Gravadora: RCA
Data de Lançamento: 18 de agosto de 2017
Avaliação: 6/10
Painted Ruins é um disco já para iniciados na obra de Grizzly Bear. Por mais que canções como “Two Weeks” e “Yet Again” tenham ajudado a banda do Brooklyn a expandir sua audiência, de certa forma a estrutura de cada uma delas acabou criando um vício.
Vocais em ostinato com melodias que alternam entre a justaposição e a sobreposição, com refrões ancorados por riffs, criaram um cenário de expectativa para narrativas épicas.
Noutras palavras, o que se distinguiu como sonoridade própria da banda tornou-se uma estética em que os sentimentos parecem se repetir.
A impressão é que ouvir “Mourning Sound” ou “Three Rings” resulta praticamente na mesma experiência. Por cinco discos o Grizzly Bear soube fazer desse achado sônico uma preciosidade patenteada. Em Painted Ruins, um disco sem hits, mas com intensidade tão elevada quanto os anteriores, o segredo se revela.
Profundidade e afastamento
Em entrevista à Pitchfork, o vocalista Ed Droste disse que costuma ouvir pelo menos 5 vezes um disco antes de qualquer conclusão.
Painted Ruins não só se enquadra nesse meio, como clama: ‘me dê mais tempo para ser melhor digerido’.
“Losing All Sense”, a canção mais próxima de pop do disco, fala sobre ter controle das coisas de uma maneira complexa. Ela é suficiente para mostrar como Droste evoluiu como compositor nestes 5 anos que separam a banda de Shields (2012), conectando personagens a crises existenciais onde o pensamento do indivíduo se mistura à ânsia do personagem.
Buscar esse resultado demanda abrir mão das concessões musicais que resultam em ganchos, riffs pegajosos ou algo do tipo (principalmente quando se fala de uma música indie com ambição de integrar o Top 100 da Billboard). É por ter se aprofundado na própria descoberta, tal qual o pesquisador que desdobra uma linha de conhecimento conforme avança nas pesquisas acadêmicas, que o Grizzly Bear atinge nível mais elevado.
Isso tem um lado negativo. Insistindo no exemplo do pesquisador, é como se sua linguagem se tornasse mais inacessível e mais distanciada.
Assim, Painted Ruins revela-se uma obra valiosa somente aos olhos de quem realmente se dedica a contemplá-la.
A fugacidade, em tempos em que tudo é tão efêmero e passageiro, é uma punição a quem tanto se empenhou na criação da obra. Esse é o risco assumido pelo Grizzly Bear; um risco inescapável, em que é preciso estar próximo ao status de fã para chegar à máxima admiração.
