Gravadora: XL/Third Man Recordings
Data de Lançamento: 19 de março de 2003

Mal se passaram dois dias do fim oficial do The White Stripes e a incessante procura pelos seus discos aumentaram de forma expressiva.

De acordo com o Yahoo, o álbum White Blood Cells (2001), que alçou o grupo ao estrelato, teve um crescimento de 612% nas vendas.

A segunda colocação veio com este álbum que faço questão de relembrar, Elephant, com uma procura 402% maior que há menos de uma semana.

Vigor e muitos hits

E Elephant é, sem sombra de dúvidas, o trabalho crucial do White Stripes. Da primeira faixa, “Seven Nation Army”, à última (“Well It’s True We Love One Another”), o disco é só pancada – e das boas!

Vigoroso desde sempre, Jack White exibiu o que de melhor poderia mostrar com seus solos surpreendentes, que deram uma nova faceta ao blues, deixando-o mais sujo, insano, urgente, despudorado.

São raros os momentos em que o ouvinte para de mexer com a audição de Elephant. White e sua ex-esposa, Meg White, conseguiram trazer uma sinergia única: como uma dupla, da qual uma das metades mal sabe tocar bateria, conseguiu dar tanta impulsão a um ritmo que passava por uma nervosa crise de existência?

O duo de Detroit revitalizou o clima de agrura que os Stooges haviam trazido para o punk décadas antes, com a diferença de que a melodia aqui ainda se faz presente, pelo menos em momentos como “There’s No Home For You Here”, além da balada típica beira-de-praia noturna, cantada por Meg White em “In The Cold, Cold, Night”.

Não bastasse os emblemáticos riffs de guitarra – que proporcionaram alguns dos melhores hits da década, como “Seven Nation Army” e “The Hardest Button To Button” – White também se aventurou nos pianos, como pode-se ver na bonita faixa “I Want To Be The Boy” que, segundo crítica da Rolling Stone EUA, denota o flerte do multi-instrumentista com Fred Mercury.

Autodidata que é, Jack White conseguiu unir os principais estilos que definiram eras passadas: do rock de garagem ao blues mais clássico, em Elephant há um pouco de Led Zeppelin (“Ball And Biscuit”), de Buzzcocks (“Black Math”) e até mesmo um pouco da psicodelia lisérgica setentista (vide “Hypnotize”).

Em suma, um álbum que deve ser ouvido atentamente do início ao fim. Sem mais o que dizer, jogo minhas últimas flores ao túmulo: Rest in Peace, White Stripes. E que venha muita coisa boa aí hein, Jack.

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