Gravadora: UDR/GmbH
Data de Lançamento: 28 de agosto de 2015

Nada de novo em um disco do Motörhead. Numa semana de lançamentos de Beach House, Destroyer e The Weeknd, muitos podem dizer que o Na Mira prefere a nostalgia à novidade. Nesse caso, sintomático que Lemmy Kilmister seja o centro das atenções: sua voz, as guitarras irascíveis de Phil Campbell ao fundo e a bateria instigante de Mikey Dee representam o eterno frescor – a sonoridade que jamais deixa de ser atual, porque não deixa de ser empolgante.

Em suma, Bad Magic é como qualquer outro disco do Motörhead. Reduzir o trio a algo como ‘deixa tocar e pronto’ é menos pejorativo do que deveras interessante: como, por mais de 35 anos, uma banda consegue soar tão original em relação às demais e tão positivamente repetitiva em relação à si própria? Como, apesar dos anos, ainda funciona?

[pullquote]Pareça ou não, Bad Magic é um dos discos mais punk-hard-core-metal do grupo, ou seja, um de seus trabalhos mais pesados desde os anos 1980[/pullquote]

Comparativamente, Bad Magic é uma dicotomia na obra do Motörhead: a idade está passando e os hábitos de Lemmy Kilmister estão mudando (ele disse que deixou de tomar uísque Bourbon, e passou a tomar vodca, olha só…). Amenizar os motores, para a banda, seria retroceder: pareça ou não, este é um dos discos mais punk-hard-core-metal do grupo, ou seja, um de seus trabalhos mais pesados desde os anos 1980.

Tão diretos quanto os riffs de Campbell são as composições de Lemmy: “Victory or Die” mostra, de cara, que a batalha por continuar nos palcos está muito longe de ser abandonada. “Shout Out All of Your Lights” parece vir de um disco do Slipknot, até que Lemmy entra e estabelece a ‘dinâmica Motörhead’, em que as viradas de guitarra e bateria são antecipadas por seus vocais rasgados.

Em “Evil Eye” e “The Devil”, as personificações não exigem mudanças abruptas na voz de Lemmy; por outro lado, mostram possibilidades pouco exploradas anteriormente, seja soando como uma besta no deserto ou como discípulo do coisa-ruim (com um tom de sarcasmo, claro).

“Till The End” é um dos poucos momentos em que a banda parte para uma sessão acústica. Os riffs eletrizados de Campbell continuam lá (como se ele ‘recusasse’ a entregar completamente a banda ao formato balada). Dizendo que ‘sabe quem é’ e conhecendo ‘quem posso confiar até o fim’, Lemmy dá um breve testemunho das pelejas que sofreu com sua saúde nestes últimos anos – o que o levou, inclusive, a cancelar apresentação no festival Monsters of Rock, no Brasil, este ano.

Para finalizar, o Motörhead entrega uma competente versão de “Sympathy For the Devil”: ao invés das percussões, que marcam uma das mais icônicas músicas dos Rolling Stones, a bateria; a guitarra desempenha a função de tornar tudo como parte de um riff entremeado ao solo; e a voz de Kilmister dá um tom particular à canção.

Não haveria outra forma da banda recriar a música. Ao mesmo tempo, somos pegos de surpresa: como um formato musical, aparentemente simples e até manjado para alguns, poderia soar tão bom e instigante? Ora bolas… É o Motörhead!

Outros lançamentos relevantes:

Destroyer: Poison Season (Merge)
Beach House: Depression Cherry (Sub Pop)
Otacílio Melgaço: Musicophilia or Seeing Voices: A Journey Into The Land Of The Deaf (Entr’Act To Oliver Wolf Sacks) (Independente)
Yo La Tengo: Stuff Like That There (Matador)
Tamaryn: Cranekiss (Mexican Summer)
Céus de Abril: Último Adeus (The Blog That Celebrates Itself)