01 Be Above It 02 Endors Toi 03 Apocalypse Dreams 04 Mind Mischief 05 Music to Walk Home By 06 Why Won’t They Talk to Me? 07 Feels Like We Only Go Backwards 08 Keep on Lying 09 Elephant 10 She Just Won’t Believe Me 11 Nothing That Has Happened So Far Has Been Anything We Could Control

12 Sun’s Coming Up

Gravadora: Modular
[rating:3.5]

Quando falamos de psicodelia, irremediavelmente somos transportados para os anos 1960.

Claro que nem todos que hoje colecionam vinis de Jefferson Airplane, Jimi Hendrix e a fase mais experimental dos Beatles vivenciaram aquela década tão importante para a música em geral.

Assim, o ressurgimento dessa estética na atual música pop deixa de ser palatável para figurar como memória afetiva de um movimento que sabemos a que pertencemos, mas que não curtimos por não estarmos ainda no mundo (falando da transição Geração X-Y).

A banda australiana Tame Impala é, talvez, o principal porta-voz da geração que pertence a um período longe, muito longe de agora. Seria muito fácil detratar uma banda em que o vocalista parece cover do John Lennon, os teclados nublados lembram ligeiramente Richard Wright e as baterias corrosivas formam uma espécie de junção Charlie Watts-Ringo Starr.

No entanto, em poucas audições não é bem a originalidade que vai te cravar, e sim, o fato de como essa sonoridade transporta tua mente para uma máquina do tempo abstrata.

Quando foi lançado, Innerspeaker já revelava esses ‘dotes ancestrais’ da banda, só que com a leve distinção de jogar um ou outro efeito eletrônico a mais. Ainda assim, foi considerado um dos melhores álbuns de 2010 não só pelo virtuosismo de Kevin Parker (voz/guitarra), Paisley Adams (guitarra solo, teclados), Dominic Simper (baixo) e Jay Watson (bateria), mas também pela inteligente construção das letras e pelo fato de fugir da famigerada ‘estética indie’.

Havia uma coisa a mais ali. Seria a volta de um sonho? Ou a vivência dele?

Seja o que for, a comprovação veio com Lonerism, um álbum que indubitavelmente tem o papel de reforçar a identidade do Tame Impala.

Sim, é a psicodelia em emoções que às vezes soam ingênuas (‘Sei que você se sente idiota ao chamar meu nome’, de “Feels Like We Only Go Backwards”), mas que de alguma forma já estão intrínsecas aos ouvintes de hoje, assim como estavam aos jovens dos anos 1960 – ‘Ele se sente como se fosse um elefante/(…)Ele sabe que você sonha em ser ele’, de “Elephant”, é apenas um exemplo.

Reforça ainda mais o argumento de nossa ‘memória afetiva’ o simples constatar de que Lonerism é um álbum que cresce a cada audição. Isso porque, fora toda a coisa dos anos 60, o Tame Impala é um baita dum grupo virtuoso – evidente nos loopings experimentais de teclados em “Why Won’t They Talk To Me”, o pedal duplo que intensifica o poder da bateria em “Be Above It”, e o baixo de “Apocalypse Dreams”, que melhor justifica o nome da composição.

Sem se firmar como tendência (mote inicial para o surgimento de cópias deslavadas), o Tame Impala parece ter surgido com sua sonoridade em tempo inoportuno. Num momento em que se procura exasperadamente a originalidade, nem sempre ser original significa reinventar a roda. O Tame Impala não reinventa nada – e não faz isso muito bem!

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A seguir ouça Lonerism, do Tame Impala, na íntegra:

Melhores Faixas: “Be Above It”, “Apocalypse Dreams”, “Mind Mischief”, “Elephant”.