Antes de Al Green ser descoberto e praticamente apadrinhado por William Mitchell em 1969, chegou a gravar um disco pela Hot Line Records chamado Back Up Train (creditado como Al Greene). O debut tinha algumas composições dançantes, mas ainda não estava afinado.

Mitchell, que tinha grande influência na Hi Records (e chegaria a se tornar vice-presidente dela), viu grande potencial no som de Al e o convidou a gravar um disco em Memphis. Ele pagou as dívidas que o músico tinha em Flint (Michigan) e conseguiu fazer com que ele gravasse covers como “Get Back” (The Beatles) e “My Girl” (The Temptations).

As versões ficaram boas, mas ficava difícil emplacar desta forma nas paradas R&B norte-americanas, por serem faixas já ‘consagradas’. Precisava de uma novidade.

De fato, Al tinha tudo para estourar. Era dono de um vocal que estabelecia uma ponte entre a representatividade gospel dos primeiros anos de Ray Charles como músico e a potência de um Wilson Pickett em seus momentos mais inspirados. E, para dar notoriedade ao som de Al Green, entra o papel de William Mitchell: é contribuição dele o gingado instrumental, inspiração que veio do som extasiante de Sam and Dave. O produtor tinha um grande currículo musical, chegando a tocar sax nas primeiras bandas de BB King e também com Howlin’ Wolf.

Até mesmo “Tired of Being Alone”, uma canção triste que fala da ausência de uma querida, é temperada pelo baixo funky de Leroy Hodges junto ao órgão do irmão Charles Hodges, dando a entender que a essência da soul music é vital tanto nos momentos mais emocionais, quanto descontraídos.

Esta foi a primeira música de Al Green como compositor que fez sucesso. Ela atingiu a 11ª posição das paradas pop da Billboard e deu um grande salto não só na carreira de Al Green, como nos negócios da Hi Records. A canção foi registrada no excelente disco Al Green Gets Next to You (1971), o terceiro da discografia do músico.