
40. Green Naugahyde
Primus
Gravadora: ATO Records/Prawn Song
Gênero: Rock/Funk/Freaky
O Primus tem um som tão único, que seria impossível imaginar como ficaria a cena do rock/funk/freaky sem o louco do Les Claypool empunhando os slaps mais violentos possíveis em seu baixo à frente da banda. Tudo bem que o grupo vem de uma vertente pós-Parliament/Funkadelic/George Clinton, mas sua aproximação com o hard rock dá um panorama maior à cena, trazendo mais público. Depois de 11 anos sem um disco de inéditas, Claypool convidou o baterista de longa data Jay Lane, que ajudou a formar as primeiras sonoridades da banda no fim dos anos 1980, para entrar no lugar de Tim Alexander, que já não tinha mais interesse de continuar na banda. O resultado continua cativando os antigos fãs do Primus e, se você ainda não tiver ouvido o som do grupo, não fique com medo das interjeições malucas nos vocais: o som continua bom!
Faixa: “Hennepin Crawler”

39. A Creature I Don’t Know
Laura Marling
Gravadora: Virgin
Gênero: Folk
No terceiro disco de sua carreira, a cantora de 21 anos forja uma aproximação com o ouvinte com seu vocal delicado. Você pode muito bem ser enganado quando ela diz que ‘sabe de alguma coisa que não queremos que ela saiba’ em “I Was Just a Card”. Mas, na verdade, ela te confunde ao dizer que é uma ‘carta que veio das estrelas’. Em “The Muse”, ela proporciona uma feliz descontração num ritmo dançante de tango e soa enigmática como nunca em “The Beast”. As composições parecem ser barafundas que vieram ao relento num momento de inspiração poética num lindo campo verde, de muitos hectares. São ideias confusas, letras difusas e arranjos perspicazes que encantam o ouvinte de forma misteriosa.
Faixa: “Sophia”

38. Rome
Danger Mouse & Daniele Luppi
Gravadora: EMI
Gênero: Spaghetti Western
Já ouviu falar no gênero spaghetti western? É uma classificação de filmes italianos que fez bastante sucesso nos anos 1960 com os longas de Sergio Leone. O renomado produtor Danger Mouse resolveu se aventurar por esses caminhos e chamou o experiente Enio Morricone para colaborar. De fato, já havia mais de 5 anos que este projeto com o compositor italiano Daniele Luppi estava em andamento. Boa parte das faixas é instrumental e conta com excelentes arranjos de corda – por conta dos ótimos músicos Luciano Ciccaglioni (guitarra) e Dario Rosciglione (baixo) no staff. Norah Jones e Jack White participam de 6 das 15 faixas. Eles são meros aprendizes neste trabalho: White não se inspirou em nenhum projeto paralelo para cantar no country bucólico de “Two Against One”, e Norah deve ter suado para gravar “Black”. O resultado é uma verdadeira lição para todos os envolvidos. Uma lição bem catalisada, que pode suscitar em ótimos resultados na música pop daqui pra frente.
Faixa: “Two Against One” (ft. Jack White)

37. Tomboy
Panda Bear
Gravadora: Paw Tracks
Gênero: Experimental
Panda Bear é o principal letrista e um dos grandes responsáveis pelo sucesso do Animal Collective no cenário alternativo, portanto, nada mais natural do que vê-lo nas listas de melhores discos. As bases de nuances aquáticas e os vocais oníricos, que interligam a surf music dos Beach Boys com um eletrônico massivo, seco e cheio de surpresas nos arranjos, mais uma vez marcam presença. “Surfer’s Hymn” é pra se ouvir em cima de uma prancha enquanto se divaga quais movimentos executar para pegar as ondas que virão. “Last Night at the Jetty” também é ondulada e fala da simplicidade da vida através da conexão de sonhos de duas pessoas.
Faixa: “Surfer’s Hymn”

36. The Hunter
Mastodon
Gravadora: Reprise
Gênero: Hard Rock/Metal
O conceituado grupo de heavy metal deixou o esquema de trabalhos conceituais de lado e resolveu dar mais atenção às melodias e às construções sonoras. As viradas do quarto disco do grupo estão excepcionais: da primeira à última faixa, você sente o impacto de todos os instrumentos que, mesmo quando complementam o outro, o fazem de forma brilhante. Mas houve uma inspiração, pelo menos no título do disco (que quer dizer ‘caçador’): é que o irmão do vocalista Brent Hints sofreu de um ataque de coração enquanto estava caçando. Há uma diversidade de ‘pesos’ nas 15 músicas do disco: o black metal toma conta de “Blasteroid”,o hard rock numa pegada mais rítmica caracteriza “Curl of the Burl” e o lado Metallica-acústico sobressai na faixa-título – isso só para citar poucos exemplos.
Faixa: “Curl of the Burl”

35. House of Balloons
The Weeknd
Gravadora: Independente
Gênero: Soul/R&B
Imagine que o produtor The-Dream esteja infectado pelo som do Beach House, e você terá uma ideia do que é o The Weeknd, liderado pelo músico canadense Abel Tesfaye, que tem parentesco etíope. Soul é o estilo mais aproximado desse flerte do hip hop com o indie e, não só as batidas, como as composições singulares de “Wicked Games” e What You Need” sugerem um passo avante. Sobre seu lado africano, Abel mostrou-se enfadonho com o culto de adoração ao imperador Haile Selassie I no clipe de “The Knowing”, usando sua simbologia como possível cura de um planeta devastado num futuro bem distante. The Weeknd mostra que há inúmeros caminhos possíveis de renovação do R&B, sem perder a essência de uma boa voz e belas melodias ao fundo de forma diferente de Frank Ocean, por exemplo, que é mais sentimentalista e pop. E olha que Abel (também) foi descoberto neste ano e lançou o disco como mixtape, hein! (O disco também ganhou uma continuação com o EP Thursday.)
Faixa: “High For This”

34. Exmilitary
Death Grips
Gravadora: Third Worlds
Gênero: Hip Hop/Punk/Freaky
Veja como encontrar
2011 foi um ano muito bom para o hip hop e prova disso é o impacto deste barulhento debut do Death Grips. Ele tem um paralelo com a maioria das produções deste ano: a excentricidade de Watch the Throne, mais a irreverência arruaceira do Odd Future, mais a inventividade do Shabazz Palaces, mais o humor do Das Racist. A estética do disco vem com a pungência de uma guilhotina – tanto que “Guillottine” é o principal single de Exmilitary. Ele é tão rígido e opressor como a capa dá a entender: as batidas intermitentes de “Lord of the Game” chegam a puxar um verso do The Prodigy e “Klint” é tão ou mais anárquica que qualquer música do Richard Hell ou da M.I.A. Aguentar este disco não é tarefa fácil. Mas ele é mais ou menos como aquele frio de barriga perante o que desconhecemos: depois que enfrentamos, queremos fazer de novo. E aí, a experiência é outra!
Faixa: “Spread Eagle Cross the Block”

33. Bulletproof Brass EP!
Hypnotic Brass Ensemble
Gravadora: Independente
Gênero: Jazz/Hip Hop/Dixieland
A big band de Chicago Hypnotic Brass Ensemble é formada por 9 integrantes, sendo que 8 deles tocam instrumentos de sopro e são todos filhos do músico Phil Cohran (com exceção do baterista). Neste ano, mais uma vez eles nos brindam com um EP de qualidade, fazendo até uma intersecção com o rap do pessoal do De La Soul na alarmante “Kryptonite”. Na verdade, o rap já se conectou com o HBE há muito tempo: prova disso são os trabalhos em conjunto com o Mos Def, além da intersecção com o R&B e eletrônico de Erykah Badu e Gorillaz. Este EP pode muito bem servir como ponto de partida para os ouvintes começarem a se deliciar com as inspiradas sessões de metais. Tudo soa belo e agradável aos ouvidos.
Faixa: “Starfighter”

32. The Book of David
DJ Quik
Gravadora: Mad Science
Gênero: Hip Hop
DJ Quik é bem experiente: já contribuiu com algumas das melhores bases no auge de Snoop Dogg, Dr. DRE e Tupac e trabalha com rap há muito tempo. Mais ou menos como uma estrela fora dos palcos. Sua rapidez em construir arranjos já resultou em sete discos de estúdio (quando não colabora com outros). The Book of David é o oitavo e é bem direto ao ponto: rapidinho você cai no gingado do som. “Fire and Brimstone” já começa como uma bomba-relógio com efeitos melancólicos espaciais que dão um F5 nas viagens de um Parliament. O dubstep, moda tão utilizada no gênero, é apenas um passeio vago; você o ouve em “Ghetto Rendezvous”, mas não sem seguir com a afirmação de que isso é um subgênero que habita o rap há mais de 20 anos. (Se é assim, então Tupac e B.O.N.E. são pioneiros.) Da primeira à centésima audição, dá para descobrir e embarcar numa boa em The Book of David. Coisas que só a criatividade é capaz de produzir – com DJ Quik, ainda tem o adendo da velocidade.
Faixa: “Fire and Brimstone”

31. Apollo Kids
Ghostface Killah
Gravadora: Def Jam
Gênero: Hip Hop
O rapper do Wu-Tang Clan lançou este disco sem muito alarde bem no final de dezembro de 2010, quando todos já estavam com as suas listas de fim de ano prontas. Entretanto, acho justo figurá-lo aqui, justamente porque mostra uma outra alternativa viável para o rap. Resumindo, ele é bem anos 90, muito por conta das participações de MCs experientes como Busta Rhymes, Black Thought (The Roots) e, claro, seus parceiros inseparáveis Cappadona, Raekwon e Method Man. Os arranjos de “Superstar”, “Black Tequila” e “In Tha Park” impõem um modelo que poderia muito bem servir como referência mesmo para grupos que procuram outros caminhos através do rap, como Drake, The Weeknd e Palaceer Lazaro.
Faixa: “Superstar”
