Gravadora: 4AD
Data de Lançamento: 22 de junho de 2018
Avaliação: 7.5/10
Os caminhos que levam a ambient à música eletrônica são complexos e repletos de detalhes. Alguns tentam encurtá-lo, como Jon Hopkins. Outros o relacionam pela intensidade dos batimentos por segundo, como Aphex Twin. E outros… peraí, outro apenas, interliga essas expressões na construção de uma paisagem sônica que captura do soul da Turquia à EDM norte-americana em algo que parece lisérgico, mas revela-se nebuloso. O outro a que me refiro é o Gang Gang Dance.
Sete anos após Eye Contact (2011), o trio formado por Lizzi Bougatsos, Josh Diamond e Brian Degraw apegou-se a um tipo fragmentado de fazer música eletrônica que encara vocais, barulhos que soam aleatórios e progressão de acordes numa direção que fica difícil de prever.
De certa forma, lembra um blend de Grimes e Oneohtrix Point Never – nomes que, de certa forma, seguiram algumas das muitas ramificações apresentadas pelo trio (e que hoje têm mais destaque, também, pelo ‘sumiço’ do GGD).
Gang Gang Dance: potência na bagunça
Você pode ouvir Kazuashita várias vezes e, mesmo assim, dificilmente conseguirá acompanhar o caminho traçado pelo Gang Gang Dance.
O R&B que prepondera em “J-TREE” talvez seja um dos takes mais ‘normaizinhos’ do disco – embora a canção se desintegre aos poucos e deixe que a melodia engrandeça a voz peculiar de Lizzi.
“Young Boy (Marika in Amerika)” aponta várias direções sintéticas: parece que vai explodir, que vai se cristalizar ou até mesmo acelerar o processo de looping. Isso porque o Gang Gang Dance multidireciona seus temas de forma anacrônica.
Eles vão se encaixando aos poucos, como um quebra-cabeça que se monta automática e lentamente. E, quando a música entra num processo de ‘horizontalização’, logo o grupo a conclui, já introduzindo uma viagem com diferentes cores, atalhos e elementos – ora, pois é assim que entra “Snake Dub”, que abusa das interferências até que os synths aos poucos potencializem da canção.
Reproduzir Kazuashita nas pistas pode ser um exercício para poucos especialistas (Four Tet me vem à cabeça), mas seu apelo não deve ser subestimado. As intercalações de texturas e as muitas bagunças dificultam a síntese, mas pouco atrapalham a experiência de apreciação. A lógica do Gang Gang Dance não exclui os drones do post-rock, as imersões da música ambient e o atrativo das batidas de EDM/IDM. É um jeito diferente de criar interações estéticas e, quem sabe, de fazer você ouvir e dançar música eletrônica.
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