
4. “That’s My Way”
Edi Rock & Seu Jorge
Gênero: Rap
Álbum: Contra Nós Ninguém Será (lançamento em 2013)
Baixar a música pelo 4Shared
Enquanto você enxuga gelo esperando o novo disco dos Racionais MCs, Edi Rock despertou curiosidade e ansiedade após o anúncio de um novo trabalho solo, Contra Nós Ninguém Será, que deve ser lançado em fevereiro de 2013. Tudo por conta dessa improvável parceria, onde o rap se encontra com a música popular brasileira em um refrão fixador: ‘Vai clarear você/Vai iluminar você/Vai proteger/Vai inspirar/E alimentar você’, entoado por ninguém menos que Seu Jorge. Em suas rimas, Edi Rock está mais sutil e otimista com seu vozeirão hipnótico: ‘Cada degrau a gente aprende a sofrer (…)/Eu tô lá/Lado a lado/Com a fé no coração/Nem que para isso eu amanheça dormindo no chão’. Uma abertura musical necessária na carreira de Edi Rock; um milhão de pontos a mais na música brasileira.
Ouça: “That’s My Way”
3. “Víbora”
Tulipa Ruiz
Gênero: MPB
Álbum: Tudo Tanto
Isso, Tulipa Ruiz, destila seu veneno. Destila seu dissabor, suas destrezas e suas ruínas. Afinal, a cantora de “Efêmera” e “Desinibida” também deve ter motivos para se exasperar, gritar ou ao menos ter mil motivos para não ser boazinha a todo o momento. “Víbora” é o acúmulo de toda essa ira contida de Tulipa. Ela está brava, irritada, decepcionada. Por mais que sejam maus adjetivos, todos nós sabemos que é das destrezas que nascem grandes canções. Arrisco dizer que esta é a melhor dela.
Ouça: “Víbora”
2. “Oya”
Metá Metá
Gênero: Afro-Punk
Álbum: MetaL MetaL
Download gratuito pelo site de Kiko Dinucci
Tive o privilégio de ouvir esta música após uma entrevista com Juçara Marçal. Lembro que fiquei perplexo com a mudança nos metais, os múltiplos alcances vocais da cantora e a catártica explosão que justifica o nome de um dos melhores álbuns de 2012. A canção escrita por Kiko Dinucci e Douglas Germano mostra um entrelaçamento natural entre a língua iorubá e portuguesa num acesso de ira que pairou nos instrumentos de todos os músicos: ‘Beijo, clarão, labareda, pimenta/Se o vento se alastra a brasa aumenta/É lava, combustão’.
Ouça: “Oya”
1. “Jardim Japão”
Rodrigo Campos & Juçara Marçal
Gênero: MPB
Álbum: Bahia Fantástica
Demorei 30 descrições para chegar a este axioma: Juçara Marçal é a cantora do ano. 2012 representou uma mudança drástica em sua forma de interpretar as canções. E parte disso está justamente em “Jardim Japão”. Quem assistiu ao show de lançamento do álbum Bahia Fantástica, no Sesc Vila Mariana, pode comprovar que o mundo parou no momento em que Juçara, sem muito esforço, entoou uma música sentimental cheia de ira. Um momento stop-motion do mundo. Choro e aplausos.
Além do espetáculo proporcionado, “Jardim Japão” exemplifica o estado de tensão de dois moleques após um roubo. É uma atmosfera próxima a essa que cidades de São Paulo e Santa Catarina passaram com a violência generalizada entre polícia e ladrão de um mês pra cá: ‘Não quero nem saber/O bicho vai pegar/E Deus querendo ou não/Pus fogo no Jardim Japão’. Aí você vê como se acende a linha de fogo.
A ira, incendiária, é revelada pelos solos nervosos na guitarra de Guilherme Held, o acompanhamento de Rodrigo Campos e a percussão intermitente (meio tribal, ritualística) de Maurício Badé, cortinas de uma crônica urbana intensa e selvagem. São os nossos tempos.
Ouça: “Jardim Japão”
Em uma lista, ficaria assim:
1. Rodrigo Campos: “Jardim Japão” (part. Juçara Marçal) 2. Metá Metá: “Oya” 3. Tulipa Ruiz: “Víbora” 4. Edi Rock: “That’s My Way” (part. Seu Jorge) 5. Curumin: “Passarinho” 6. Tulipa Ruiz: “Dois Cafés” (part. Lulu Santos) 7. Cascadura: “Aleluia” 8. Caetano Veloso: “A Bossa Nova é Foda” 9. Caê Rolfsen: “Terra em Trânsito” 10. Miranda Kassin: “Escarcéu” 11. Sobre a Máquina: “Oito” 12. Quinteto em Branco e Preto: “Samba Pop” 13. Racionais MCs: “Mil Faces de Um Homem Leal” 14. Siba: “Qasida” 15. Lucas Santtana: “Se Pá Ska S.P.” 16. Felipe Cordeiro: “Legal e Ilegal” 17. El Efecto: “O Encontro de Lampião com Eike Batista” 18. Apanhador Só: “Paraquedas” 19. Curumin: “Doce” 20. BNegão & Seletores de Frequência: “Essa é Pra Tocar no Baile” 21. Caetano Veloso: “Um Comunista” 22. Jair Naves: “Guilhotinesco” 23. Sambanzo: “Xangô” 24. Pentágono: “Nóiz é Negô” 25. Siba: “Canoa Furada” 26. SILVA: “2012” 27. Orquestra Contemporânea de Olinda: “Falar Pra Ficar” 28. Céu: “Baile da Ilusão” 29. Filipe C.: “Crack of Love” 30. Supercordas: “O Céu Sobre as Cabeças” 31. O Terno: “Morto” 32. Psilosamples: “Ovelha Negra” 33. Fóssil: “Lençóis” 34. Gui Amabis: “Tiro” 35. Tom Zé: “A Terra, Meus Filhos” 36. Lucas Santtana: “Jogos Madrugais” 37. Rodrigo Campos: “Princesa do Mar” 38. Hurtmold: “Chavera” 39. Sexy Fi: “Loro On Loro” 40. Metá Metá: “Cobra Rasteira” 41. A Curva da Cintura: “Cara” 42. Kamau: “21|12” 43. Céu: “Retrovisor” 44. Mão de Oito: “Beats” (part. Emicida e Kamau) 45. Molho Negro: “Ela Prefere o DJ” 46. Afroelectro: “Sika Blawa” (part. Chico César) 47. Alice Caymmi: “Sangue Água e Sal” 48. Abayomy Afrobeat Orquestra: “Malunguinho” 49. Cabruêra: “Jurema”
50. Márcia Castro: “De Pés No Chão”
E aí, gostou da lista? Faça a sua também nos comentários. Assim que possível, disponibilizo uma mixtape especial com todas essas canções.
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