Gravadora: London/Decca
Data de Lançamento: 6 de dezembro de 1968
Lançado em 1966, Aftermath é um belo de um discão. De “Paint It Black” a “Mother’s Little Helper”, mostrou como os Rolling Stones tinham capacidade de usar a indústria a seu favor na gravação de um disco criativo de rock. Com Between the Buttons, a influência blues falou mais alto e os Stones se aproximaram ainda mais de suas raízes. Mas ninguém realmente entendeu nada quando, em 1967, eles lançaram o psicodélico Their Satanic Majesties Request: sério que “2000 Man” e “She’s a Rainbow” veio da mesma banda que gravou hits como “Satisfaction” e “Stupid Girl”?
Their Satanic… foi a gota d’água para os fãs exigentes que clamavam pela volta do rock blueseiro e conectado ao rhytm’n blues que deu fama aos Stones.
Sentindo-se pressionados, Keith Richards e Mick Jagger, que já respondiam pela banda como um todo, começaram a revirar alguns materiais antigos. Keith se inspirou em alguns discos que comprou nos Estados Unidos entre 1964 e 66, a maioria deles de blues e country.
Em 1968, a cobrança era grande. As comparações com The Beatles de certa forma devem ter pesado aí – ainda mais depois de Lennon e companhia terem lançado o esplêndido Álbum Branco.
Para mostrar aos fãs e à imprensa os novos rumos da banda depois da decepção do disco anterior, os Stones soltaram o single de “Jumpin’ Jack Flash”: os riffs de guitarra inconfundíveis de Keith, a voz límpida de Mick Jagger e aquela bateria antenada de Charlie Watts mostraram um aperfeiçoamento do delta blues, com uma linha espaçosa no órgão tocado por Bill Wyman que contribuiu para a urgência da canção.
Segundo Keith, a canção foi inspirada por um jardineiro seu chamado Jack Dyer, que sabia tocar guitarra.
“Jumpin’ Jack Flash” foi lançado como um single em maio de 1968, como aperitivo do que estava por vir em Beggars Banquet.
“Sympathy For the Devil”, que abre o disco, foi uma polêmica só. As rádios não aceitaram o flerte com um tal de ‘rock satânico’ na letra de Mick e Keith inspirada pelo escritor russo Mikhail Bulgakov (O Mestre e Margarida) e a baniram – ainda mais com a sonoridade candomblé extraída pelas congas cubanas de Rocky Dijon e os backing vocals que simulavam almas penadas em busca de redenção.
Proibida também como single foi a canção “Street Fighting Man”, provavelmente a trilha que melhor define o que ocorria nas ruas de todo o mundo: “Todo lugar ouço o som de pés marchando, cara”, começa Mick, que bem que tentou ir às ruas de Londres protestar, mas percebeu que a maioria das pessoas estava lá pela arruaça. “Pois o verão está aqui/E a hora pra lutar é esta”.
No disco, a banda aproveitou para usar mais violões e sonoridades acústicas, como é o caso de “Parachute Woman” (um folk acelerado que usa a guitarra como uma espécie de cortina para o ritmo do violão), “No Expectations” (um blues puro que chamaria a atenção de Robert Johnson) e “Prodigal Son” (próxima ao som do Johnny Cash).
“Stray Cat Blues” mostra a essência sensual dos Stones ao citar uma cena em que Mick sobe ao quarto com a desejada para fazer aquilo que esperaríamos que ele fizesse. A guitarra de Keith acompanha o devaneio sexual e Watts mostra como sua bateria dá o peso necessário para a banda.
Beggars Banquet é tido como o ponto de partida para a melhor fase dos Rolling Stones, que duraria até o lançamento de Exile On Main Street (1972).
No entanto, também é o disco que marca um afastamento das ideias de Brian Jones, que não tinha mais tanta influência como anteriormente, e o próprio Bill Wyman, que não se sentia à vontade. Apesar dos créditos cedidos a Jones, reza a lenda que a maioria do material que ele trazia para as sessões era engavetada. (Brian Jones foi encontrado morto no ano seguinte, dia 3 de julho, um mês após ter sido substituído por Mick Taylor.)
Por outro lado, Beggars Banquet selou uma das melhores parcerias em composição de toda a história do rock. Mick Jagger e Keith Richards poderiam não ser melhores amigos, mas formaram uma dupla histórica.
