80. “Sorver-te”

Kassin

Álbum: Sonhando Devagar
Gênero: Psicodélico

O aclamado produtor Kassin se arriscou e fez um breve contorno no technobrega para falar de um dia de sol repleto de ansiedade para tomar um sorvete com uma garota. Última faixa do disco solo Sonhando Devagar, Kassin encerra com muita psicodelia, sarcasmo e diversão um dos discos mais controversos de 2011.

79. “Run Right Back”

The Black Keys

Álbum: El Camino
Gênero: Blues/Rock

A segunda música divulgada pelo duo Patrick Carney e Dan Auerbach é ainda melhor que o lado A “Lonely Boy”. Dan não economizou nada nos riffs e se jogou para uma dança envolvente como toda boa música de rock and roll deveria ser. Esta faixa só prova o quanto o revisionismo do blues/rock do The Black Keys é necessário em nossos tempos.

78. “No Banker Left Behind”

Ry Cooder

Álbum: Pull Up Some Dust and Sit Down
Gênero: Folk

Os banqueiros se deram bem com a crise mundial de 2008, você não acha? Faliram e foram acolhidos pela ajuda emergencial de Barack Obama por pressão da elite dos Estados Unidos. Quando uma instituição financeira está à beira da falência, o governo ajuda. E quando você precisa dos bancos? Óbvio, os banqueiros só foram auxiliados para terem um poder ainda maior de falir você. Ry Cooder, com muito sarcasmo e inteligência, atenta para isso na primeira faixa do disco Pull Up Some Dust and Sit Down.

77. “Royal Mega”

Black Milk & Jack White

Álbum: Single
Gênero: Rock/Funk

Um roqueiro se encontra com um rapper para fazer o quê? Tentar estabelecer um ritmo experimental para ambos os lados. O excelente guitarrista toca uma bateria modulada numa faixa que começa meio funky e adquire ares de hard rock a partir de 1 minuto e meio. A escala ascendente dá vigor a uma das melhores produções de Jack White pós-White Stripes.

76. “The Words That Maketh Murder”

PJ Harvey

Álbum: Let England Shake
Gênero: Folk/Lo-fi

PJ Harvey se coloca no papel de um soldado aterrorizado após deparar com corpos ‘caídos como pedaços de carne’ no meio da Primeira Guerra Mundial. A descrição da cantora inglesa é impactante ao mostrar as reflexões de um ex-guerrilheiro que pergunta a si mesmo como se posicionar num mundo onde a batalha que parecia incessante se findou. Somente essas palavras já transformam o bucólico narrador em um assassino. Deparar com o normal depois de enfrentar (e sobreviver) ao destrutivo não é tarefa fácil.

75. “Cruel”

St. Vincent

Álbum: Strange Mercy
Gênero: Disco/Lo-fi

A batida disco que sobressai em “Cruel” não é lá muito típico de St. Vincent. A vocalista Annie Clark deixa-se levar passivamente pelas guitarras quebradas que estabelecem uma ponte entre o funk e o dubstep. Há doses de cinismo e bastante ansiedade em um momento orquestral nos primeiros minutos da faixa. Emoções que borbulham feito um caldeirão de sopa com caldo de feijão.

74. “O Filho de Deus”

Romulo Fróes

Álbum: Um Labirinto em Cada Pé
Gênero: Samba

A estética do samba encontra a melancolia de um narrador insólito que se surpreendeu com a ascensão de um homem que conseguiu reverter sua vida para algo melhor. Escrita por Nuno Ramos, a canção obteve uma vertigem incrédula na voz de Romulo Fróes. Mas mesmo ele cai na mágica fabulosa do tal ‘Cristo da Guanabara’.

73. “Who Gon Stop Me”

Jay-Z & Kanye West

Álbum: Watch the Throne
Gênero: Hip Hop/Pop

Em meio a destrutíveis efeitos eletrônicos, a voz de Kanye West entra em dissonância e se impõe como um machado afiado na canção mais barulhenta de Watch the Throne. Pode não ser a melhor música do disco, mas mostra que nem mesmo o techno ou qualquer outra parafernália eletrônica irá se sobressair à pop music de Jay & We. Sem falar que Jay-Z também se eleva naturalmente sobre os criativos loopings da canção.

72. “The Look”

Metronomy

Álbum: English Riviera
Gênero: Eletroindie

Os sintetizadores e a bateria entram num clima dançante, mas a guitarrinha indie contínua de Joseph Mount, principal compositor do grupo, evoca uma preguiça tropical. É aquela música de se ouvir na praia deitado na tanga enquanto se pensa qual o próximo movimento a fazer antes que o sol vá embora.

71. “Senator”

Stephen Malkmus and the Jicks

Álbum: Mirror Traffic
Gênero: Rock

‘O que um senador realmente precisa é de um boquete’. Só pela frase, obviamente esta faixa viria parar por aqui. Produzida por Beck, a canção faz um diálogo inevitável com o sarcasmo do Pavement – algo que até então o vocalista Stephen Malkmus evitava ao máximo. Com guitarras estilo anos 90, a canção também fala das facilidades dos parlamentares e da ‘cegueira’ dos policiais que preferem direcionar os olhares aos aventureiros que fumam maconha em suas caminhonetes.