Cee Lo Green – The Lady Killer
[rating:4.5]

Ele tem licença para matar e faz aquilo o que quer. Claro que, antes de Cee Lo Green afirmar isso de forma convicta, teve que escrever e produzir o hit “Don’t Cha”, da Pussycat Dolls, estourar e conquistar tudo e todos com “Crazy”, em parceria com o produtor Danger Mouse (dando início ao projeto Gnarls Barkley) e impactar os apreciadores da soul music com o álbum solo Cee Lo… Is The Soul Machine.

E agora, Cee Lo nos oferece seu melhor trabalho para fazer jus à patente autoconcedida de assassino de damas. The Lady Killer veio para estourar os holofotes e sugere novas alternativas para a soul music, dando ênfase às desventuras amorosas – e muito divertidas – contidas em 45 minutos de pura volúpia.

Quando foi anunciado o vazamento de “Fuck You” na internet, em meados de agosto, o público já especulava que um dos melhores álbuns do ano estava por vir. Cee Lo não decepcionou, apesar de uma versão mais amena de “Fuck You” (“Forget You”: sic!) causar interpretações equivocadas de que o cantor estaria trilhando um caminho mais comercial, adequado às rádios.

Apesar que, se a qualidade for realmente o critério do radio business, que The Lady Killer seja sintonizado por inteiro. Após a introdução cinematográfica de “The Lady Killer Theme”, “Bright Lights Bigger City” começa com um teclado que busca uma referência perdida entre Prince e “Jump” do Van Halen; uma faixa claramente orquestral, principalmente com a antítese rítmica perceptível nos primeiros versos de Cee Lo.

“Wildflower” segue o mesmo ritmo nostálgico e “Bodies” adquire uma serenidade com as baterias jazzísticas e o violino como pano de fundo, evocando a potência vocal de Cee Lo em tom confessional, sutilmente ponderados pelo contrabaixo de Cathy Collwell: “They said that chivalry was dead/Then why was her body in my bed?” (“Eles dizem que o cavalheirismo estava morto/Então por que o corpo dela estava na minha cama?”).

Cee Lo: “Bodies”

Possível hit, “I Want You” é uma balada encorpada pelo suplício de Cee Lo em realizar o desejo de conquistar a garota. “It’s OK” também já foi liberada antes da hora e tem uma pegada mais envolvente, que gruda facilmente na cabeça –muito disso deve-se à louvável produção do ELEMENT, grupo norueguês conhecido por fazer canções dançantes.

Cee Lo: “Love Gun”

Para não provocar questionamentos de seu status de ‘matador’, “Love Gun” conta com a parceria bombástica de Lauren Bennett, do Paradiso Girls, munidos pelas guitarras funk e efeitos que simulam os disparos de um revólver.

É difícil não se fascinar com o jeitão Cee Lo de tentar martirizar a mulherada. Ao contrário do que parece, há mais louvor a elas do que uma tentativa de superá-las. Afinal, um verdadeiro assassino de corações tem que conhecer bem o alvo. Senão, corre o risco de apelar para o machismo, como já estamos cansados de ver nas letras de alguns rappers bem-sucedidos por aí.

O álbum está disponível para streaming, faixa a faixa ou por completo. Se preferir, também está disponível no Blog do Maia.