The Stone Roses: Reni (bateria), Mani (baixo), Ian Brown (vocal) e John Squire (guitarra)

Era uma vez uma banda que, depois de fazer grande sucesso entre fins dos anos 80 e início dos anos 90, decidiu voltar. Boatos já rolavam de que essa nova reunião seria possível, mas havia uma certa relutância. Daí, eles decidem se reunir: e agora?

Atualmente, esse é o dilema do The Stone Roses. Tudo começou depois de uma reportagem do tabloide inglês The Sun, que especulava a possível volta do grupo de Ian Brown. A notícia foi se alastrando, mas ainda não há nenhuma posição consolidada se o grupo, congelado desde 1996, voltará mesmo ou não.

Gosto de Stone Roses, mas seria um verdadeiro asco vê-los tocar novamente. Isso porque, talvez, eles tenham uma grande parcela de culpa pela disseminação de bandas cada vez mais melancólicas, introspectivas, sem energia alguma para os dias de hoje. Se fizéssemos um gráfico das origens do rótulo indie, uma fatia considerável iria para esse grupo inglês.

Chega disso.

Mesmo porque o grande auge do grupo foi no início da carreira, com o disco homônimo. Canções como “She Bangs The Drums”, “I Am The Ressurection” e “Made Of Stone” foram cruciais para a formação de uma ala do rock paralela ao rock alternativo (grunge, Nirvana). Daí, surgiram grupos como Blur, Oasis e toda uma geração que formatou o gênero britpop, colocando as bandas inglesas em um patamar elevado novamente no âmbito da música pop.

Para se ter ideia do impacto desse disco, o semanário inglês NME o nomeou como o melhor álbum de todos os tempos em 2003 – a frente de Beatles e Rolling Stones! O The Observer já o elegeu como o melhor disco britânico. Um grande peso (que acho supervalorizado, não é tudo isso aí não!).

Passaram-se cinco anos e a banda lançou Second Coming, que tornou-se um verdadeiro fiasco graças às avaliações ruins da crítica especializada. Na verdade, a expectativa foi tão grande, que nem a banda esperava toda essa pedrada. Daí, o grupo foi perdendo o prestígio, a gravadora Geffen já não quis mais renovar com os integrantes, as ideias não bateram. E a banda rompeu.

O site Digital Spy colocou um ponto que concordo totalmente sobre essa possível reunião: iria destruir totalmente o mito acerca da banda. Os Stone Roses estão em uma posição confortável na música, e essa volta contribuiria muito pouco para que isso continuasse. Segundo relatos, eles eram péssimos ao vivo. A não ser que lançassem um novo disco, com trabalhos inéditos que colocassem em xeque todo o poder autoral da banda.

Mas vamos esperar. Quem sabe o Stone Roses não garante uma nova diretriz para os caminhos da música melancólica (!!!), traga arranjos inovadores, faça uma autocrítica a um movimento que já ultrapassou os limites do tédio… Tudo é possível.

Acima de tudo, vamos ver se Ian Brown vai voltar mesmo com a banda.

Especulações.