Gravadora: Laboratório Fantasma/Sony
Data de Lançamento: 16 de novembro de 2017
Com mais de 10 anos de carreira, Emicida já fez escola. E seu aluno mais aplicado acaba de lançar o primeiro disco: trata-se de Coruja BC1, parte integrante do catálogo da Laboratório Fantasma, que estreia solo com No Dia dos Nossos.
BC1 tem apenas 23 anos e vem de Bauru, São Paulo. Ganhou projeção no ano passado, com o single “Passando a Limpo”, num estilo que lembra bastante a voracidade dos primeiros anos de Emicida.
Por essa característica, não demorou para que Coruja BC1 ganhasse projeção no rap nacional – tanto que sua estreia é uma extensão dessa abordagem crítica à sociedade, de forma ágil, cortante e instigante.
De qualquer forma, Coruja planejou o disco há pelo menos três anos, mostrando um caminho diferente do tutor – que lançou várias mixtapes antes de se dedicar à produção de álbuns.

Ritmos do gueto
No Dia dos Nossos tem 11 faixas e traz uma produção que parece habitar o mesmo tempo em que Emicida e Rashid ascenderam.
Ou seja, trap e flertes com a eletrônica existem, sim, mas em menor volume (com exceção, talvez, de “Roubando a Cena”). Em sua essência, o disco busca força nas cordas típicas do funk norte-americano, soul, R&B, mas com muitas pancadas cruas.
“Exaltar nossas raízes, tanto do funk quanto do rap, essa é a ideia. São ritmos que nascem dentro do gueto como um grito de liberdade do nosso povo”, disse o cantor em texto de divulgação.
A brevidade das canções cria uma necessidade de maior agressão verbal nas letras – uma agressão com a finalidade de conscientizar sobre a exclusão social e sobre a dificuldade de se ter apoio quando se trata de um jovem no universo do rap. Emicida falava bastante disso no começo da carreira, e como pouca coisa mudou, talvez essa mensagem precise ser reforçada por um novo expoente. É aí que entra Coruja BC1.
Ouça o álbum No Dia dos Nossos abaixo:
