20. Take Care

Drake

Gravadora: Young Money/Cash Money/Universal Republic
Gênero: Hip Hop

Além de ter inspirado um disco todo de remixes, o disco I’m New Here, de Gil Scott-Heron, foi o ponto de partida para que o rapper canadense Drake pudesse criar seu melhor registro até agora. Ele pega emprestado as batidas de “I’ll Take Care of U”, de Jamie xx, e chama Rihanna para deitar-se com sua voz lenta, mas que se impõe. Drake tenta se esconder ainda mais atrás das cortinas ao falar que não está nem aí pro dinheiro e que prefere se isolar ao se meter com a multidão em “Over My Dead Body”. “Headlines” e “Marvin’s Room” são pontos altos no disco, mas ele se sai melhor quando flerta com o pop, o hip hop vendável mesmo. Falo de “Make Me Proud”, que conta com a participação de Nicki Minaj, e toda a excentricidade de “Lord Knows”, a melhor do disco, em parceria com Rick Ross.

Faixa: “Take Care”

19. Strange Mercy

St. Vincent

Gravadora: 4AD
Gênero: Indie

Annie Clark é uma contadora de histórias. Só que ela não tem nada de convencional: gosta de sobrepor outras possibilidades narrativas quando descreve, por exemplo, a personagem Chloe do filme Chloe in the Afternoon (de título Amor à Tarde), de 1972, na primeira música do disco. Mas também não tem pudor de soar extravagante em “Cheerleader”, tipo um hino de patricinha que está crescendo aos poucos. Penetrar neste universo tão denso pode ser muito prazeroso; caso se sinta intimidado com a instabilidade emocional de Annie, você pode muito bem se sentir convidado a cair nos devaneios do shoegaze e das guitarras rítmicas e bem distorcidas que acompanham as trips profundas da vocalista. Ela pode soar pessimista em “Champagne Year” ao dizer que vai ‘ganhar a vida dizendo às pessoas o que elas querem ouvir’. São palavras que doem, mas não podemos culpá-la por dizer a verdade. Ainda mais em cima de uma roupagem sonora tão criativa e instigante.

Faixa: “Chloe in the Afternoon”

18. Unknown Mortal Orchestra

Unknown Mortal Orchestra

Gravadora: Fat Possum/True Panther
Gênero: Acid Rock/Lo-fi

Acid rock com lo-fi é mesmo um bom caminho a seguir? O Unknown Mortal Orchestra mostra que sim, mas é bom que a veia pulsante do rock seja inspiradora para não cair numa melancolia desnecessária. Em “Ffunny Friends”, que abre o disco, já nos deparamos com uma banda que valoriza os riffs de guitarra. Em pouco menos de 30 minutos de disco, o UMO explora alguns efeitos com autotune, mas deixa seus pés submersos no rock, como se fosse uma estética obrigatória a seguir para não se perder no meio do caminho. A trilha de São Francisco nos anos 60 é bem encaixada no disco homônimo do grupo de Oregon: é como se um jovem indie de hoje se aventurasse pelas possibilidades do ácido. Vemos isso em “Thought Ballune” ou “Nerve Damage”, que poderia arrancar elogios de um Frank Zappa.

Faixa: “Ffunny Friends”

17. Biophilia

Björk

Gravadora: One Little Indian
Gênero: Experimental

Espaço sideral é onde a cantora islandesa foca sua abordagem no nono álbum de estúdio, depois de explorar a feminilidade em Volta e suas expressões intimistas em Vespertine. Tudo pode parecer novo, mas ao mesmo tempo ela nos faz pensar que estamos ligados ao cosmo desde o momento em que nascemos. Entretanto, nessa forma de contato não existe linearidade alguma, como ela mesmo canta em “Thunderbolt” num arpeggio incandescente, que liga música de coral de igreja a batidas extraídas de um iPad. Aliás, não tem quase nada de música orgânica em Biophilia: Björk afirmou que os ritmos foram criados em aparatos eletrônicos. Por mais que “Crystalline” seja o grande destaque pela mudança abrupta de naturezas sonoras, também vale destacar o clima obscuro de “Hollow” e a imprevisível “Mutual Core”.

Faixa: “Mutual Core”

16. Anna Calvi

Anna Calvi

Gravadora: Domino
Gênero: Folk/Flamenco

Dona de uma beleza estupenda, daquelas que intimidam, e uma voz grave que a colocaria no topo caso ela cantasse country music, a cantora de descendência italiana mostra que é uma persona completa. Ela poderia montar uma banda inteira somente com seus atributos: toca guitarra de forma excepcional (vide “The Devil”), poderia trazer um pouco de sua aspereza para o baixo, tem uma voz que liga Edith Piaf a PJ Harvey e é 10 mil vezes mais ‘cool’ que Azealia Banks. Se por um lado ela consegue ser intimista e impactante em “No More Words”, em “First We Kiss” ela desabrocha mais e se entrega toda. Quando ela mostra sua sensualidade, é quase impossível não ficar encantado com o timbre de Anna em “Suzanne and I” ou com os gemidos que introduzem “Blackout”.

Faixa: “Suzanne and I”

15. The English Riviera

Metronomy

Gravadora: Because Music
Gênero: Eletropop

O coqueiro da capa do terceiro disco do Metronomy é tão relaxante como qualquer uma das 11 faixas de The English Riviera. Entretanto, chegar aqui não foi tão fácil. O grupo teve que dar umas ‘surtadas’ com o eletropop em Nights Out, que deve ter servido de trilha para muitos momentos pré-balada. Voltando à praia, o vocalista e principal compositor Joseph Mount deu preferência à suavidade, com linhas de baixo mais presentes, mas que retardam a rapidez dos demais instrumentos. O resultado é ótimo: você fica com vontade de ficar deitado ao sol ao ouvir as interjeições vocais de “The Look” ou os slaps econômicos no baixo de Gbenga Adelekan em “She Wants”. Aproveitando que o verão já está entrando com tudo em dezembro, esta é uma oportunidade mais que apropriada para ouvir mais de uma vez The English Riviera.

Faixa: “The Bay”

14. Hot Sauce Committee Pt. 2

Beastie Boys

Gravadora: Capitol/EMI
Gênero: Hip Hop

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Quando os Beastie Boys mostraram a faixa “Too Many Rappers”, em 2009, os fãs do grupo ficaram satisfeitos e bem otimistas com o que estariam por vir. Entretanto, por conta de um câncer de Ad-Rock, eles tiveram que adiar o lançamento de Hot Sauce Committée naquele ano, para que ele pudesse se tratar. Com o lançamento do clipe de “Make Some Noise”, finalmente aquela agrura e o descompromisso dos anos 1990 estava de volta. Para mostrar o sentido de renovação, colocaram o termo ‘Pt. 2’ para mostrar que um novo capítulo estava sendo escrito na história do grupo. Eles estão bem barulhentos como nos ótimos tempos de Ill Communication: isso é possível ouvir em “Say It” e “Lee Major Comes Again”. O disco é repleto de pancadas, poderoso, cheio de vigor. Diria que os momentos de pouca pausa ficam para “Don’t Play No Game That I Can’t Win” e “Tadlock’s Glasses”, que são mais funky e cheias de efeitos – e, ainda assim, tão boas quanto as demais.

Faixa: “Too Many Rappers (New Reactionaries Version)” ft. Nas

13. Nine Types of Light

TV On the Radio

Gravadora: Interscope
Gênero: Rock/Experimental

Não é o melhor disco do TV On the Radio, mas é fato que a banda está mais madura. David Sitek, que ficou a cargo da produção, puxou uma faceta que ainda não conhecíamos da banda: explorou o lado sentimental e bucólico, como já deu pra perceber quando vazou na rede o single “Will Do”. Confesso que fiquei em choque, justamente porque as minhas preferidas eram petardos como “Red Dress” e “Wolf Like Me”, de discos anteriores. Entretanto, eles abraçaram mais o funk em “Caffeinated Consciousness” e mostraram que podem tremer um estádio com “Repetition”. Sem falar nos synths pesados de “No Future Shock” e “New Cannonball Run”, que fervem o P-Funk num caldeirão borbulhante. Nine Types of Light não é detrator quanto Dear Science ou veloz como Return to Cookie Mountain, mas é um novo passo nos rumos da banda. Ou seja, zona de conforto é algo que não existe para o TVOTR.

Faixa: “New Cannonball Run”

12. El Camino

The Black Keys

Gravadora: Nonesuch
Gênero: Rock

O que é mais rock’n roll do que se inspirar numa van antiga para compor melodias e riffs precisos? Os Black Keys mostraram que são dos grandes já em Brothers, que conquistou tudo e todos no ano passado. Agora, eles querem lotar estádios e se tornarem headliners. Você dança, pula, canta e curte a vida adoidado nos quase 40 minutos de El Camino. Boa parte do crédito também deve ir para o produtor Danger Mouse, que complementa e puxa ainda mais o lado virtuoso do duo Patrick Carney (bateria) e Dan Auerbach (guitarra). Led Zeppelin em “Little Black Submarines”, The Kinks em “Money Maker” e The Clash em “Hell of a Season”: todos eles são ótimas referências, mas a grande verdade é que o The Black Keys tem habilidade para passear onde quiser, sem perder a identidade.

Faixa: “Hell of a Season”

11. Glass Swords

Rustie

Gravadora: Warp
Gênero: Eletrônico

Glass Swords é o debut de um jovem que foi recém-contratado pela Warp, uma das maiores gravadoras de música eletrônica. Os sons são quebradiços, hard techno com muitos efeitos synth. Tem uma leve relação com os primeiros trabalhos do The Prodigy, mas são ainda mais urgentes. “Surph” poderia muito bem agitar as pistas com seu início, digamos, comercial, até que entram loops de dubstep que contaminam os resquícios pop. “Flash Back” é inspirado pelo glam-rock e “Death Mountain” é um hip hop anacrônico desestabilizado, que confunde com os inúmeros efeitos que se soltam. Esta faixa tem até um pouco daquilo que se poderia de ‘dark jazz’, com as linhas de bateria que lembram Tony Williams sendo estraçalhadas pelos sintetizadores. Faíscas, choques e contusões são a grande inspiração de Rustie que, se continuar mostrando inventividade nas batidas, quem sabe não alcance o prestígio de um Flying Lotus ou um Caribou?

Faixa: “All Nite”