Gravadora: YB Music
Data de Lançamento: 22 de janeiro de 2016

Clima é parceiro de longa data de Nuno Ramos e Romulo Fróes. Já compôs mais de 70 canções para intérpretes de destaque, como Gal Costa (“Jurei”), Elza Soares (“Luz Vermelha”), entre outros. Mas, ainda lhe faltava um disco. E surgiu, então, a ideia de Monumento ao Soldado Desconhecido.

As composições foram registradas ao longo dos anos, mas tudo se apressou para ser concebido no ano passado. A autoria de todas elas é creditada a Clima e Nuno, parceiros também nas artes plásticas e cinema. Romulo ficou com a direção artística.

Boa parte dos instrumentistas que tocam no álbum são da capital paulista: Rodrigo Campos na guitarra, Sérgio Machado (Metá Metá) na bateria e Allan Abbadia no trombone completam o time. Além da voz, Clima alterna entre guitarra, violão, piano e arranjos eletrônicos no álbum.

Uma das grandes influências do disco é a do compositor carioca Monsueto Menezes. “Minha ideia desde sempre era fazer alguma coisa onde as questões harmônicas não contassem tanto”, conta Clima no release. “Pensava em atualizar, por exemplo, um formato como o do “Mora na Filosofia” de Monsueto, uma batucada forte, umas cabrochas, um trombone e só”.

Com credenciais assim, seria de se esperar maturidade logo de cara. Nisso, ele se supera, e entrega um álbum de rara beleza filosófica, quase metafísica.

“Me interessou contrapor os timbres artificiais dos softwares de computador ao som orgânico da performance ao vivo”, diz Clima

Monumento ao Soldado Desconhecido possui 11 faixas e é ambientado num samba/choro melancólico, com destaque para as climatizações inovadoras. Discos de Romulo Fróes e Rodrigo Campos, claro, são referências para conhecer a obra. O formato de composição de Clima é ainda mais emoldurado que a dos compositores mencionados.

Os trovejares percussivos são uma marca latente de Monumento, como em “Teta”, um flerte bem-sucedido com o avant-garde, ou o híbrido choro de “É Uma Árvore”, com arcos de tensão criados pelos arranjos eletronizados.

A síncope é retrabalhada sob um aspecto sombrio na obra, deixando o tom das canções meio chiaroscuros. Essa busca estética foi intencional, segundo Clima: “Me interessou contrapor os timbres artificiais dos softwares de computador ao som orgânico da performance ao vivo, interferindo no som da banda com essa espécie de arranjo eletrônico”.

A direção artística ficou por conta de Romulo Fróes. Foi ele, também, quem coproduziu o disco, ao lado de Clima.

Quanto ao título, Clima explica:

“O título do disco foi extraído de sua última faixa, uma marchinha que havia gravado e depois pensado em tirar do disco. Mas além dela falar de algum jeito do Brasil nesse momento especial que vivemos (‘Feito nós/Rouco e sem voz/De barro, palha e coco/Mas nunca descoberto’) e sua letra me parecer especial sob muitos outros aspectos (‘É em mim o monumento/Eu sei, eu tô lá dentro’), a figura do soldado desconhecido também me pareceu uma bela imagem para representar o ofício do compositor, que muitas vezes permanece anônimo sob a voz do intérprete”.

Ouça Monumento ao Soldado Desconhecido na íntegra no player abaixo: