Foi um bom ano para o rock, sim. Quem gosta de guitarras flamejantes e criativas não têm o que reclamar de nomes como METZ, Cloud Nothings e o novo do Dinosaur Jr. Quem prefere noisy, post-rock e avant-garde deve ter festejado com Swans e GY!BE.
O pop tem respirado outros ares, como prova o hype em torno da novata Grimes, com seu eletrônico caseiro e plastificado. O R&B, então… só tem o que celebrar com as conturbadas composições de Frank Ocean e a sutileza sensual de Michael Kiwanuka.
Indie? Sim, também mandou muito bem com as novas bolachas de Cat Power, Beach House, Sharon Van Etten e Grizzly Bear (alguns desses nomes não estarão na lista, mas que fique explícita a admiração).
Como na lista dos 30 Melhores Discos Nacionais de 2012, primeiramente o Na Mira vai listar em ordem alfabética 10 álbuns como menções honrosas. A publicação da seleção será em ordem decrescente e, até o meio da semana, estará concluída. Atualização: a lista está completa!
• Os 30 Melhores Discos Nacionais de 2012
• As 50 Melhores Músicas Nacionais de 2012
• As 50 Melhores Músicas Internacionais de 2012
• Os 30 Melhores Clipes Nacionais de 2012
• Os 30 Melhores Clipes Internacionais de 2012
As menções honrosas:

Attack On Memory
Cloud Nothings
Gravadora: Carpark
Gênero: Rock
Texto: Crítica do Na Mira do Groove
Muita coisa aconteceu na transição do primeiro para o segundo disco do Cloud Nothings: eles começaram a excursionar com o pesadíssimo Fucked Up, tiveram trabalho tratado por Steve Albini e muniram a melancolia com urros e guitarras flamejantes. (Quando se tem noção que Albini é o produtor de In Utero (1993), você assimila melhor faixas como “No Future/No Past” e “Stay Useless”.) O disco não é nenhuma reinvenção da roda (veio na esteira de Yuck e Girls), mas uma amostra eficaz da capacidade de Dylan Baldi de fazer rock de qualidade.
Ouça: “No Future/No Past”

First Serve
De La Soul’s Plug 1 & Plug 2
Gravadora: Serve
Gênero: Hip Hop/Funk/Disco
Texto: Crítica do Na Mira do Groove
Mais de vinte anos depois, o De La Soul continua criativo e, acima de tudo, divertido. Apesar da ausência de Maseo, a dupla Posdnuos e Dave encabeçam e muito bem uma jam hip hop sem recorrer à megalomania de autotunes e efeitos esparsos – tanto que este álbum soa como continuação natural de um 3 Feet High and Rising (1989), obra-prima do De La Soul. Pode montar o baile ao som de “Pushin’ Aside, Pushin’ Along” e “Must B the Music” que a dança é garantida.
Ouça: “Must B the Music”

Radio Music Society
Esperanza Spalding
Gravadora: Concord
Gênero: Jazz
Texto: Resenha do Notas Musicais
Para falar de jazz vocal, geralmente temos que recorrer aos anos 1950, onde muito se fecha em Ella Fitzgerald/Billie Holiday/Sarah Vaughan. Esperanza Spalding veio para renovar esse conceito, faturando honrosamente um Grammy com o anterior Chamber Music Society (2010). No quarto disco, a cantora reina solo novamente ao trafegar, com sensibilidade e devida argúcia, em cool jazz, bossa nova e até mesmo no som da gravadora Stax, como se vê em “Land of the Free”. Em todas as músicas há uma similaridade pop, que faz com que o som de Esperanza seja acessível sem perder um pingo de qualidade – vide sua versão de “I Can’t Help It” (Michael Jackson), que ficou esplêndida com o contorno no sax de Joe Lovano.
Ouça: “I Can’t Help It”

Key to the Kuffs
JJ Doom
Gravadora: Lex Records
Gênero: Rap
Texto: Resenha da FACT
Muito antes de Death Grips e Insane Clown Posse, MF DOOM já havia se solidificado como uma espécie de herói do rap underground desde o espacial Leave Me To Your Leader (2003). Este novo álbum representa uma nova fase na carreira de DOOM, uma vez que conseguiu voltar a Londres, local onde cresceu depois de ser banido muitas vezes. Jneiro Jarel é o responsável pelas produções onde os graves surgem como peso gravitacional para a voz rouca de DOOM em petardos como “Banished” e “Bite the Thong”. Como era de se esperar, DOOM mais uma vez nos brinda com novas possibilidades – pesadas, cáusticas – em um gênero que abraça o pop e nele se estraga cada vez mais.
Ouça: “Banished”

Between The Times and The Tides
Lee Ranaldo
Gravadora: Matador
Gênero: Rock
Texto: Crítica da FACT Magazine (em inglês)
De todos os (ex?)membros do Sonic Youth que lançaram outros trabalhos, o do Lee Ranaldo é o que melhor se assemelha às canções da antiga(?) banda. No entanto, o que poderia ser uma ‘prisão estética’ para o SY, Lee Ranaldo vê como possível atalho para se ligar a outras possibilidades dentro do próprio rock, como mostram os solos experimentais de “Angles”, que chegam perto do kraut-rock, e o clima retrô nos acordes de “Lost”, que remonta aos bons momentos dos anos 1980 da banda.
Ouça: “Waiting On a Dream”

Blues Funeral
Mark Lanegan Band
Gravadora: 4AD
Gênero: Rock
Texto: Crítica do Na Mira do Groove
Hoje em dia, o ex-Screaming Trees diz que estar vivo ‘é uma sorte’. Não que ele esteja mais alegre; o próprio título do álbum, junto a capa, prenunciam uma sequência de músicas… fúnebres. Mas o que falar quando essa é a especialidade do cantor? As guitarras só fortalecem esse lado obscuro de Mark Lanegan, seja na velocidade de “Riot in My House” (com admiráveis solos e baita riff de Josh Homme, do Queens of the Stone Age) ou na irascível “Quiver Syndrome” (guitarra de Alain Johannes), que lembra os velhos anos 1990.
Ouça: “The Gravedigger’s Song”

METZ
METZ
Gravadora: Sub Pop
Gênero: Noisy Rock
Texto: Resenha do Pequenos Clássicos Perdidos
Vinte e um anos depois de Nevermind, algumas bandas atuais continuam usando o peso do grunge como influência para trabalhos inspirados, como foi o caso de Girls (que acabou este ano) e Yuck. Os canadenses do METZ levam essa experiência para um som ainda mais catártico e poderoso. A inicial “Headache” é tomada por uma bateria pulsante e “Sad Pricks” é de uma atmosfera inegavelmente grunge, com influência de Mudhoney. Em pouco tempo, o barulho dessa banda vai te pegar.
Ouça: “Wet Blanket”

How About I Be Me (And You Be You)?
Sinead O’Connor
Gravadora: One Little Indian
Gênero: Alternativo
Texto: Resenha do Notas Musicais
Depois de algumas tentativas de suicídio e cinco anos sem disco, Sinead O’Connor colocou os pés no chão para cutucar Jesus novamente (“Take Off Your Shoes”) e aceita sua distância da humanidade com sincera melancolia – como canta na balada “Reason With Me”: ‘Sou daquelas que não sabe como se divertir’, ‘Não gosto de ninguém à minha volta’. Em “V.I.P.”, responde à exacerbação das ‘calçadas da fama’ com um som cru. “Queen of Denmark”, bela versão da música de John Grant, serve como aviso aos hipsters: ‘Gostaria de mudar o mundo/Mas não posso nem mudar minhas roupas de baixo’.
Ouça: “Take Off Your Shoes”

Mars
Sinkane
Gravadora: DFA
Gênero: Eletrônica
Texto: Crítica do Pitchfork (em inglês)
Ahmed Gallab, o responsável pelas batidas afroetéreas do Sinkane, nasceu no Sudão e foi morar nos Estados Unidos, chegando a colaborar com o Yeasayer e o Caribou, paralelo mais próximo de sua sonoridade eletrônico-percussiva-viajante. Ouvir “Jeeper Creeper” e “Warm Spell” é imaginar como seria um David Byrne recém-saído dos Talking Heads se aventurando na música eletrônica num país do chifre africano.
Ouça: “Runnin’”

Sweet Heart, Sweet Light
Spiritualized
Gravadora: Fat Possum
Gênero: Space Rock
Texto: Resenha do Floga-se
Em entrevistas, Jason Pierce, o frontman do Spiritualized, disse que estava tomando algumas ‘drogas’ para que pudesse fazer música. Nesse tal de ‘space rock’, Pierce fala de humanidade com grande distinção: ‘Eles dizem que você tem uma alma problemática/Eu digo que você tá na estrada’ como canta em “Hey Jane”, cujo clipe revela um personagem travesti que tem problemas como todo mundo. As guitarras continuam sobrecarregadas de poder atmosférico, como é possível ouvir em “Get What You Deserve” e nos oito minutos de “Headin’ For the Top Now”.
Ouça: “Get What You Deserve”
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