Gravadora: Natura
Data de Lançamento: 23 de junho de 2017
Avaliação: 6/10
O termo ‘modo avião’, aqui, tem o sentido de se desconectar totalmente da tecnologia para conectar-se ao mundo. Em tempos de predomínio do smartphone, essa decisão por si só tende a levar à solidão – que, por sua vez, propicia o autoconhecimento.
Lucas Santtana não propõe negação total, nem gasta verbo criticando as notificações de celular.
Modo Avião sugere a prática de se desligar um pouco para observar os sons ao redor, contemplar as nuvens, interagir com a paisagem…
Os resultados disso são abstratos. Ninguém vai ficar mais rico, vai virar o gênio da lâmpada ou se tornar mais maduro que o outro adotando contato maior com as coisas à nossa volta. Como canta na faixa-título, ‘a felicidade ali, nos gestos mais simples‘, trata-se de um ingrediente importante para aproveitar melhor a vida.
Lucas, claro, está longe de ser o primeiro a recobrar a importância de se desconectar desse mundo maluco. De Arcade Fire a Tom Zé, o mundo das redes sociais gera intrigas porque, basicamente, nos afasta inclusive de nós mesmos.
Para convencer em seu argumento, o próprio Lucas Santtana fez um exercício de despir sua música a algo mais cru, acústico, ambient até.
Com produção mais límpida, músicas como “Só o Som” e “Vamos Andar pela Cidade” têm tonalidades mais lúdicas, com melodias flutuantes que nos levam a associar a multiplicidade de imagens descritas pelo compositor: a voz que atravessa as raias do absurdo; o cabelo longo, mas não liso.
Escapistas, as canções são imbuídas de guitarras monocromáticas e uma densidade melancólica de MPC e sintetizadores que formam rotas distintas nas muitas viagens que oferece ao ouvinte.
“Streets Bloom” é um convite ao interno da consciência, enquanto “Um Enorme Rabo de Baleia” parece a divagação após horas contemplando o mar.
Ao lançar o disco, Lucas criou um conceito de audiofilme, para intensificar a experiência de ficar off da tecnologia e on com a sua própria mente. A absorção é imediata, porque a estética é propícia à solidão. Quem sabe, assim, esses estímulos de desconexão não surjam por conta própria?
