A reação de muitos internautas acima dos 25 anos quando se depara com uma novidade do Wilco nas redes sociais é semelhante à euforia de pré-adolescente quando descobre que seu ícone pop vai tocar na cidade em que mora. É felicidade que não para, e não importa se o álbum lançado é bom ou ruim.
Doze anos depois de impactar o mundo todo ao disponibilizar, temporariamente, Yankee Hotel Foxtrot (2002), até hoje o disco imbatível, o Wilco não mudou sua estratégia de marketing. O vocalista Jeff Tweedy diz que faz isso porque acha “divertido” e, acreditando ou não, sendo fã ou não, tem sua parcela de verdade. Afinal, a banda norte-americana não precisou de uma grande gravadora para manter a alta concentração de público, que se manifesta bem nas redes sociais.
Star Wars, 9º álbum da banda, parece forçar a barra demais quanto à comunicação do Wilco com o público (clique aqui para baixar gratuitamente no site oficial, por tempo limitado).
Enumeremos:
[pullquote]Star Wars é um disco dividido. Provavelmente os fãs mais séquitos prefiram a segunda metade, mais sentimental e retilínea[/pullquote]
1º) Por que um gatinho na capa?
2º) Qual o real motivo de ter o nome Star Wars no título? Pretensões artísticas à parte, o termo é quase uma instituição sagrada na cultura pop. Em outras palavras, ‘Star Wars’ é garantia de clique.
3º) Uma informação (e-mail) por um download: não é gratuito, não é novo, e provavelmente o Wilco realize a mesma estratégia nos anos seguintes.
É arriscado dizer que a banda está desesperada pela atenção cativa do público, já que, seguramente, a repercussão de álbuns como The Whole Love (2011), Sky Blue Sky (2007) e A Ghost is Born (2004), além do mencionado Yankee, mantiveram, por mais de uma década, o denominador comum entre popularidade e qualidade. (E olha que estamos falando de tempos de efeméride, era da internet e tal.)
De qualquer forma, o que interessa é a música. Vamos à ela.
Star Wars é um disco dividido. Na primeira metade, somos testemunhas de loops de guitarras, com distorções em primeiro plano e teor das letras como pano de fundo. Algo meio Pavement, Sonic Youth, mas sem perder a idoneidade que a banda conquistou desde o primeiro álbum, A.M. (1995).
A faixa de abertura, “EKG”, deixa isso claro; tem objetivo de impactar, o que sustenta rumores de que a banda deseja atenção. Claro, guitarras se atropelando numa dinâmica Fred Frith versus Jim O’Rourke pode não agradar os (muitos) fãs de carteirinha do Wilco, mas sela, de cara, uma ruptura à essência de The Whole Love (2011).
“More…” lembra um certo… Beck. Mas lembra, também, que o Wilco é capaz de criar um hit pop sem abrir mão de timbragens apocalípticas – como as que encerram a canção. “Random Name Generator” é Pavement no melhor estilo Crooked Rain, Crooked Rain (1994), enquanto “The Joke Explained” reaviva as explorações de Uncle Tupelo, antiga banda de Tweedy, de forma enigmática.
Pelos comentários espalhados nas redes sociais, a segunda metade do disco tende a agradar mais os fãs do Wilco. “Where Do I Begin” é, talvez, o maior ponto de conexão com as belas peças acústicas de The Whole Love (tipo “Dawned On Me”).
“Cold Slope” é um rock retilíneo, mas que não nega as cordas intricadas de violão e guitarra que destacam a primeira parte do disco. Enquanto “King of You” é puro Neil Young On the Beach (1974), “Magnetized” reforça a boa qualidade de Tweedy em encerrar discos com temas sentimentais.
Seria, então, esta a assertiva de Star Wars? Não. Pois, assim como o frisson do lançamento, as opiniões aqui expressadas são efêmeras.
Ouça o disco na íntegra no player a seguir:
