Já chegamos em dezembro e o que não poderia faltar em um blog de música? Listas e mais listas compulsórias, é claro. Algumas faixas que vieram parar por aqui já foram temas de posts polêmicos (Tyler, the Creator e Radiohead), enquanto outras integraram os melhores álbuns do ano (que ainda serão postados aqui, aguarde). Certas faixas vingaram apenas como meros singles.

Até o final desta semana a lista de melhores músicas de 2011 já estará completa. Repare que, das 100 músicas selecionadas, têm músicas nacionais e internacionais, tudo junto e misturado mesmo. Afinal, não é a língua que impede que uma canção em português seja melhor do que outra em inglês. (Inclusive, esta lista também tem algumas boas pancadas instrumentais.)

Confira também:
• Os 50 Melhores Clipes de 2011;
• Os 30 Melhores Álbuns Nacionais de 2011;
• Os 50 Melhores Álbuns Internacionais de 2011.

Confira as melhores canções de 2011:

100. “Yonkers”

Tyler, the Creator

Álbum: Goblin
Gênero: Hip Hop

Um sampler obscuro e um garoto recém-saído da adolescência com muito argumento visceral pra soltar. Este é um dos bons atributos para se ouvir “Yonkers”, a opressiva faixa do disco Goblin. Tyler chega a afirmar que Jesus não está trabalhando direito com uma voz demoníaca de dar medo e dá um apavoro nos bloggers citando o Pitchfork – que adora ele – como ponto de referência.

99. “You Already Knew”

Black Star

Álbum: Aretha (será lançado em 2012)
Gênero: Hip Hop

O primeiro single do projeto dos consagrados rappers Talib Kweli e Mos Def vai integrar um disco-tributo à Aretha Franklin. Aqui, as vozes da cantora são sampleadas, enquanto a dupla faz uma interessante intersecção nas rimas. Os dois músicos já haviam formado o Black Star por volta de 1997 e lançaram o disco Mos Def & Talib Kweli Are Black Star naquele ano. Foram espertos em retomar: o single mal foi lançado e já veio parar entre os melhores.

98. “Cavalo de Fogo”

Eskimo

Álbum: Felicidade Interna Bruta
Gênero: Rock Nacional

Depois de muitos loopings eletrônicos, a voz de Cauê Nardi evoca o indie brasileiro e parece que vamos nos deparar com um trabalho pós-Los Hermanos. Ainda que o principal membro do Eskimo, Patrick Laplan, tenha integrado os hermanos, ele é o responsável por dar inúmeras facetas à canção: surf music, barulhos de videogame, psicodelia brasileira. Tudo bem temperado.

97. “The Ballad of Speck and Pebble”

Delicate Steve

Álbum: Wondervisions
Gênero: Psychrock

Imagine colocar em um liquidificador o som do Dirty Projectors com alguma canção do Rubber Soul, dos Beatles. Provavelmente chegaríamos a algo próximo que o músico Steve Marion atingiu com este single, que traz claras referências de “Lucy in the Sky with Diamonds” ao injetar um violão folk numa tangente psicodélica.

96. “Someone Like You”

Adele

Álbum: 21
Gênero: Pop

Adele pode ter conquistado muitos fãs com o single “Rolling in the Deep”, mas é “Someone Like You” que melhor enfatiza o poder vocal da mais nova diva da música pop. A estética voz + piano não poderia encontrar personificação maior. Adele canta com tanto vigor e sinceridade, que não me espantaria nada conhecer pessoas que já caíram em lágrimas ao ouvir esta bela canção.

95. “Chinatown”

Destroyer

Álbum: Kaputt
Gênero: Soft Rock

A primeira música de Kaputt soa como uma chicotada no início, mas vai entrando nos eixos do dreampop, até que o vocalista Daniel Bejar chega com sua voz distante, como se realmente estivesse caminhando em Chinatown. Os solos de sax que entram ao fundo são estupendos: você realmente se entrega às sutis doses experimentais de Daniel sem nem perceber.

94. “Feral”

Radiohead

Álbum: The King of Limbs
Gênero: Rock/Eletrônico/Experimental

Parece que o dubstep chegou a algum lugar tribal da África e se encantou com as inúmeras possibilidades conquistadas com as percussões em brasa. Thom Yorke faz algumas incursões vocais como se celebrasse um ritual antropofágico, e os efeitos na guitarra de Johnny Greenwood soam tão abstratos quanto o sonho que vem depois de uma pancada na cabeça.

93. “Alsatian Darn”

Panda Bear

Álbum: Tomboy
Gênero: Experimental

As vozes oníricas do principal membro do Animal Collective atingem uma nova dimensão, impensável para nós, reles humanos. Os teclados formam uma tessitura sonora quase inaudível de tão experimental. Desnecessário argumentar que é aí que reside toda a graça do som do Panda Bear.

92. “Eu Me Perdi na Madrugada”

Ogi

Álbum: Crônicas da Cidade Cinza
Gênero: Rap Nacional

Andar de ônibus, ir pro rolê e voltar tarde da madrugada pra casa numa cidade grande como São Paulo é algo que exige disposição. No meio do caminho, o rapper Ogi conta a desventura de sair pra balada e ser barrado pelos seguranças, além de relatar os esforços para ‘não padecer na esquina’. Se perder na madrugada, aqui, tem o sentido de chapação. Vai me dizer que você nunca fez isso?

91. “We Bros”

WU LYF

Álbum: Go Tell Fire to the Mountain
Gênero: Heavy Pop

Heavy pop, art pop, pop cult… Prefiro não cair no reducionismo para decifrar um som tão frenético e, ao mesmo tempo, tão revigorante quanto o do WU LYF. A dinâmica das guitarras e a voz de Ellery Roberts, que faz uma ponte entre heavy metal e art rock (olha a redução…), parecem falar de algum assunto decadente, mas celebra a vida, por mais azeda que ela possa parecer.