Na Mira do Groove

Os vocais baixos quase sussurrantes, a melodia compassada e os temas que falam de sentimentos através das perdas fazem com que muita gente associe o trabalho de How To Dress Well ao R&B. Mas a grande sacada é que o projeto de Tom Krell faz do gênero uma plasticidade, como se o R&B fosse não o meio de expressar a sua arte – por vezes depressiva – mas a farinha de trigo de uma torta cujo agrado está em um recheio difícil de definir o sabor.

Lançado oficialmente dia 13 de julho, este é o primeiro disco do Public Enemy de 2012, ano em que completa 25 anos. (O próximo, The Evil Empire of Everything, sai até o fim do ano.) A acidez crítica ainda é marca registrada do Public Enemy. Não que eles queiram seguir uma linha específica dentro do rap. Para eles, o gênero é a vitrine perfeita para vociferar contra as persistentes injustiças do mundão. ‘Não estou bravo com a evolução/Mas permaneço para a revolução’, diz Chuck D em “Get Up Stand Up”, com participação de Brother Ali

Escrito por Tiago Ferreira em terça-feira, setembro 11, 2012 1 Comentário 

O que o Animal Collective faz em Centipede Hz é entregar ao ouvinte a trilha sonora dos sonhos – dos integrantes da banda, bom dizer. A necessidade disso é fácil explicar: afinal, quem não recorre aos Mixclouds da vida para criar uma playlist temática que, entre outros propósitos, serve para externar nossa ‘multiplicidade de influências musicais’?

Os rumos da poesia são meros detalhes no novo trabalho de Tom Zé. O álbum é um olhar sobre o que acontece no século XXI numa linha de raciocínio em que a sonoridade, a letra e a forma de cantar formam um ambiente como um todo para que o ouvinte divague e tenha diferentes impressões ao repetir a música. Com participações de alguns dos principais representantes da nova música brasileira (Emicida, Mallu Magalhães, Pélico, Rodrigo Amarante), este pode ser o disco perfeito para neófitos se adentrarem na obra de Tom Zé.

Escrito por Tiago Ferreira em terça-feira, agosto 21, 2012 1 Comentário 

Nem era preciso fechar os olhos. A iluminação escura do teatro do Sesc Belenzinho ofuscava o dono daqueles riffs psicodélicos de guitarra durante a execução de “Orquestra de Mil Martelos”. Era possível ver uma sombra fazendo movimentos bruscos com o instrumento, graças à projeção no fundo de uma tela que transmitia imagens lisérgicas. Uma experiência próxima de uma viagem capsular aos anos 60. Essa atmosfera densa do show de lançamento de A Mágica Deriva dos Elefantes reflete bem o hibridismo do disco.

O clima é natural e descontraído – assim como Swing Lo Magellan também deve ser na cabeça de Longstreth, um cara que tem gosto pelo estranho e consegue convencer seus ouvintes de como o estranho também é legal. Viajando do folk ao R&B, Swing é um apanhado de ideias distantes umas das outras – o que tem a ver, uma vez que o músico já declarou que o disco é ‘apenas de canções’.

Em seu terceiro disco, músico aborda a natureza de forma difusa e cheia de camadas em um clima nada orgânico. Para chegar até lá, o músico passeia por diversos gêneros, que vão da estética do funk carioca ao reggae. Mas, claro, quando se fala de Curumin existe uma redefinição própria destes gêneros.