April 2nd, 4:22pm April 1st, 7:17pm Tiago FerreiraEditor do Na Mira desde 2010 – que, além de site, também é canal do YouTube e Embaixador Spotify. Já trabalhei como redator de comunicação interna, produtor de conteúdo da B2W (Americanas, Submarino e afins) e repórter de entretenimento, ciência e tecnologia no Vix.com. Também sou colaborador eventual da Revista da Cultura (da Livraria Cultura).

Se estivesse vivo, hoje um dos maiores nomes da soul music, Marvin Gaye, completaria 73 anos. Ele morreu um dia antes de seu aniversário, em 1984, depois de levar dois tiros de seu próprio pai após uma discussão familiar. Sobre os últimos dias de sua vida, a revista Rolling Stone brasileira trouxe um excelente arquivo publicado na edição 34, mas infelizmente não colocou online.

Bom, de Marvin Gaye todo mundo deve conhecer um pouco. Canções óbvias não poderiam faltar, como “Let’s Get It On” e algumas de suas parcerias com Tami Terrell, aquela que, talvez, tenha sido sua melhor parceira musical. Isso sem falar de alguns clássicos do disco What’s Going On, até hoje considerado um dos álbuns mais influentes de todos os tempos – e que já foi resenhado na seção #Grandes Álbuns.

A seguir, confira a seleção especial do Na Mira de 10 canções do Marvin Gaye que você tem que conhecer. Pode ter faltado algumas, é claro, mas é para isso mesmo que existe a caixa de comentários. Deixe lá também a sua lista de melhores músicas deste maravilhoso cantor.

10. “Trouble Man”

Ano: 1972
Álbum: Trouble Man Soundtrack

Depois de lançar What’s Going On, Marvin Gaye tornou-se praticamente um dos porta-vozes negros sobre músicas de temas políticos. Daí para gravar uma trilha sonora para a Blaxploitation foi um pulo. Ele segue numa suavidade vocal que caminha na mesma linha de um Superfly, do Curtis Mayfield. Seus vocais rápidos certamente ajudaram de alguma forma a preceder o rap. Sem falar que as linhas de piano, baixo, baterias e instrumentos de sopro são bem sampleáveis.

9. “Got to Give It Up”

Ano: 1977
Álbum: Live at the London Palladium

Marvin Gaye era um músico tão talentoso, que ele tinha habilidades de sobra para trafegar por ritmos negros que quisesse. Naquela segunda metade dos anos 1970, a disco music estava começando a florescer, e Marvin Gaye ofereceu toda sua suavidade vocal para encontrar as pistas e fazer muita gente dançar. Quem gosta de Michael Jackson, certamente encontrará traços de sua obra nesta bela jam musical, que também traz um impressionante solo de sax de Fernando Harkness.

8. “Pride and Joy”

Ano: 1963
Álbum: That Stubborn Kinda Fellow

Direcionado à sua então namorada Anna Gordy (irmã de Berry), Marvin Gaye escreveu esta canção junto com William Stevenson e Norman Whitfield e tornou-se amplamente conhecido depois que este single entrou nas 10 mais da Billboard naquele ano nos Estados Unidos. Os backing vocals desta canção são de ninguém menos que Martha and the Vandellas, que depois estourariam com o hit “Dancing in the Street”.

7. “A Funky Space Reincarnation”

Ano: 1979
Álbum: Here, My Dear

No final dos anos 1970, Marvin Gaye já era mundialmente aclamado e não precisava de muitos motivos para provar que era o maior soulman vivo. Por isso, decidiu arriscar bem neste registro com toda a levada swingada de um Earth, Wind and Fire para traçar um paralelo do amor com viajeiras espaciais. Ele canta e, ao mesmo tempo, mistura um spoken-word puxada pela habilidosa seção rítmica feita por Gordon Banks (guitarra) e Frank Blair (baixo).

6. “Sexual Healing”

Ano: 1982
Álbum: Midnight Love

Sempre haverá um misticismo quando mencionarmos “Sexual Healing”: foi o último single de sucesso de Marvin Gaye. Ele mal teve tempo de colher seus frutos, já que viria a falecer dois anos depois. Conquistou dois Grammys com esta linda canção: Melhor Vocal Masculino e Melhor Canção de R&B. Aquele falsete ‘get up, get up, get up, get up’ está eternizado. Se fizessem uma lista das melhores músicas para se ouvir enquanto transamos, não me chocaria em vê-la na primeira posição. Ela é toda cheia de libido.

5. “Let’s Get It On”

Ano: 1973
Álbum: Let’s Get It On

Aquele solo funk inicial é inconfundível. E aí chega Marvin: “I’ve been really tryyinnngg, babe”. Seus vocais surgem como manifestações orgásticas, e aqui começa-se a entender por que Marvin Gaye tornou-se uma das maiores figuras sexuais da música. Na produção, ninguém menos que um dos maiores artistas de doo-wop: Ed Townsend. Aqui, além de celebrar o amor, Marvin quis falar de liberação sexual como um todo, um componente vitalício para que sua utopia de paz e amor um dia pudesse se concretizar – algo que, todos sabemos, jamais aconteceu e jamais vai acontecer. Tornou-se um dos maiores hits comerciais da gigantesca Motown. Aí, Berry Gordy já não metia mais o bedelho em seu trabalho. Portanto, mérito quase absolutamente de Marvin e seus músicos.

4. “Mercy Mercy Me (The Ecology)”

Ano: 1971
Álbum: What’s Going On

Quando ouviu essa música pela primeira vez, Berry Gordy Jr. insultou Marvin dizendo que ele não conhecia nada de ecologia. Bom, este não é nenhum hino que aborda a sustentabilidade. Na verdade, ele fala de desastres naturais no sentido de chamar atenção do homem de que as coisas estão se destruindo. “Quanto mais abusos do homem você pode suportar?”, questiona nos versos finais da canção. Algo está acabando e não nos damos conta. Naquela época, não se falava de aquecimento global. Agora, em pleno século XXI, nunca “Mercy Mercy Me (The Ecology)” teve tanto sentido.

3. “You’re All I Need to Get By” (with Tami Terrell)

Ano: 1968
Álbum: You’re All I Need

Um dos duetos de soul mais incríveis. Marvin e Tami têm uma sintonia perfeita e essa canção ganha ainda mais verdade quando se descobre que o cantor teve uma crise profunda após a repentina morte de Tami. Levada por um ritmo gospel, a canção foi uma das primeiras a romper com o ‘tradicionalismo Motown’, que sempre prezava por músicas mais dançantes e de palatáveis composições (mas de ótima qualidade musical). É um dos destaques do álbum You’re All I Need, gravado em parceria com Tami Tarrell.

2. “I Heard It Through the Grapevine”

Ano: 1968
Álbum: I Heard It Through the Grapevine

Smokey Robinson chegou a gravar esta canção primeiro, mas foi Marvin Gaye quem eternizou o maior hit da Motown de todos os tempos. Liderou as paradas nos Estados Unidos e Reino Unido com a primeira posição. Isso porque ela tem toda a cartilha básica para ser amplamente aceita: pouco mais de três minutos, backing vocals das garotas do The Andantes, instrumentação da sempre ótima The Funk Brothers, misticismo e até mesmo um pouco de psicodelia, que viria a influenciar Sly and Family Stone. E, acima de tudo, a voz de Marvin Gaye, que se destaca acima de qualquer outra coisa.

1. “What’s Going On”

Ano: 1971
Álbum: What’s Going On

Essa música esconde uma das maiores discussões entre artistas e managers. Berry Gordy Jr. odiou a música e se recusou a gravá-la. Marvin Gaye ficou muito bravo e ameaçou romper com a Motown, mas Smokey Robinson (número 2 da gravadora) interveio e teve a visionária percepção de que ali existia grandiosidade. Contrariado, Berry Gordy permitiu a gravação e deve ter tido um baque quando descobriu, quando estava de férias em um iate, que ela havia atingido a 2ª posição nas paradas norte-americanas. Sobre esta lindíssima canção, falo melhor aqui. Além de ser a melhor canção de Marvin Gaye, nunca a soul music havia tido um encontro tão divino com sua profundidade.

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Ouça todas as 10 músicas em uma playlist especial (aproveita e já segue o Na Mira no Spotify):

Leia também: What’s Going On, de Marvin Gaye, na seção Grandes Álbuns

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