Ainda que eu tenha esculachado o disco Goblin, de Tyler, the Creator, achei justo ele ter recebido o prêmio de Melhor Artista pelo VMA. Representa um paradoxo não apenas no hip hop, que ele incrustou de discursos perturbadores (que ganham ainda mais força com seus vocais aterrorizantes). A própria música como um todo sentia falta de um transgressor incauto e cheio de motivos para vociferar contra o sistema.

O coletivo Odd Future, de onde Tyler veio, surgiu com a proposta de colocar em cena o rap gangsta que há anos deu lugar ao ‘bling bling’, que garante a riqueza de produtores que encontraram uma técnica bem-sucedida para conquistar o mercado e o público através da black music.

Tyler não está nem aí pra nada: quer que tudo se exploda! Não pede que os ouvintes se mobilizem com o que diz – mostra o seu lado das crônicas e, se você não gostar, foda-se. As bases que ele costuma utilizar são sombrias, como se quisesse a todo custo causar um choque nos ouvintes.

Com apenas 20 anos de idade, o rapper não exibe virtuosismo em rimas, vocais ou jeito de cantar. Na verdade, ele inverte toda a lógica da música e prova que é necessário apenas ter peito para mostrar a que veio.

Quando defendo o prêmio VMA para Tyler, é porque acredito que sempre há impasses ao julgar quem é ou não o melhor. Em pouco tempo, o músico já causou tanto furor, que não dá para negligenciá-lo. A linha entre o que é excelente e o que é ridículo é muito tênue. Não vem ao caso aqui classificar de que lado Tyler, the Creator está, mas é bom saber que estão de olho nas novidades. Já cansei de Lady Gaga, Beyoncé, Madonna, Britney Spears, Justin Bieber e muitos etceteras.

Pelo menos Tyler, the Creator não se apresenta como subproduto da indústria musical. Ele veio pra distorcer toda e qualquer certeza que permeia esse universo.

Ainda bem.

Confira um vídeo de Tyler, the Creator se apresentando no programa do Jimmy Fallon: