Nunca se falou tanto em Justin Bieber em 2015. Pior de tudo é ouvir gente que se considera fã de boa música elogiando suas novas incursões sonoras. Não. Não mesmo. Tão descartável quanto Jack Ü, ou Diplo, ou aquela canção chatíssima “Lean On” zunindo… A mediocridade ganhou novos adeptos.
O Na Mira tem lá seus defeitos, mas não compactua com a música ruim (muito menos, simuladamente chorosa). Não estamos nem aí pra “Sorry” ou se ele está procurando alguém quando precisa. Perceba que em nossa lista há grupos antigos fazendo nova música repaginada – não que se deva cultuar pra todo o sempre nomes como The Pop Group, Chemical Brothers ou Galactic. Mas a experiência é uma aliada importante na construção de músicas de qualidade.
Bandas consideradas novas há uns quatro anos, hoje, já são quase ‘tradicionais’: fala se não é esse o caso de Alabama Shakes? Em Sound & Color eles estão longe do fator inovação, mas estão mais bem inspirados – por isso, selecionamos uma canção deste álbum nesta lista.
Confira também:
• As 30 melhores músicas nacionais de 2015
• Os 30 melhores discos nacionais de 2015
• Os 30 melhores discos internacionais de 2015
• Os 16 melhores discos de jazz de 2015
Para ouvir cada canção mencionada, clique no título dela.
Sem compromisso algum com o que representa 2015, vá fundo na nossa lista das 30 melhores músicas internacionais de 2015:

30. “Survelliance Escape”
Dâm-Funk
Disco: Invite the Light
Data de Lançamento: 4 de setembro de 2015
Encontre via Stones Throw
O futurismo do funk está para o Dâm-Funk da mesma forma que o presente do gênero está para o novo disco do Snoop Dogg. Duas horas para Invite the Light talvez seja tempo demais, mas não se pode negar que alguns esforços são realmente válidos. O melhor deles é “Survelliance Escape”, um som tubular cheio de ginga que coloca Flying Lotus e Parliament na mesma esfera de influências. O solo nebuloso de guitarra que se esconde por trás de batidas retrô e transmissões perdidas dão ao gingado um clima de estranheza – ainda assim, uma estranheza que não compromete o poder da canção.

29. “Mad Truth”
The Pop Group
Disco: Citizen Zombie
Data de Lançamento: 26 de janeiro de 2015
Certamente muita gente estranhou quando o The Pop Group, que não lançava nada há 35 anos, retornou com o single “Mad Truth”. Eles fizeram valer o ‘pop’ tão caro à banda – mas tão pouco compreendido, por uma assimilação da no-wave no sentido mais apocalíptico possível. “Mad Truth”, por outro lado, é pegajosa, um pós-punk estratificado que se beneficia da produção ofuscada de Paul Epworth – para Mark Stewart, “o melhor produtor do mundo”.

28. “Worth It”
Danny Brown part. Clams Casino
Disco: 2015 Adult Swim Singles
Data de Lançamento: 3 de agosto de 2015
Encontre no site de Danny Brown
Clams Casino e Danny Brown dão certo não pela simbiose, mas porque os dois são bons demais – e poucos têm ciência disso. O produtor ítalo-americano fornece as batidas quebradiças, com claves de piano fragmentadas pelas variações de tempo, enquanto Brown questiona até quando realmente vale a pena se vender ao mainstream em busca de fama e fortuna.

27. “Don’t Wanna Fight”
Alabama Shakes
Disco: Sound & Color
Data de Lançamento: 21 de abril de 2015
As rádios pop brasileiras aceitaram bem este novo single do Alabama Shakes. E, uma coisa você pode dizer: finalmente podemos ouvir algo de qualidade de 2015 no circuito FM. Isso pode não importar muito, já que o nosso formato está muito defasado se comparado às programações de BBC ou Apple Music, mas tudo bem, o Alabama Shakes conseguiu se sair ainda melhor que a estreia Boys & Girls (2012) graças à repaginada estética e musical incorporada por Brittany Howard.

26. “The Day is My Enemy”
The Prodigy
Disco: The Day is My Enemy
Data de Lançamento: 30 de março de 2015
Esqueça os tempos de Music For the Jilted Generation (1996) ou os potentes “Smack My Bitch Up” e “Breathe”. O Prodigy anos 2010 é menos divertido que nos tempos vindouros, mas usou a agressividade a seu favor nas poucas faixas que realmente prestam de The Day is My Enemy. O disco começa bem com a faixa-título, um dance provocativo que encapsula os melhores momentos das baladas noturnas. Parece exasperado, mas faz com que os pés mexam bem. É o que importa.

25. “Lively Hood”
DOOMSTARKS
Disco: 2015 Adult Swim Singles
Data de Lançamento: 15 de setembro de 2015
Encontre no site do Adult Swim
O todo falado projeto de Ghostface Killah e MF DOOM promete um disco desde 2011. Enquanto a obra não dá pistas de aparecer (afinal, tanto Ghostface quanto MF são dois enrolões), é possível curtir as faixas avulsas que eles têm soltado. “Lively Hood” foi lançado pelo programa Adult Swim e impressiona por uma espécie de thriller policial criada, com as vozes dos rappers advocando cada passagem sinistra em que se adentra. Eis um labirinto a se explorar. Emoções pululam.

24. “The Lavishments of Light Looking”
WOKE
Disco: 2015 Adult Swim Singles
Data de Lançamento: 28 de setembro de 2015
Encontre no site do Adult Swim
Primeiro de tudo, o acontecimento. Afinal, o WOKE se trata de um supergrupo, idealizado por Flying Lotus e com Shabazz Palaces, Jeremiah Jae e Thundercat. Na primeira amostra de um disco que pode vir (afinal, FlyLo disse que há umas 9 canções preparadas), eles convidaram o superstar do P-Funk George Clinton, que ajuda a desamarrar ainda mais a influência do gênero num som espacialmente ‘lotado’. As vozes se confundem, como se estivessem num brainstorm na Millenium Falcon da música negra. Ainda assim, o resultado é instigante.

23. “Fuck It”
Tyler the Creator
Disco: Single
Data de Lançamento: 12 de outubro de 2015
Encontre via SoundCloud
Simples assim, Tyler the Creator decidiu disponibilizar esta faixa via Twitter, mesmo após lançar o disco Cherry Bomb. A impressão é: se ele tivesse incluído “Fuck It” no tracklist original, o disco seria mais bem-sucedido. As subversões de andamento (algo aquático com percussões?) e a fúria tão em disparada quanto lavas de um vulcão em erupção mostram que o rapper não mudou tanto assim desde seu boom, com Goblin (2011). Se mudou algo, ficou bem mais convincente.

22. “Road to Perdition”
Jay Electronica
Disco: Single
Data de Lançamento: 9 de março de 2015
Encontre via SoundCloud
Em meados de 2013, Jay Electronica revelou o tracklist de Act II, espécie de Chinese Democracy do hip hop. “Road to Perdition”, com sampler de “Success”, de Jay-Z, também está lá – mas nada do disco ainda. Tudo bem, não perdemos a fé em Jay Electronica: ele sabe ferver um clássico e sobrepor com suas rimas rígidas como se estivesse numa conversa com seus samplers. Ele já fez melhor (lembra de “Shiny Suit Theory”, de 2010?), mas preserva sua relevância, mesmo em meio a tantas expectativas. Que o título desta canção não seja nada simbológico…

21. “Calypso”
Dawn Richard
Disco: Blackheart
Data de Lançamento: 15 de janeiro de 2015
Dawn Richard faz pop, R&B e eletrônica transgredindo o verbete indie que interliga esses gêneros na música atual. Blackheart é pomposo, mas é, também, um dos melhores exemplos de criatividade, versatilidade e ousadia, embora alguns deslizes sejam inevitáveis em seus takes mais pop. Por isso que sua canção mais estranha, “Calypso”, merece todas as laureações. Drum’n bass e reverbs são jogados num ventilador agressivo, estabelecendo forte comunicação entre Sia e Holly Herndon – com percussões histriônicas que conectam trilha de games noventistas e música latina.
