01 Suite IV Electric Overture 02 Givin’ Em What They Love (ft. Prince) 03 Q.U.E.E.N. (ft. Erykah Badu) 04 Electric Lady (ft. Solange) 05 Good Morning Midnight 06 PrimeTime (ft. Miguel) 07 We Were Rock & Roll 08 The Chrome Shoppe 09 Dance Apocalyptic 10 Look Into My Eyes 11 Suite V Electric Overture 12 It’s Code 13 Ghetto Woman 14 Our Favourite Fugitive 15 Victory 16 Can’t Live Without Your Love 17 Sally Ride 18 Dorothy Dandridge Eyes (ft. Esperanza Spalding)

19 What An Experience

Gravadora: Bad Boy/Wondaland
[rating:4.5]

Quem melhor que Janelle Monáe para representar uma possível ‘escola’ art-pop? Sua música agrega e reformula diversos elementos distintos e interessantes dentro do espectro musical: temos o título que remete a Jimi Hendrix; o conceito espacial do Parliament; a androginia Ziggy Stardust; uma releitura pop da Motown; a inovação no gênero que endossa o argumento de ser um(a) segundo(a) Prince na Terra; a eloquência desenfreada do OutKast; e, também, um paralelo distante do pop de Beyoncé, Alicia Keys e Rihanna na pele da androide mais divertida da galáxia: Cindy Mayweather.

Se com The ArchAndroid (2010) a temática era puramente mais conceitual para que os terráqueos entendessem o propósito de sua música, The Electric Lady não é só reafirmação. É permanência, solidez.

Isso é muito fácil de captar – vide a primeira metade do disco e perceba como consagrados e contemporâneos de sua música estão intensamente conectados. Prince, o deus da sensualidade, divaga sobre os pés da nova diva em “Givin’ Em What They Love”. Erykah Badu, que pode pegar para si o título de ‘tutora’ do que Monáe produz, arrasa em dueto no space-funk “Q.U.E.E.N.”.

Dos contemporâneos, a já grandiosa Solange Knowles vai no batidão hip hop na faixa-título, enquanto Miguel fortalece a lindíssima balada “Primetime”, uma clara homenagem a “Purple Rain” e uma sincera descoberta entre dois corpos e duas almas que misteriosamente se pertencem: ‘Veja, eu fiquei esperando e esperando pela hora de dizer’, canta Janelle. Miguel responde na segunda parte: ‘Você é como o fogo que o mundo não pode domar’.

Com um clipe que remete a “Hey Ya”, “Dance Apocalyptic” é fruto de quem um dia nos entregou “Tightrope”.

Na verdade, as direções tomadas em The Electric Lady muito se assemelham com The ArchAndroid justamente por essa opção de permanência. Digamos que “It’s Code” seja uma resposta a “Mushroom & Roses”. E que a procura de “Wondaland” resultou em “Victory”.

O diálogo é existente, mas The Electric Lady se sobressai como um disco mais efusivo e otimista que o primeiro. É como se a personagem Cindy Mayweather tivesse dado os primeiros passos com The ArchAndroid de forma cautelosa e, neste disco, permitiu ser mais livre, mais solta e mais segura para emular o pop, seja com o apoio das belas guitarras de Kelindo Parker ou com a presença mais controlada de metais orquestrados.

A primeira metade do disco foi feita intensamente para agradar os ouvintes. Uma estratégia esperta para que se dê atenção aos interessantes caminhos trilhados a partir da “Suite V Electric Overture”, que chama-nos a uma viagem espacial entre R&B, funk, ragtime e sci-fi.

A já mencionada “It’s Code” mantém a incerteza de “Primetime”, mas sem os braços de um parceiro. “Ghetto Woman” estabelece a sintonia entre a personagem criada por Monáe com as mulheres proletárias que trabalham dia e noite duramente e ainda assim são motivos de chacota em eventos sociais. ‘Porque mesmo nas suas horas mais escuras eu continuo vendo a sua luz’, acalanta a cantora em uma das melhores músicas do disco.

Canções como “Can’t Live Without Your Love” e “Sally Ride” continuam a expor os sentimentos mais íntimos da cantora. Em “Dorothy Dandridge Eyes”, ela conta com a colaboração da jazzista Esperanza Spalding para assumir a terceira pessoa – a que observa a bela e estranha garota sentada, que ‘hipnotiza como um raro Picasso ou Monet’.

Remetendo ao melhor da fase Dangerous (1991) de Michael Jackson, “What An Experience” é um adeus tanto à passagem pela Terra de Mayweather, como o adeus a um amor ‘tão profundo do meu coração’. Claro que a experiência resulta ótima para as duas partes, mas o melhor de tudo é saber que Janelle Monáe se firmou e mantém o controle da viagem espacial tomada apenas por Cindy Mayweather.

Nessa viagem, ela subverte, conquista, arremata e, por fim, nos emociona ao mesmo tempo em que se emociona.

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A seguir ouça The Electric Lady, de Janelle Monáe, na íntegra:

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Janelle Monae,

Melhores Faixas: “Givin’ Em What They Love”, “Q.UE.E.N.”, “Electric Lady”, “Primetime”, “Dance Apocalyptic”, “Ghetto Woman”.