Gravadora: Independente
Data de Lançamento: 13 de novembro de 2017
Matheus Borges é um cara atento – tão atento que costuma lançar singles e EPs com o Nosso Querido Figueiredo ao mesmo tempo que estoura no Brasil e no mundo casos de intolerância, nas redes sociais e fora delas.
Seu novo disco, Juventude, é uma reflexão pessoal diante deste cenário polarizado. Borges evoluiu sua musicalidade lo-fi, aproveitando-se de elementos pós-punk que casam com a produção vocal caseira.
De fato, o que realmente importa em Juventude são as letras. E elas são bem contundentes. Em “Para Vencer na Vida Não Precisa Ser Rebelde”, ele deixa a posição demarcada: ‘Não privatize, verbalize, nem tente deter/Minha vontade e a mocidade dos que querem só viver’. “Homens Pequenos”, por outro lado, mostra o impacto desse macroambiente nas pessoas, concluindo: ‘Como a vida é frágil/Se você se importa com alguém‘.
Ansiedade em Porto Alegre
Borges disse que a música “Juventude” surgiu “na minha cabeça” há mais ou menos uns dois anos. Direto de Porto Alegre (RS), ele atribuiu à ansiedade o fato de estar envelhecendo, mas não necessariamente amadurecendo.
“Eu acompanhava os acontecimentos do Brasil e do mundo nos noticiários, ao mesmo tempo em que lidava com minha própria ansiedade, minha própria depressão sazonal – não tão incomum entre os habitantes desta cidade que passa semanas sem receber ao menos um raio de sol nos meses de julho ou agosto”, disse o compositor.
Em 14 canções, Nosso Querido Figueiredo levanta mais questionamentos do que conclusões acerca do que clama como ‘fim da juventude’ – tanto que a canção “Esse é o Som do Fim da Juventude” é um instrumental soturno, uma synth-music desesperançada.
“Afinal de contas, o que é a juventude?”, questiona Borges. “É um recorte temporal na vida de alguém ou simplesmente um estado de espírito?”.
Ouça o álbum Juventude abaixo:
