01 From The Sun 02 Swim And Sleep (Like A Shark) 03 So Good At Being In Trouble 04 One At A Time 05 The Opposite Of Afternoon 06 No Need For A Leader 07 Monki 08 Dawn 09 Faded In The Morning

10 Secret Xtians

Gravadora: Jagjaguwar
[rating:1.5]

Apesar de não ter o mesmo reconhecimento do conterrâneo Tame Impala, os australianos do Unknown Mortal Orchestra surgiram em datas próximas e também fazem o psicodélico-retrô quase meio século depois da lisergia influenciar o rock’ roll.

Lonerism, do Tame Impala, provou que essa renovação não tem pretensão de superar ou soar revivalista do fio que conecta Beatles-Jimi Hendrix-Jefferson Airplane. Quando a música é de qualidade, nada disso importa.

Nesse quesito, II soa falho por transbordar desleixo do início ao fim.

Tudo bem que no disco homônimo anterior os vocais preguiçosos de Ruban Nielson também estavam lá, mas canções como “Ffunny Friends” e “Jello and Juggernauts” carregavam uma coesão instrumental que justificavam os propósitos lo-fi. Sem falar que as guitarras, ora ou outra, explodiam no acid-rock em algumas das melhores faixas do disco, como se ouvia em “Nerve Damage” e “Thought Ballune”.

O começo “From the Sun” é mais ou menos como um sorriso forçado. Os acordes soltos e esfumaçados no final da canção a salvam do limbo.

“Swim and Sleep (Like a Shark)” falharia até como canção de ninar, enquanto “The Opposite of Afternoon” praticamente implora para que o ouvinte pule para a próxima faixa, se tiver chegado até aí. Nela, os riffs circulares deixam de ser convidativos e parecem ser a última opção de uma criatividade que ainda está crua demais após os relativos elogios ao primeiro trabalho.

“So Good at Being in Trouble” não é uma canção ruim, todavia. Ela se encaixa no conceito ‘cansado para uma longa noite de sono’ que permeia II. No entanto, seria mais efetiva como peixe fora d’água de um álbum mais roqueiro do que parte de um trabalho onde o desleixo, que poderia parecer intencional como identidade do UMO, é evidente ausência de renovação artística.

Há bons momentos no álbum, como a levemente roqueira “No Need For a Leader”, que contraria as declarações do vocalista que diz não ser hippie (sic!), e “One At a Time”, a que mais se assemelha ao primeiro disco. No entanto, as melhores são justamente os peixes fora d’água de II.

Que a banda não insista nesse esmorecimento descartável – ou vai se tornar mais um dos muitos nomes que devem ser esquecidos o quanto antes.

Melhores Faixas: “No Need For a Leader”, “One At a Time”.