Gravadora: Ropeadope
Data de Lançamento: 29 de julho de 2016
Boa parte dos músicos que formam o septeto Future Prospect estudou música na Virginia Commonwealth University. Entretanto, pelo menos uma coisa eles fizeram bem: fugir do academicismo.
O jazz do grupo não segue uma escola única. No primeiro álbum, The Climb, o grupo preza pela conjuntura musical, condensando múltiplos ensinamentos em canções de fino trato melódico e elegante senso rítmico.
Começa, em “Dahlia”, com a ginga dos slaps do baixo elétrico de Brandon Lane, seguindo uma via já bastante explorada no jazz brasileiro: o funk. O som abre para um caminho imaginativo no terreno em que o post-bop encontra-se com o cool-jazz, bem calcado em guitarras soltas, abrangendo, também, o silêncio como parte composicional.
“Coffee”, também tranquilona, foca no diálogo entre as cordas, como se elas fossem estranhas entre elas. Nela, percebe-se que o grupo ainda precisa trabalhar melhor a desenvoltura enquanto conjunto. Por outro lado, o a lentidão do crescendo faz com que o resultado final se torne ainda mais agradável. É como se a inserção de cada elemento fosse supervalorizada, resultando num som cristalino.
Pouco tempo depois de formarem, em 2015, o Future Prospect chegou a trabalhar em um show homenagem a Michael Jackson. A influência disso resultou numa canção, “MJ 2.0”, que, na verdade, parece mais uma incursão de Quincy Jones. O pop do músico é transposto para teclados e órgãos (incumbidos por Ryan Moses e Jacob Ungerleider) de forma que a chegada da guitarra (de Morgan Burrs) surja com peso desnivelado. Jackson sabia como usar as guitarras em seus maiores hits, e isso é percebido pela banda como uma das muitas possibilidades de chegar à aura musical, também característico ao jazz.
Mas a vibe pop é melhor aproveitada em “Closer”. Com apoio do baixo swingante de Lane, o grupo baseia as linhas harmônicas nos teclados e na guitarra, permitindo maior fluência entre os demais instrumentistas.
Em “Almost Gone”, o grupo conta com vocais de Frankie James, numa linha R&B de modulações suaves – mais uma vez espertamente conduzidas por Lane.
“Nossos estilos são bem diversificados, e somos apaixonados”, disse o trompetista Jackson Shurlds. A fluência joga totalmente a favor de The Climb, mas o frescor ainda é o principal motor para que o grupo soe tão bem aos nossos ouvidos.
Outros lançamentos relevantes:
• Ben Chatwin: Heat & Entropy (Ba Da Bing Records)
• Phonte & Eric Roberson: Tigallerro (Foreign Exchange Music)
• Gensu Dean & Denmark Vessey: Whole Food (Mello Music Group)
• Elliott Galvin Trio: Punch (Edition)
