Hoje em dia definir o pop é uma tarefa difícil. A internet nos dá a possibilidade de buscar diversas faixas obscuras que poderiam muito bem ter o pop como base estrutural.

Não há problemas em oferecer nomes como Caitlin Rose e Anna Calvi como alternativas bem melhores que Lorde e Miley Cyrus (talvez porque são mais velhas, mais experientes e de melhor qualidade).

Ainda assim, nomes gigantes como Daft Punk e David Bowie se destacam quando fazem aquilo que dominam. Só que num momento em que não deveria haver barreiras para o desconhecido, decidimos tentar fazer o internauta se interessar por músicos como Dean Blunt e Julia Holter, apesar de nenhum deles pingarem na lista de melhores álbuns internacionais de 2013 (que até pode ser entendido como falha).

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A seguir, confira a lista das 50 melhores músicas de 2013. Fizemos uma playlist dividida em duas partes (1ª parte: #50 ao #21 e 2ª parte: #20 ao #1). Boa audição:

Groovin’ Cast: Especial Melhores Músicas Internacionais pt. 1 by Na Mira Do Groove on Mixcloud

50. Karl Bartos: “Rhythmus” (Cato Remix)
49. Caitlin Rose: “Only a Clown”
48. Nine Inch Nails: “Copy Of A”
47. I Break Horses: “Faith”
46. Lauryn Hill: “Consumerism”
45. Iceage: “Coalition”
44. Sigur Rós: “Brennisteinn”
43. Cornell Campbell & Soothsayers: “With You My Heart Belongs”
42. David Bowie: “Love is Lost” (James Murphy Remix)
41. Beck: “Gimme”
40. These New Puritans: “Organ Eternal”
39. Anna Calvi: “Carry Me Over”
38. Congo Natty: “UK Allstars”
37. Charles Bradley: “You Put the Flame On It”
36. Queens of the Stone Age: “Keep Your Eyes Peeled”
35. !!!: “One Girl/One Boy”
34. Chrome Hoof: “When the Lightning Strikes”
33. Carcass: “Captive Bolt Pistol”
32. Oneohtrix Point Never: “Zebra”
31. All Pigs Must Die: “Faith Eater”

30. “Afrikan in New York”

Blitz The Ambassador

Gravadora: Jakarta
Gênero: Rap
Álbum: The Warm Up (EP)

Adquirir via BandCamp

Enquanto prepara o terceiro disco, o rapper de origem ganesa Blitz the Ambassador chacoalhou o cenário com o ótimo EP The Warm Up. Apesar das muitas participações do trabalho (inclusive de Emicida), a melhor faixa do EP é com ele rimando sozinho. Ele sampleia Jay-Z (“99 Problems”) em “Afrikan in New York” e versa com a velocidade dos acontecimentos de uma cidade grande.

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29. “Wild For the Night”

A$AP Rocky ft. Skrillex

Gravadora: RCA
Gênero: Rap
Álbum: Long.Live.A$AP

Até parece um contraponto o rap dopado de A$AP Rocky encontrar-se com a explosão dubstep do Skrillex. Mais que uma faixa festeira (como o clipe sugere), “Wild For the Night” pode indicar os melhores momentos para incendiar as pistas. Tanto que nem ligamos muito para o excesso de autotune.

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28. “Fixurlifeup”

Prince ft. 3rdEyedGirl

Gravadora:  Kobalt
Gênero: Rock/R&B
Álbum: single

E o aguardado novo disco de Prince promete. Ainda que tenha inventado algumas propostas protecionistas para o público conhecer suas novas músicas (como pagar pra ver um clipe), é inegável que o artista está renovado. Ou não. Porque, por mais que defenda a onipresença das mulheres em “Fixurlifeup”, já havíamos nos deparado com algo parecido em discos como Dirty Mind (1980) ou Lovesexy (1988), tão refrescantes hoje quanto há 25 anos atrás.

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27. “God is Dead?”

Black Sabbath

Gravadora: Vertigo/Universal
Gênero: Hard-rock
Álbum: 13

Uma coisa me surpreendeu em relação ao retorno do Black Sabbath: as comemorações foram mais efêmeras do que eu imaginava. Tudo bem que 13 possa não ser um dos discos do ano, mas serve como atestado de competência e assertividade de uma banda que em momento algum soa como superestimada. Eles são os reis do rock pesado e essa influência vai muito além do metal. As guitarras desaceleradas, o baixo certeiro e a voz corrosiva de Ozzy Osbourne são ajustados para o agora. “God is Dead?” pode ser apenas uma boa canção de uma banda grandiosa, mas reúne tudo o que melhor resume o Black Sabbath.

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26. “A New Life”

Jim James

Gravadora: ATO
Gênero: Soul/R&B
Álbum: Regions of Light and Sound of God

Não estaria completamente errado achar que o líder do My Morning Jacket fez um trabalho que se aproxima ao gospel. O melhor exemplo é “A New Life”, a mais sincera composição do ótimo Regions of Light and Sound of God. A melodia minimalista e os acordes econômicos dão uma nova interpretação do que seria o folk de Jim James. A procura pela renovação e eliminação das impurezas faz de “New Life” uma inspiração para espantar qualquer mal ou atormentação de nossas almas.

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25. “Jungle”

Ka

Gravadora: Iron Works
Gênero: Rap
Álbum: The Night’s Gambit

Todas as canções de The Night’s Gambit são urbanas e melancólicas em diferentes dosagens. O rapper Ka cita as passagens de um difícil convívio urbano com perspicácia e seriedade, separando o que é ensinamento e o que é risco: ‘Nascido na selva, fora do útero em execução/Melhor mover-se quando jovem, os predadores logo aparecem’.

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24. “Inquiries”

Sebadoh

Gravadora: Domino
Gênero: Rock
Álbum: Defend Yourself

Quatorze anos desde o ultimo disco, The Sebadoh, a banda de Massachusetts retornou com a potência renovada em Defend Yourself. Talvez a faixa que melhor mostre tal vigor seja “Inquiries”. Ela traz um solo esfuziante nas guitarras e alterações de tempo que nos remete aos experimentos de Captain Beefheart, Massacre e alguns dos melhores momentos já proporcionados pelo rock alternativo.

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23. “Contact”

Daft Punk

Gravadora: Columbia
Gênero: Eletrônica (EDM)
Álbum: Random Access Memories

Alguns diriam que o apanhado de canções em Random Access Memories está entre as melhores produções do duo francês. Claro que parte disso deve ser atribuída ao mestre Nile Rodgers, que ofereceu o swing envolvente de “Lose Yourself to Dance” e “Get Lucky”, as duas com Pharrell. Mas, se pensarmos nas canções que representam a verdadeira contribuição do Daft Punk, fiquemos com “Contact”. Nada de “Giorgio Moroder” (com uma introdução longa demais) ou “Motherboard” (de uma melancolia desnecessária); é a faixa de encerramento que devolve a Thomas Bangalter e Guy Manoel de Homem-Cristo a auréola de mestres da EDM. Poupem-me de querer ‘devolver vida à música’.

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22. “Sleigh Ride”

Fuzz

Gravadora: In the Red
Gênero: Rock
Álbum: Fuzz

O projeto Fuzz comprova a relevância de Ty Segall – aqui como baterista, e não nas guitarras, função muito bem cumprida por Charlie Moothart. Poderia ter escolhido “What’s in My Head?” ou “Loose Sutures” para esta posição, mas “Sleigh Ride” serve como excelente porta de entradas para o disco homônimo por ter mais capacidade de agradar neófitos. Se você gosta de vocais enérgicos, guitarras ágeis e bateria apimentada sabe muito bem do que estou falando…

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21. “The Redeemer”

Dean Blunt ft. Inga Copeland

Gravadora: Hippos in Tanks
Gênero: Alternativo
Álbum: The Redeemer

Em termos de música criativa e experimental no século XXI ninguém foi mais longe em 2013 que Dean Blunt (que fatalmente não constou na lista dos melhores discos internacionais deste ano com o grandioso The Redeemer). Com baixas frequências, arranjos levemente orquestrados e vocais calmos de Inga Copeland, na faixa-título Dean Blunt mostra que é possível subverter o pop sem apelar para a exacerbação. A climatização estética é incrível e as entradas de violinos e samplers em tempos aproximados mostram que técnica e ousadia são fatores imprescindíveis para se criar música louvável hoje em dia. Assim como outrora.

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