Gravadora: Interscope
Data de Lançamento: 25 de dezembro de 2020
Avaliação: 6/10

Uma das coisas que aprendemos nos últimos anos com o trap é que não demora muito para que se torne mainstream. No caso de Playboi Carti, que chega agora ao 3º disco, com Whole Lotta Red, dá pra dizer que ele não só atingiu o sucesso, como está surfando nele.

Lançado no Natal de 2020, apenas alguns dias foram necessários para que desbancasse Taylor Swift do topo das paradas Billboard – e pouco importa se estamos falando de um disco com mais de 20 minutos, embora, como já é de costume, se trate de composições bem curtas, de pouco mais de 2 minutos.

Na esteira de Die Lit (2018), o rapper de Atlanta consegue impor seu flow propositalmente desajeitado em batidas criativas. Em Whole Lotta Red, na verdade, elas chegam ao nível de se tornarem atômicas.

Kanye West é produtor-executivo, mas o que vemos no disco é um tipo de intersecção entre a batida pesada e crua com aquele tipo de eletrônica sintética característica de Ye. Ele vai do conceitual na faixa que assinala a parceria, “Go2DaMoon”, certamente a que mais se diferencia do disco por estar mais próxima do universo de Kanye, até sugerir uma pegada mais sinistra dentro do universo de Carti, vide “ILoveUIHateU”, que funciona bem em alto volume.

Na parceria com Kid Cudi, em “M3tamorphosis”, Carti soa como o samurai serelepe que agradou muitos ouvintes com Die Lit. Mas é em faixas como “Stop Breathing” e “Meh”, lançado como single ano passado, que percebemos um novo caminho que passa a ser trilhado.

Dubiedade de Playboi Carti

Playboi Carti tem a seu favor a diferenciação nos flows e na forma com que se justapõe às batidas, quando olhamos outros artistas de cloud-rap e trap.

Porém, Whole Lotta Red traz uma certa dubiedade: se por um lado ele foi bem-sucedido em encontrar novas ondas sonoras para suas letras sobre rolês, gangues, drogas, por outro vemos que seus trejeitos e repetições tendem a soar rebarbativos. Seria o efeito de fragmentar tudo isso em 24 canções? Talvez.

Mas, se optar por degustar o disco em doses homeopáticas, aos poucos, ouvindo “Sky” ali, inserindo a parceria com Future (“Teen X”) em uma playlist e vez ou outra fisgando qual música pode te pegar, Whole Lotta Red tende a ser mais digerível.

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