Gravadora: Rune Grammofon
Data de Lançamento: 26 de janeiro de 2018

Disco da Semana: Fire! | The Hands

Poucos trios fazem tanto barulho quanto o Fire!, formado pelo saxofonista Mats Gustafsson, o baixista Johan Berthling e o baterista Andreas Werliin.

Desde seu primeiro álbum, You Liked Me Five Minutes Ago (2009), eles têm trabalhado um tipo de jazz muscular que também bebe da fonte dos power trios de Cream e The Jimi Hendrix Experience.

O sueco Gustafsson é bem conhecido na cena do free-jazz e descende diretamente da técnica de improvisação livre de Evan Parker e Peter Brötzmann, com quem já colaborou em sua extensa discografia.

O Fire!, porém, é o projeto em que ele tem extrapolado mais os limites de sua sonoridade robusta. Ao lado de Berthling e Werliin, ele arrancou diversos elogios também com a proposta do Fire! Orchestra, que acostumou muitos ouvintes a um som que ora parece uma sinfonia apocalíptica, ora um flamejar de emoções.

The Hands: fusion-jazz e acid-rock

O novo disco do Fire!, The Hands, começa bem volumoso com a faixa-título e “When Her Lips Collapsed”.

Mas a verdade é que se trata de uma obra mais silenciosa, que adentra planícies gélidas.

“Touch Me With The Tips of Wonder” exibe Gustafsson em um momento solitário, divagando em belezas consigo mesmo. Mas sua técnica é melhor percebida quando ele parte para sonoridades mais abertas, convidando os parceiros musicais a pendular entre o fusion e o acid-rock, como é possível vislumbrar na excelente “Up and Down”.

O que faz de The Hands um disco pertencente à seara do rock é seu pragmatismo. Em muitos momentos, o sax-barítono de Gustafsson caminha na mesma intensidade roqueira do baixista Berthling.

Em “To Shave The Leaves. In Red. In Black”, a dissonância é estabelecida aos poucos, até que Gustafsson doma aquele instrumento gigante e entrega solos arrebatadores e desesperados, como já é comum do free-jazz europeu.

The Hands destila muito bem as paisagens rítmicas facilmente erigidas nos primeiros segundos de cada tema. Com exceção de “To Shave”, de caráter mais progressivo, os demais temas não chegam aos 5 minutos, revelando uma urgência que, ao mesmo tempo que torna a linguagem jazzística mais acessível, põe em teste a força composicional do trio.

Leia também: Exit (2013), da Fire! Orchestra: tradição do jazz escandinavo com euforia tribal

Outros lançamentos relevantes:

Django Django: Marble Skies (Ribbon Music)
No Age: Snares Like a Haircut (Drag City)
Chris Dave and the Drumhedz: Chris Dave and the Drumhedz (Blue Note)
Jamison Ross: All for One (Concord)