01 Thanks 02 Free White 03 Feuksley Ma’am, the Hearing 04 Mandy 05 And Then Nothing Happened 06 Musicians Are Scum 07 Another One (Oh Maybellene) 08 The Road Trip of Bipasha Ahmed 09 Lampshade Man 10 414 Seconds

11 The Carpenter Sun

Gravadora: Fire
[rating:4]

Quando David Thomas, líder do Pere Ubu, diz que o novo disco é ‘dance music, e só’, fique atento. Sua declaração, fora de ser deturpada, é o mais palatável que ele pode chegar ao falar de Lady From Shanghai.

Supere os argumentos que ligam o Pere Ubu à ‘música difícil’. Difícil mesmo é não gostar da decrepitude que ele mina em canções como “And Then Nothing Happened” ou “Free White” (vale lembrar que sr. Thomas, o único membro fundador do Pere Ubu desde sua formação, em 1975, já tem 60 anos).

Se a própria declaração já carrega consigo um tom sarcástico, o que será que Thomas quer dizer com ‘eu quero saber’, ‘uma coisa bonita’ em “Free White”?

Significa renegar o passado influente da música negra no rock e na música dançante? Mera polêmica?

Bom, arrisco dizer que é uma tergiversação supérflua – e é isso que deixa a canção ainda mais interessante. Há programações, barulhos eletrônicos e bateria repetitiva. No fundo, a beleza vale a pena quando voltamos e lembramos: ‘dance music, e só’.

O título Lady From Shanghai e a capa com elementos em laranja, rosa e vermelho nos remetem a algo oriental, que talvez esteja presente mesmo no disco. “Feuksley Ma’am, the Hearing” pode soar tão ininteligível como o mandarim e as guitarras de “Musicians Are Scum” podem encontrar paralelos mais próximos do outro lado do Pacífico.

Mas eis aí outra ironia.

A grande tônica de Lady From Shanghai é o fator inovação (a própria obra completa do Pere Ubu está relacionada a isso).

As repetições da música eletrônica cá estão. Só que vêm com elementos híbridos a mais, sem deixar de lado alguns sons vocais que parecem reclamações a esmo (para tanto, vide “The Road Trip of Bipasha Ahmed”). Como se um velho metesse bedelho a fazer música eletrônica.

O que é mais irônico é que a decrepitude fortalece o disco. Os espaços são preenchidos com música ambiente, um pouco de noisy aqui e acolá. Os riffs de guitarra nada prováveis de Keith Moliné se somam à estranha justaposição de órgãos e clarinetes.

E, o que soa como anarquia em teoria, na prática é uma música estranhamente inovadora que rejeita o título de vanguarda para ser, apenas, ‘dance music’. Só, e completamente.

Melhores Faixas: “Free White”, “Mandy”, “Musicians Are Scum”, “414 Seconds”.