No últimos três ou quatro anos o pop havia perdido o feeling de produzir bons clipes. Exceções jorram por aí, mas as produções alternativas eram mais bem-sucedidas ao experimentar novas opções de takes para falar de assuntos improváveis, que vão da luxúria à velhice.
Em 2013 alguns artistas deram outra dimensão ao pop. Janelle Monáe e Lulu James provaram que é possível impressionar sem precisar pisar naqueles velhos clichês recorridos por quem não está nem aí pra criatividade.
David Bowie lançou um apanhado de bons clipes em 2013, mas decidimos registrar apenas um e mostrar outros experimentos eficazes neste formato. Seja na distopia crua do Oneohtrix Point Never ou na divertida simplicidade do Duck Sauce, os anos mostram que não precisamos mais de MTV para a divulgação de bons videoclipes. Mesmo porque ela não está mais nem aí pra isso.
Veja também:
• Os 30 Melhores Álbuns Nacionais de 2013
• Os 30 Melhores Álbuns Internacionais de 2013
• As 50 Melhores Músicas Nacionais de 2013
• As 50 Melhores Músicas Internacionais de 2013
• Os 30 Melhores Clipes Nacionais de 2013
Confira a seleta dos melhores clipes internacionais do ano:
30. Janelle Monáe. ft. Erykah Badu: “Q.U.E.E.N”
Álbum: The Electric Lady
Direção: Alan Ferguson
O pop vai ao museu. Você já deve ter pensado nisso toda vez que se depara com o nome Andy Warhol. Janelle Monáe sugeriu tal encontro com os experimentos de The ArchAndroid (2010) – principalmente nos palcos, onde vez ou outra pinta uma tela enquanto canta. Isso não é art-pop. Está mais para uma nova possibilidade, já que Monáe faz todos dançarem em um local tão sério com um figurino de arrepiar. A aparição de Erykah Badu rouba a cena e é gloriosa.
29. Dinosaur Jr.: “Pierce the Morning Rain”
Álbum: I Bet On Sky
Direção: Scott Jacobson
Um homem de meia-idade quer comprar um som. Um som potente e nervoso. Depois de muito pesquisar, ele adquire o que quer e deixa sua esposa um tanto atônita. Todas as vezes que ele escuta aquilo no último volume retorna com alguns hematomas. Tão divertido como a música do Dinosaur Jr., o vídeo de “Pierce the Morning Rain” ilustra o imaginário de se deparar com pancadas todas as vezes que ouvimos no volume máximo aquilo que mais gostamos.
28. Kendrick Lamar: “Bitch, Don’t Kill My Vibe”
Álbum: good kid m.A.A.d city
Direção: Steve McClean
Segundo a tradição iorubá, a morte é a condição imposta para renovar a existência. Durante o funeral, todos se vestem de branco e comemoram com a certeza de que o defunto iniciará um novo ciclo de existência. O clipe de Kendrick Lamar segue este ritual, mas entrega mais incertezas. Ele disse que há mensagens criptografadas no vídeo. Uma delas é: nem mesmo a morte deve nos abalar ou ‘assassinar nossa vibe’.
27. David Bowie: “The Next Day”
Álbum: The Next Day
Direção: Floria Sigismondi
Dois grandes atores integram o elenco de “The Next Day”: a enigmática Marion Cotillard e um agressivo pastor Gary Oldman. A devassidão e a heresia são totalmente gratuitas no vídeo. David Bowie surge como profeta num bar mitzvah onde pecado é um termo pequeno demais para exemplificar os muitos insultos à instituição pontífice no clipe. Tântrico, sexual, ousado e vertiginoso. Mais de 40 anos de carreira e David Bowie continua surpreendendo com ótimos clipes.
26. The Knife: “A Tooth For An Eye”
Álbum: Shaking the Habitual
Direção: Roxy Farhat & Kakan Hermansson
“A Tooth For An Eye” é uma espécie de contraponto ao vídeo de “Full of Fire”. Enquanto o outro cultiva o amor na terceira idade, neste registro uma pequena garotinha é a condutora de diversos barbados que querem aprender a dançar. Mais enfático pela simbologia que pelo roteiro, em “A Tooth For An Eye” temos um dos melhores exemplos de que há muito o que aprender com os mais novos. Devemos atropelar a arrogância de acharmos que passamos por tudo.
25. Animal Collective: “Monkey Riches”
Álbum: Centipede Hz
Direção: Jack Kubizine
Ao ver um mago na cama e um rapaz puxando algo no poço temos a ideia de um roteiro simples. Poucos segundos vemos o que parecia ser um enfermo encantar cordas e toda nossa pré-concepção de algo vai para os ares. No vídeo de “Monkey Riches” as cordas representam serpentes. Elas transfiguram a expressão do mago e se rebelam, como se estivessem castigando o mau uso humano de suas funções durante séculos.
24. Jherek Bischoff ft. David Byrne: “Eyes”
Álbum: Composed
Direção: Georgia e Jordan Kinley
Os olhos carregam todas as nossas expressões emocionais. O dueto de David Byrne e Jherek Bischoff cita esse axioma, mas é o vídeo que melhor exemplifica a complexidade de um olhar. Um olhar carrega toda a nossa história, toda a beleza das paisagens já vislumbradas e, inclusive, o que não sabemos definir.
23. Yo La Tengo: “Ohm”
Álbum: Fade
Direção: Donick Cary
A fórmula do Yo La Tengo não é nada simples. Pelo menos a banda usou um artifício divertido para complicar ainda mais os críticos musicais: de Frank Sinatra a Tortoise, tudo é englutido na sonoridade de uma das bandas indie mais relevantes de todos os tempos. O que dizer da animação lisérgica em que um bebê charuteiro conduz um personagem a uma aventura bizarra e perigosa?
22. Oneohtrix Point Never: “Still Life”
Álbum: R Plus Seven
Direção: Jon Rafmann e Daniel Lopatin
A internet não é nenhuma maravilha e o Oneohtrix Point Never fez questão de explicar isso da forma mais pungente possível. Com fotos de nerds maníacos armados, computadores imundos, fetiches depravados e fotografias que revelam obsessão pelas máquinas, “Still Life” leva a distopia tecnológica a um extremo chocante.
21. Danny Brown: “DIP”
Álbum: Old
Direção: Rollo Jackson
Danny Brown é pura chapação. Ninguém consegue descrever os efeitos e as maluquices de se dopar tão bem como ele (pelo menos se comparado a outros rappers atuais). O vídeo de “DIP” é tão lisérgico como qualquer outra anfetamina. Ele não critica, nem ovaciona, apenas mostra o lado divertido de ficar doidão. As consequências ficam por sua conta e risco.
[#30 – #21] | [#20 – #11] | [#10 – #1]
