Gravadora: Monkeywrench/Republic Records/UMG
Data de Lançamento: 27 de março de 2020
Avaliação: 8/10
Se fazia tempo que você não tinha vontade de ouvir um disco do Pearl Jam inteiro, finalmente a banda de Eddie Vedder resgatou isso com o novo álbum da banda, Gigaton, o devido sucessor do fraco Lightning Bolt (2013) – que, de bom mesmo, só tinha “Sirens” mais por ser viciante do que qualquer outra coisa.
Gigaton tem energia. Começa com um Eddie furioso em “Who Ever Said”, questionando o conformismo com um baita refrão (‘Whoever said it’s all been said/Gave up on satisfaction‘).
Sem perder o ritmo da bateria intensa de Matt Cameron, “Superblood Wolfmoon” compensou a jogada de marketing da banda de fazer com que os fãs apontassem o celular para a lua. Os bons riffs de Stone Gossard e Mike McCready vêm pra mostrar que o Pearl Jam não é banda pequena…
Em “Dance of the Clairvoyants” é possível sentir na pele aquele Pearl Jam instigante que havia se perdido ali entre Binaural (2000): Vedder renova sua habilidade de compor versos curtos que ganham uma conotação ainda mais filosófica com as notas encavaladas de McCready.
O refrão tá aí para reimaginarmos o nosso presente: ‘Expecting perfection leaves a lot to endure/When the past is the present and the future’s no more/When every tomorrow is the same as before‘.
De fato, “Dance of the Clairvoyants” representou um dos muitos desafios para essa renovação da banda. “Fazer este álbum foi uma jornada longa. Era emocionalmente obscuro e confuso em algumas horas, mas uma excitante trilha para a redenção musical”, disse McCready.
Novo capítulo para o Pearl Jam
No ano em que completa 30 anos de existência, o Pearl Jam tem um público mais diversificado do que se imagina. Isso já ficou sedimentado logo no primeiro álbum do grupo, Ten (1991), que dosou algumas das baladas mais marcantes dos anos 1990, como “Black” e “Alive”.
Enquanto uma grande fatia continuou perseguindo o lado mais emocional da banda, com um legado que inclui “Last Kiss”, “Smile” “Better Man” e tantas outras, permanece também o público mais apegado às raízes grunge da banda de Seattle, que admira mais o Pearl Jam pela importância e pelo legado construído do que por suas últimas obras.
Seria equivocado afirmar que a banda encontrou o meio-termo em Gigaton. Porque, na verdade, trata-se mais de um novo capítulo para a banda em si do que um compromisso com o público.
Sim, tem os fãs assíduos de estádio que podem não se identificar muito com o apanhado entregue neste disco – e, para elas, “Alright” e “Buckle Up”, por exemplo, atendem e muito bem!
E tem os nostálgicos que irão achar o disco bem produzido demais – como se o rock como um todo não se beneficiasse dos trabalhos meticulosos em estúdio…
A grande verdade é que Gigaton vence a barreira do incômodo de uma banda que não conseguia soar criativa há um bom tempo. Como disse Vedder em “Seven O’Clock”, analisando sua contribuição: ‘freedom is a verb/They giveth and they taketh and you fight to keep that what you’ve earned’.
*Percebeu que, diferentemente dos posts anteriores, não estamos mais traduzindo as letras das canções. Elas acabam perdendo o sentido e correm o risco de não ter uma tradução de qualidade. Por isso, optamos por, daqui pra frente, sempre citar as letras originais.
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