Gravadora: Brainfeeder
Data de Lançamento: 3 de abril de 2020
Thundercat chegou ao 4º disco com um estilo que se tornou único. Sua música é tão viajante que até mesmo os elementos que a formam parecem vir espalhados de diferentes espaços temporais.
It is What It Is certifica o que já se tornou sua grande marca: atmosfera psicodélica dos anos 1960 com baixo space-funky dos anos 1970 e vocais com efeitos eletrônicos que se popularizaram nos anos 1980.
Claro que, dizendo assim, soa reducionista. Toda essa junção resulta em uma experiência sensorial que gera bons momentos de conforto em tempos de isolacionismo.
Mesmo na experiência acid-jazz de “Innerstellar Love” à forma como o compositor explica como vê as coisas, na faixa-título, percebemos um músico mais preocupado com o significado das composições do que com o seu formato – algo que ficou latente em Drunk (2017).

Trauma
O próprio título do novo disco sugere muito mais que uma ressaca após a epifania de Drunk. No ano seguinte ao último disco, Thundercat disse que parou de beber e que teve uma experiência traumática que o fez repensar sua vida: a morte do rapper Mac Miller.
“Me cansei, sabe? Da época em que saía com Mac, haviam vários amigos que deixavam o local de uma maneira tão volátil que o álcool de certa forma… perdia a graça”, contou o músico ao site Vulture.
Thundercat racional
Estar limpo fez com que sua conexão com a música ganhasse tons de seriedade. Ouvindo It Is What It Is, percebemos mais tons de racionalidade até mesmo na estrutura musical.
A integração entre baixo e o sax de Kamasi Washington, em “Innerstellar Love”, e o próprio protagonismo do baixo em uma canção como “Miguel’s Happy Dance” mostra um Thundercat mais preocupado com as marcações e com o impacto que cada elemento causa no ouvinte.
Mas, calma: a música de Thundercat não está mais careta. Só está, digamos, mais… lógica. Mais bem delineada, talvez.
Em “Black Qualls”, Steve Lacy e Childish Gambino entram nessa viagem funky como se estivessem em treinamento para tocar no Soul Train. E, claro, os tempos de festa não são esquecidos em uma canção como “Funny Thing”, com certeza o mais próximo de Drunk que o disco entrega.
De qualquer forma, It Is What It Is é mais uma expressão de como Thundercat quer ser visto a longo prazo que os discos anteriores.
“Eu fiz tudo o que podia fazer. Não posso fazer muito mais que isso”, admitiu o músico. “É o que é. É o que deveria ser”.
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