Trio M, da esq. p/ dir.: Matt Wilson, Myra Melford e Mark Dresser

O porquê do nome do grupo ser Trio M é bem simples – basta observar a letra inicial de cada um dos integrantes: Mark Dresser (baixo), Matt Wilson (bateria) e Myra Melford (piano).

Experientes músicos da cena jazzística na Califórnia, os membros se juntaram pela primeira vez em 2006 tocando em festivais. Além de serem excelentes em seus instrumentos, uma coisa deu muito certo na reunião dessas três peças raras no jazz: eles conseguem impor o virtuosismo a todo momento, trazendo a dúbia sensação de estarem se atropelando e, ao mesmo tempo, formando um entrelaçamento sonoro.

Ao ouvir o single “Naïve Art”, por exemplo, a introdução esfuziante dá a entender que o trio irá partir para o free-jazz. No entanto, o piano de Myra intercala uma economia de notas com surtadas esporádicas, que poderiam muito bem integrar uma trilha de filme lado B que mexe com as reações do espectador. Não dá pra prever o que vem pela frente: o baixo quase funk de Mark entra como um carro passando a milhão uma poça d’água e a bateria de Wilson, em questão de sinergia, deixaria Art Blakey de queixos caídos.

No começo de 2007, o grupo lançou o debut Big Picture, que mostra um passeio livre entre o free-jazz, avant-garde e post-bop, com notas ora espaçosas pegadas do blues, ora frenéticas como se relatassem a urgência dos dias de hoje.

Neste ano, em fevereiro, eles devem lançar em formato físico o disco The Guest House, dando ainda mais ênfase para a verve blueseira (“Hope (For the Cause)”) e se aproximando ainda mais do funk, como pode-se perceber em “Ekoneni”, que começa com um slap furtivo que tem a incrível capacidade de incitar a dança mesmo em acordes não tão rápidos assim – mas muito criativos.

Enquanto The Guest House ainda não sai em formato físico, ouça três faixas deste promissor segundo álbum do Trio M: