Música eletrônica dark, com influências que vêm do punk-rock e metal e lançamentos digitais em atos, como se fossem Teatro mesmo.

Tudo isso numa velocidade cerebral, trazendo o maximalismo de um Rustie em estruturas avant-garde arrebatadoras.

O som que o Polymorphik Skyzophrenia faz é moderno ao absurdo. Tem tudo a ver com a intensa profusão digital, a manipulação em excesso de programas de computador, movimentação, tudo na velocidade da luz.

Os franceses que se identificam como D.K. e lA pAttE nOiRe iniciaram o projeto em 2001, sempre com o objetivo de compartilhar suas produções amalucadas da mesma forma livre que compõem.

“O projeto é inspirado pela concepção de acesso livre às criações, de fazer música livre sem limitações”, disse D.K. via e-mail ao Na Mira.

Todo o material do grupo está disponível para download gratuito. Já são 5 atos, todos estruturados como cenas.

Quem dá o play no som do Polymorphik aleatoriamente no SoundCloud, entretanto, jamais imaginaria que tudo é parte de um ato. De efeitos estridentes de programações a loopings variados que misturam power-ambient, avant-garde e free-jazz, o duo parece frequentar outros mundos para entregar suas canções.

“Quando trabalho minha música, sou como um pintor misturando diversas cores, a fim de buscar a mais apropriada que tenho armazenada em meu cérebro”, contou D.K. ao Na Mira

No disco Acte IV, por exemplo, há faixas com os títulos “Carnivalism” e “Back Down Misanthropy”, revelando um apreço pelo misterioso – e pelo perigoso, principalmente.

É tudo fruto da imaginação, diz D.K. Quando nos deparamos com faixas como “War Crisis” ou “Running Away”, que compõem o novo álbum do duo, Acte VI (disponibilizado aos poucos no SoundCloud), nos deparamos com uma mente irascível, impregnada de informações estéticas, com vontade de assimilar e devolver tudo ao mesmo tempo.

Eles levam tão a sério o fato de serem livres, que as mudanças nas direções musicais são sentidas de um álbum para outro. Em Acte V vemos a IDM de Aphex Twin borbulhar – algo que agrada bastante quem gostou de SYRO (2014). Acte IV, por outro lado, tem um pé mais fincado no industrial, iniciando com um noise estratosférico. Pode não ser a melhor porta de entradas aos não afeitos a esse tipo de sonoridade; mas, analisando bem, possui maior linearidade que o trabalho seguinte.

“Quando trabalho minha música, sou como um pintor misturando diversas cores, a fim de buscar a mais apropriada que tenho armazenada em meu cérebro”, contou D.K. “Os sons são as cores. Trabalho com samples que gravei anteriormente quando deixo minha imaginação fluir”.

Apesar de imaginarmos a possibilidade de um programa de computador armazenar aquele montante de ritmos quebrados, efeitos de vozes e simuladores instrumentais, a Polymorphik não é fruto de sonoplastia musical. D.K. usa um teclado MK2 Novation plugado ao IO2 Sound Card, um MIDI adaptável a computadores. Manipula tudo pelo Ableton Live, software também utilizado por produtores como Nicolas Jaar.

A razão para não inserir mais instrumentos orgânicos em suas experimentações? “Viajo bastante, então tenho que reduzir meus materiais”.

Entre as influências, o Polymorphik cita distintas. Nenhuma delas é comparável à execução de seus discos, mas vamos lá: “As influências são dúbias: gostamos do metal de bandas como Black Sabbath e Slayer. Do punk, a francesa Bérurier Noir e os britânicos dos Sex Pistols”.

E tem mais: “A segunda influência vem da eletrônica dark de bandas como Wumpscut, Hocico e várias outras”.

Até junho de 2015 a Polymorphik Skyzophrenia pretende lançar um disco ao vivo. Para isso, conta, sempre, com a “comunicação underground”. Com o crescimento de um movimento musical totalmente eletrônico (e ágil ao absurdo) chamado Black MIDI, o duo talvez revogue seu pioneirismo.

Infelizmente, o duo não conta com trabalho de selos digitais ou de outros mecanismos convencionais para espalhar sua música ao mundo. É o preço a se pagar pela liberdade. Que a recompensa não seja o desconhecimento.