Em 12 de janeiro deste ano completou-se 10 anos da morte de Alice Coltrane, que foi muito mais que esposa e mãe dos filhos do saxofonista John Coltrane.
Ela estudou piano aos 7 anos e tocou spirituals em igrejas. Nos anos 1950, ficou fascinada com a cena bebop e tocou em grupos de Yusef Lateef, Kenny Burell, entre outros, até que viajou a Paris e ficou encantada com a forma com que o jazz era respeitado.
Em 1962, quando ainda era identificada com o piano, conheceu John Coltrane, que pouco tempo depois passou a se interessar por diferentes expressões espirituais. “Todos os caminhos levam a Deus”, disse ele na época que lançou A Love Supreme (1964), um de seus discos mais celebrados.

Universal Counsciousness e outros discos improváveis de grandes mulheres
John faleceu em 1967 devido ao câncer, mas Alice Coltrane não se afastou da música. Nos anos 1970 se identificou com a harpa e usou ela como elemento central de uma estética tântrico-espiritual, como se pode ouvir em Universal Counsciousness (1971), até hoje seu disco mais conhecido.
Alice levou sua devoção à espiritualidade para outros patamares nos anos 1980, voltando mais para a linha vocal, evocando as ‘chants‘ tradicionais conectada a religiões da África, Índia e leste asiático. Essa investida gerou discos com linguagens em sânscrito e até egípcias, algo que prova como ela levava a profundidade espiritual a sério, embora não seguisse nenhuma religião em específico.
Sua obra nos anos 1980 e 90 é bem menos conhecida que a fase em que se dedicava aos instrumentos. É em busca de mostrar a potência dessa fase de Alice Coltrane que o selo Luaka Bop, famoso por várias coletâneas de música brasileira (e por ser de propriedade de David Byrne), lança a compilação World Spirituality Classics: The Ecstatic Music of Alice Coltrane Turiyasangitananda dia 5 de maio deste ano.
Serão 8 faixas de quatro discos de sua fase considerada mais espiritual: Turiya Sings (1982), Divine Songs (1987), Infinite Chants (1990) e Glorious Chants (1995).
Uma faixa foi disponibilizada, “Om Shanti”, termo que significa ‘mantro da paz’ no hinduísmo. Alice tem coros vocais a seu favor, numa canção que introduz bem os ouvintes à sua fase mais espiritual – e jovial.
Ouça:
