Foi um bom ano para o rock, sim. Quem gosta de guitarras flamejantes e criativas não têm o que reclamar de nomes como METZ, Cloud Nothings e o novo do Dinosaur Jr. Quem prefere noisy, post-rock e avant-garde deve ter festejado com Swans e GY!BE.

O pop tem respirado outros ares, como prova o hype em torno da novata Grimes, com seu eletrônico caseiro e plastificado. O R&B, então… só tem o que celebrar com as conturbadas composições de Frank Ocean e a sutileza sensual de Michael Kiwanuka.

Indie? Sim, também mandou muito bem com as novas bolachas de Cat Power, Beach House, Sharon Van Etten e Grizzly Bear (alguns desses nomes não estarão na lista, mas que fique explícita a admiração).

Como na lista dos 30 Melhores Discos Nacionais de 2012, primeiramente o Na Mira vai listar em ordem alfabética 10 álbuns como menções honrosas. A publicação da seleção será em ordem decrescente e, até o meio da semana, estará concluída. Atualização: a lista está completa!

• Os 30 Melhores Discos Nacionais de 2012
• As 50 Melhores Músicas Nacionais de 2012
• As 50 Melhores Músicas Internacionais de 2012
• Os 30 Melhores Clipes Nacionais de 2012
• Os 30 Melhores Clipes Internacionais de 2012

As menções honrosas:

Attack On Memory

Cloud Nothings

Gravadora: Carpark
Gênero: Rock
Texto: Crítica do Na Mira do Groove

Muita coisa aconteceu na transição do primeiro para o segundo disco do Cloud Nothings: eles começaram a excursionar com o pesadíssimo Fucked Up, tiveram trabalho tratado por Steve Albini e muniram a melancolia com urros e guitarras flamejantes. (Quando se tem noção que Albini é o produtor de In Utero (1993), você assimila melhor faixas como “No Future/No Past” e “Stay Useless”.) O disco não é nenhuma reinvenção da roda (veio na esteira de Yuck e Girls), mas uma amostra eficaz da capacidade de Dylan Baldi de fazer rock de qualidade.

Ouça: “No Future/No Past”

First Serve

De La Soul’s Plug 1 & Plug 2

Gravadora: Serve
Gênero: Hip Hop/Funk/Disco
Texto: Crítica do Na Mira do Groove

Mais de vinte anos depois, o De La Soul continua criativo e, acima de tudo, divertido. Apesar da ausência de Maseo, a dupla Posdnuos e Dave encabeçam e muito bem uma jam hip hop sem recorrer à megalomania de autotunes e efeitos esparsos – tanto que este álbum soa como continuação natural de um 3 Feet High and Rising (1989), obra-prima do De La Soul. Pode montar o baile ao som de “Pushin’ Aside, Pushin’ Along” e “Must B the Music” que a dança é garantida.

Ouça: “Must B the Music”

Radio Music Society

Esperanza Spalding

Gravadora: Concord
Gênero: Jazz
Texto: Resenha do Notas Musicais

Para falar de jazz vocal, geralmente temos que recorrer aos anos 1950, onde muito se fecha em Ella Fitzgerald/Billie Holiday/Sarah Vaughan. Esperanza Spalding veio para renovar esse conceito, faturando honrosamente um Grammy com o anterior Chamber Music Society (2010). No quarto disco, a cantora reina solo novamente ao trafegar, com sensibilidade e devida argúcia, em cool jazz, bossa nova e até mesmo no som da gravadora Stax, como se vê em “Land of the Free”. Em todas as músicas há uma similaridade pop, que faz com que o som de Esperanza seja acessível sem perder um pingo de qualidade – vide sua versão de “I Can’t Help It” (Michael Jackson), que ficou esplêndida com o contorno no sax de Joe Lovano.

Ouça: “I Can’t Help It”

Key to the Kuffs

JJ Doom

Gravadora: Lex Records
Gênero: Rap
Texto: Resenha da FACT

Muito antes de Death Grips e Insane Clown Posse, MF DOOM já havia se solidificado como uma espécie de herói do rap underground desde o espacial Leave Me To Your Leader (2003). Este novo álbum representa uma nova fase na carreira de DOOM, uma vez que conseguiu voltar a Londres, local onde cresceu depois de ser banido muitas vezes. Jneiro Jarel é o responsável pelas produções onde os graves surgem como peso gravitacional para a voz rouca de DOOM em petardos como “Banished” e “Bite the Thong”. Como era de se esperar, DOOM mais uma vez nos brinda com novas possibilidades – pesadas, cáusticas – em um gênero que abraça o pop e nele se estraga cada vez mais.

Ouça: “Banished”

Between The Times and The Tides

Lee Ranaldo

Gravadora: Matador
Gênero: Rock
Texto: Crítica da FACT Magazine (em inglês)

De todos os (ex?)membros do Sonic Youth que lançaram outros trabalhos, o do Lee Ranaldo é o que melhor se assemelha às canções da antiga(?) banda. No entanto, o que poderia ser uma ‘prisão estética’ para o SY, Lee Ranaldo vê como possível atalho para se ligar a outras possibilidades dentro do próprio rock, como mostram os solos experimentais de “Angles”, que chegam perto do kraut-rock, e o clima retrô nos acordes de “Lost”, que remonta aos bons momentos dos anos 1980 da banda.

Ouça: “Waiting On a Dream”

Blues Funeral

Mark Lanegan Band

Gravadora: 4AD
Gênero: Rock
Texto: Crítica do Na Mira do Groove

Hoje em dia, o ex-Screaming Trees diz que estar vivo ‘é uma sorte’. Não que ele esteja mais alegre; o próprio título do álbum, junto a capa, prenunciam uma sequência de músicas… fúnebres. Mas o que falar quando essa é a especialidade do cantor? As guitarras só fortalecem esse lado obscuro de Mark Lanegan, seja na velocidade de “Riot in My House” (com admiráveis solos e baita riff de Josh Homme, do Queens of the Stone Age) ou na irascível “Quiver Syndrome” (guitarra de Alain Johannes), que lembra os velhos anos 1990.

Ouça: “The Gravedigger’s Song”

METZ

METZ

Gravadora: Sub Pop
Gênero: Noisy Rock
Texto: Resenha do Pequenos Clássicos Perdidos

Vinte e um anos depois de Nevermind, algumas bandas atuais continuam usando o peso do grunge como influência para trabalhos inspirados, como foi o caso de Girls (que acabou este ano) e Yuck. Os canadenses do METZ levam essa experiência para um som ainda mais catártico e poderoso. A inicial “Headache” é tomada por uma bateria pulsante e “Sad Pricks” é de uma atmosfera inegavelmente grunge, com influência de Mudhoney. Em pouco tempo, o barulho dessa banda vai te pegar.

Ouça: “Wet Blanket”

How About I Be Me (And You Be You)?

Sinead O’Connor

Gravadora: One Little Indian
Gênero: Alternativo
Texto: Resenha do Notas Musicais

Depois de algumas tentativas de suicídio e cinco anos sem disco, Sinead O’Connor colocou os pés no chão para cutucar Jesus novamente (“Take Off Your Shoes”) e aceita sua distância da humanidade com sincera melancolia – como canta na balada “Reason With Me”: ‘Sou daquelas que não sabe como se divertir’, ‘Não gosto de ninguém à minha volta’. Em “V.I.P.”, responde à exacerbação das ‘calçadas da fama’ com um som cru. “Queen of Denmark”, bela versão da música de John Grant, serve como aviso aos hipsters: ‘Gostaria de mudar o mundo/Mas não posso nem mudar minhas roupas de baixo’.

Ouça: “Take Off Your Shoes”

Mars

Sinkane

Gravadora: DFA
Gênero: Eletrônica
Texto: Crítica do Pitchfork (em inglês)

Ahmed Gallab, o responsável pelas batidas afroetéreas do Sinkane, nasceu no Sudão e foi morar nos Estados Unidos, chegando a colaborar com o Yeasayer e o Caribou, paralelo mais próximo de sua sonoridade eletrônico-percussiva-viajante. Ouvir “Jeeper Creeper” e “Warm Spell” é imaginar como seria um David Byrne recém-saído dos Talking Heads se aventurando na música eletrônica num país do chifre africano.

Ouça: “Runnin’”

Sweet Heart, Sweet Light

Spiritualized

Gravadora: Fat Possum
Gênero: Space Rock
Texto: Resenha do Floga-se

Em entrevistas, Jason Pierce, o frontman do Spiritualized, disse que estava tomando algumas ‘drogas’ para que pudesse fazer música. Nesse tal de ‘space rock’, Pierce fala de humanidade com grande distinção: ‘Eles dizem que você tem uma alma problemática/Eu digo que você tá na estrada’ como canta em “Hey Jane”, cujo clipe revela um personagem travesti que tem problemas como todo mundo. As guitarras continuam sobrecarregadas de poder atmosférico, como é possível ouvir em “Get What You Deserve” e nos oito minutos de “Headin’ For the Top Now”.

Ouça: “Get What You Deserve”

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E agora, confira em ordem decrescente a lista dos 30 Melhores Discos Internacionais de 2012:

30. Life is Good

Nas

Gravadora: Def Jam
Gênero: Hip Hop
Texto: Crítica do Na Mira do Groove

O vestido de noiva na capa do álbum entrega a conturbação de Nas após um casamento que não deu certo. Esse foi o mote de inspiração para que o rapper entregasse um de seus melhores trabalhos desde o bombástico Illmatic (1994). Os violinos clássicos que permeiam “A Queen’s Story” e o clima alarmante de “The Don” provam ser possível imbuir nas rimas de Nas batidas ainda pulsantes no hip hop. Foi preciso ‘vinte anos neste jogo’ para que dedicasse uma bela canção aos filhos (“Daughters”) e recorresse à nostalgia (“You Wouldn’t Understand”) para subir mais degraus nessa árdua escalada – tanto musical quanto emocional.

Ouça: “The Don”

29. Spirit Fiction

Ravi Coltrane

Gravadora: Blue Note
Gênero: Jazz
Texto: Resenha do All About Jazz (traduzida para o português)

No sexto trabalho do segundo filho de John Coltrane, a abstração surge como forma definidora de entendimento. Não é a virtuose de cada um que se sobrepõe aqui; e sim a construção de texturas inovadoras e pouco exploradas no jazz. O grande forte é o diálogo entre instrumentos de sopro, seja o sax de Ravi Coltrane vs. o trompete de Ralph Alessi em “Yellow Cat” ou na bela intromissão de Joe Lovano em “Klepto”, com ácida bateria de Eric Harland.

Ouça: “Check Out Time”

28. Shifty Adventures in Nookie Wood

John Cale

Gravadora: Double Six
Gênero: Experimental
Texto: Crítica do Disco Digital

Ex-membro de uma das mais importantes bandas de rock (The Velvet Underground) e versado em música clássica, John Cale desta vez optou olhar para o futuro. Ele mune suas canções de autotunes e até recorre a Danger Mouse na produção de uma faixa: “I Wanna Talk 2 U”. Não é um trabalho acessível, mas não deixa de ser boa lição para beatmakers faixas como “Scotland Yard”, espécie de pop-futurista-irônico, e deparar com o choque entre synths, guitarras e refrões em “Hemingway”, uma colisão prazerosa aos ouvidos. Mais uma prova de que o inquieto John Cale está em fase criativa bem melhor que Lou Reed.

Ouça: “I Wanna Talk 2 U”

27. Black Radio

Robert Glasper Experiment

Gravadora: Blue Note
Gênero: Jazz
Texto: Crítica do Na Mira do Groove

Cheio de participações, Black Radio é quase um disco de hip hop. Ou de R&B. Mas, não, é o jazz fazendo intersecção com os dois gêneros. O pianista Robert Glasper não exercita nenhum dom virtuoso ao convidar nomes como Erykah Badu, Bilal e Lupe Fiasco para participar em canções como “Afro Blue” e “Always Shine” (canção que beira a catarse), que poderiam muito bem se transformar em hits radiofônicos. A faixa-título, que conta com participação de Mos Def, é tão empolgante quanto os melhores hits do The Roots.

Ouça: “Black Radio” (ft. Mos Def)

26. In Our Heads

Hot Chip

Gravadora: EMI
Gênero: Eletropop
Texto: Crítica da +Soma

Música britânica para as pistas. Desde 2000 o Hot Chip faz isso com propriedade e criatividade, apesar de não ter o reconhecimento que merece. Faixas como “How Do You Do” e “Night and Day” poderiam muito bem figurar nas listas de mais ouvidas em qualquer parte do mundo. Por não recorrer à repetição doentia e às batidas supérfluas, o Hot Chip é erroneamente associado a um cenário alternativo que não condiz com o propósito de “Motion Sickness” e “Don’t Deny Your Heart”. Aliás, que mundo precisa de “Gangnam Style” com uma banda de música pop-eletrônica tão boa quanto essa?

Ouça: “Night and Day”

25. Fragrant World

Yeasayer

Gravadora: Secretly Canadian
Gênero: Eletropop
Texto: Crítica do Million Miles of Music (em espanhol)

Um rock feito com improbabilidades sonoras – é mais ou menos isso o som do Yeasayer, que chega ao terceiro disco fazendo uma sonoridade esquizofrênica, que pode ser levada à dança caso o ouvinte se empolgue com os efeitos flutuantes de “Longevity” ou com o experimento chillwave de “Henrietta”. Outra boa canção daqui é “Reagan’s Skeleton”, thriller dançante que dá dicas de como sobreviver a um mundo tomado por zumbis: ‘Não tenha medo dos olhos vermelhos/Tenha medo dos satélites em cima de nossas cabeças’. A contradição? O Yeasayer sugere que façamos isso dançando.

Ouça: “Henrietta”

24. Boys & Girls

Alabama Shakes

Gravadora: ATO Records
Gênero: Rhytm’n Blues
Texto: Crítica do Na Mira do Groove

Brittany Howard é o nome da cantora que lidera uma das novas bandas mais faladas do ano. O som do Alabama Shakes é pura energia: da conhecida “Hold On” ao blues inspirado de “You Ain’t Alone”, o grupo foi feito para os palcos (a boa chance é o Lollapalooza em 2013). Fãs de Janis Joplin e Wanda Jackson podem se esbaldar ao som de “Heartbreaker”, a faixa-título ou “Hang Loose”: quando a música é espirituosa, não dá pra deixar de admirar.

Ouça: “Hold On”

23. Rebirth

Jimmy Cliff

Gravadora: Universal
Gênero: Reggae
Texto: Crítica do Na Mira do Groove

Jimmy Cliff é um dos regueiros mais conhecidos do mundo, mas ronda certa injustiça em sua obra; alguns o acham pop demais, outros o detratavam por sua incapacidade de ser influente de novo. Bom, Rebirth está aí para provar o contrário. Com bela produção de Tim Armstrong (Rancid), o novo disco do jamaicano traz guitarras fritadas (“Bang”), repagina o clássico rocksteady (“Ruby Soho”) e até homenageia um clássico do The Clash (“Guns of Brixton”). Mais uma vez Jimmy nos traz um hit viciante, caso de “One More”, e se mostra fiel às suas origens na poderosa “Rebel Rebel”, com metais a todo vapor.

Ouça: “One More”

22. I Bet On Sky

Dinosaur Jr.

Gravadora: Jagjaguwar
Gênero: Rock
Texto: Resenha no blog O Filho do Blues

O rock não foi reinventado com o retorno de J Mascis, Low Barlow e Murph para o Dinosaur Jr. Mas eles nem precisam disso. A tal fórmula vocais preguiçosos-com-forte-presença-da-guitarra mais uma vez soa eficaz: “Almost Fare” pode ser bem melancólica, mas o solo no minuto final é de lascar a espinha. “Watch the Corners” inevitavelmente nos faz lembrar da era Bug (1988), e na balada “Stick AToe In” J Mascis deixa-se ofuscar pelas guitarras para não se afetar pela triste composição. Ah, e por falar em guitarras, que riff é aquele de “I Know It Oh So Well”, hein!

Ouça: “Watch the Corners”

21. Chances

Illya Kuryaki & the Valderramas

Gravadora: Sony Music
Gênero: Funk/Hip Hop Latino
Texto: Crítica da Rolling Stone Argentina (em espanhol)

Uma fascinante experiência que mostra quanto o funk futurista de George Clinton pode muito bem encontrar o rádio. Mais de dez anos depois de Kuryakistan (2001), o grupo argentino recarregou muito bem as baterias para a entrega de petardos como a eletroespacial “Adelante” e a empolgante “Chica”, cujo clima bombástico liga James Brown aos Orishas. Em parceria com a banda Molotov, o Illya Kuryaki & the Valderramas pega pesado em “Madafaka”, uma espécie de free-metal-jazz com riffs pesadíssimos. Em nenhum momento a banda mostra fraqueza, mesmo na sentimental “Amor”, que teria espaço fácil nas rádios ‘brasileñas’.

Ouça: “Chica”

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20. R.A.P. Music

Killer Mike

Gravadora: Williams Street
Gênero: Rap
Texto: Crítica do Miojo Indie

É uma capa ridícula, sim. Mas não se arrisque a dizer isso para o dono do disco. A julgar pelo peso pesado do álbum, provavelmente ele deve lhe disparar expressões não muito convidativas… Enfim, R.A.P. Music (cuja sigla traduzida significa Povo Africano Rebelde), o sexto disco de Killer Mike, é pesado demais para o hype (o começo com “Big Beast” é matador!) e alarmante demais para se situar no underground – que provavelmente não reagiria bem ao petardo da “Untitled” ou às críticas de “Reagan”. Se for ouvir no iPhone, modere os fones; se for ouvir no carro, bote na potência máxima.

Ouça: “Big Beast”

19. The Bravest Man in the Universe

Bobby Womack

Gravadora: XL
Gênero: Soul
Texto: Crítica do Na Mira do Groove

Outro retorno louvável. Richard Russell, um dos grandes nomes responsáveis por fazerem com que os jovens valorizassem Gil Scott-Heron em I’m New Here, juntou-se a Damon Albarn para o renascimento de Bobby Womack das cinzas. As batidas flertam com o hip hop (gênero que Womack odeia, por sinal!) e trip hop, mas o que se tem aí é puro soul: da autobiográfica faixa-título à improvável parceria com Lana Del Rey em “Dayglo Reflection”, Womack se superou para entregar um de seus melhores álbuns décadas e décadas após sua fase de ouro.

Ouça: “Please Forgive My Heart”

18. Banga

Patti Smith

Gravadora: Columbia
Gênero: Rock
Texto: Crítica do Na Mira do Groove

Sempre que Patti Smith lança algum disco gostam de equipará-lo ao feitio de Horses (1975), que revolucionou o rock por seu aspecto literário e teatral. Banga seria o trabalho de reaproximação a esse poderoso debut, contanto que se faça justiça aos importantes diferenciais: por mais que Patti continue reverenciando antigos ídolos (“Mosaic”, “Tarkovsky”, “Constantine Dream”), ela não renega a nova geração, chegando a homenagear Amy Winehouse em “This is the Girl”. Com exceção de “April Fool”, o ouvinte não vai encontrar muita coisa acessível – e é justamente aí que Patti Smith exerce com maior liberdade e autoridade sua arte idiossincrática.

Ouça: “April Fool”

17. El Objeto Antes Llamado Disco

Café Tacvba

Gravadora: Universal
Gênero: Rock Latino Psicodélico
Texto: Crítica da Rolling Stone Argentina

Para quem não conhece, o Café Tacvba é uma banda do México que faz um rock místico, injetando psicodelia em elementos tradicionais do gênero com uma ancestralidade de seu país. E isso é condensado de uma forma mais madura no sétimo álbum da banda – nada mais natural com mais de 20 anos de estrada na bagagem. “Pájaros” inicia com uma batida caleidoscópica que logo revela vir de uma influência céltica, inserindo efeitos eletrônicos aqui e ali que parecem o ensaio de um novo gênero musical. Em El Objeto Antes Llamado Disco, ritmos como reggae, pop e até mesmo rancheira formam uma espiral que leva o ouvinte à intensidade, seja ela emotiva (“De Este Lado Del Camino”), dançante (“Olita Del Altamar”) ou reflexiva, como se vê na ficção científica e sangrenta de “Zopilotes”. Não se feche apenas na tal banda que dizem ser o maior nome da psicodelia da atualidade imitando vocais de John Lennon; Café Tacvba é mais híbrido, mais interessante e muito mais viajante que isso.

Ouça: “Olita Del Altamar”

16. Wrecking Ball

Bruce Springsteen

Gravadora: Columbia
Gênero: Rock
Texto: Crítica do Na Mira do Groove

A Rolling Stone norte-americana estava certa quando disse que esta é a melhor resposta para a recessão. Bruce Springsteen afinou novamente seu discurso para algo mais direto e espinhoso, como canta em “Easy Money” e na sintomática “Death to My Hometown”, tocada em parceria com Tom Morello. Apesar de sua clara politização, The Boss não deixa de causar emoção em faixas como “Land of Hope and Dreams” (com um solo de sax do falecido Clarence Clemons) e na confessional “This Depression”, levada para um clima mais ameno e acústico.

Ouça: “Death to My Hometown”

15. Bish Bosch

Scott Walker

Gravadora: 4AD
Gênero: Avant-garde
Texto: Crítica do Na Mira do Groove

De toda esta lista, Bish Bosch é certamente o álbum de mais difícil acesso. Existe outra justificativa para que ele não seja usualmente citado: foi lançado aos 45 do segundo tempo. Processar músicas como “Corps De Blah” ou a longa “SDSS14+13B (Zercon, A Flagpole Sitter)” demanda paciência e pelo menos três aspectos do ouvinte: proximidade, afastamento e ciência de que sons como barulhos de cães, atmosfera funesta e baterias tribais não são nada catalogáveis. Quer queira quer não, você está diante de Scott Walker, e isso é nome de respeito mesmo para um David Bowie ou David Byrne. No entanto, para que se adentre nessa relva sonora quase impenetrável, recomendo a audição de “See You Don’t Bump His Head” e “Epizootics!”. Uma coisa é certa: uma vez lá dentro, difícil sair.

Ouça: “Epizootics!”

14. Home Again

Michael Kiwanuka

Gravadora: Polydor
Gênero: Soul/R&B
Texto: Resenha da BBC (em inglês)

O que o britânico Michael Kiwanuka faz não é bem um som atual; está mais para um som atemporal. Sua voz límpida exala sinceridade e encontraria espaço em ritmos tradicionais norte-americanos, como folk e country. Apesar de ser soul music, os dois gêneros parecem estar amarrados no som de Kiwanuka, mais ditado por seu caráter afetivo que musical: enquanto em “Tell Me a Tale” Kiwanuka clama por amor adornado por uma bateria em marcha, em “Rest” o cantor tenta acalentar alguma alma perdida conturbada, num R&B orquestrado lindo de doer. Com apenas 24 anos, Kiwanuka refuta a ideia de que é preciso se adaptar às novas tecnologias musicais para se destacar. É um talento nato que provavelmente seria ignorado por um American Idol, mas que ainda assim tem muito a ensinar – mesmo aos próprios incautos que se dizem ‘jurados musicais’.

Ouça: “Tell Me a Tale”

13. Allelujah! Don’t Bend! Ascend!

Godspeed You! Black Emperor

Gravadora: Constellation
Gênero: Post-Rock
Texto: Crítica do Na Mira do Groove

Do nada, uma das maiores bandas do post-rock anuncia e, poucos dias depois, lança um novo álbum. O burburinho em torno do sexto disco da banda canadense foi imenso – principalmente porque fazia dez anos que o GY!BE não lançava nada. E a espera valeu a pena! Assim como a capa acinzentada, “Mladic” é ambientada em tempos de guerra, fome, desespero e incertezas, transformadas em um épico de mais de vinte minutos que trabalham emoções, tensões e hibridismos que vão de gaita de fole às guitarras exasperadas. É um disco climático, que reflete como o caos de hoje é ainda mais medonho e aterrador que o de outrora.

Ouça: “Mladic”

12. Accelerando

Vijay Iyer Trio

Gravadora: ACT
Gênero: Jazz
Texto: Crítica do Pop Matters (em inglês)

Numa primeira audição de Accelerando, uma constatação é latente: pode dar qualquer tema para o trio formado por Vijay Iyer (piano), Stephan Crump (baixo) e Marcus Gillmore (bateria) que eles vão tirar – nem que a distorça ao ponto do quase não-reconhecimento, coisa que se vê em “Human Nature” (Michael Jackson), que atinge graus verborrágicos de dissonância que a transfiguram quase por completo. “Mmmhmmm”, do Flying Lotus, é dotado daquele piano tácito e impagável, que logo fica ainda mais acelerado por conta do baixo de Crump. Com esplêndido virtuosismo, o trio explora novas possibilidades sonoras na cruzada rítmica de “Little Pocket Size Demons” (Henry Threadgill) e encerra muito bem com um clássico de Duke Ellington: “The Village of the Virgins”. Indiscutivelmente o grande registro jazzístico de 2012.

Ouça: “Little Pocket Size Demons”

11. Sun

Cat Power

Gravadora: Matador
Gênero: Indie
Texto: Crítica do Na Mira do Groove

Uma injustiça que deve ser sanada às pressas: o fato de acharem que os melhores discos de cantoras geralmente estão associados a alguma destreza emocional, como a perda de um namorado. Seria uma limitação pós-Amy Winehouse? Enfim, Chan Marshall também foi alvo dessas especulações, mas o fato é que, de 2006 pra cá (momento que ela lançou o último trabalho autoral, The Greatest, sem mencionar os covers de Jukebox (2008)), Cat Power trouxe na bagagem muito mais que o término de um relacionamento. Gravado praticamente inteiro por Chan, Sun catalisou diversas técnicas de estúdio para aplicar ao seu próprio trabalho, o que é admirável em canções como “Ruin”, um pop-meets-eletrônico mais contido possível (evitando beirar o forçado), e no autotune de leve que permeia os vocais de “3, 6, 9”. Apesar da sonoridade, o que realmente conta é sua evolução na forma de compor, evidente em faixas como “Always On My Own” e “Nothin’ But Time”, pop melancólico que conta com participação de Iggy Pop nos backings.

Ouça: “Ruin”

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10. Shields

Grizzly Bear

Gravadora: Warp
Gênero: Indie
Texto: Crítica do Na Mira do Groove

2012 foi o ano em que vários artistas lançaram sucessores de discos que se destacaram em 2009 – vide Swing Lo Magellan, do Dirty Projectors; Centipede Hz, do Animal Collective; e Coexist, do The xx. O fato é que nenhum deles conseguiu superar os anteriores, com exceção do Grizzly Bear. Só pelas canções “Sleeping Ute” e “Yet Again”, percebe-se que a banda indie soube evoluir de maneira qualitativa em relação ao anterior (e também ótimo) Veckatimest.

Essa evolução também é refletida em “The Hunt” e “Half Gate”, faixas que não reinventam a roda e nem fogem do que a banda já propôs anteriormente, mas se mostram resultados mais seguros – como se a banda vivesse em um longo plano matemático onde cada álbum é uma descoberta ‘sem errado ou certo‘, como canta em “A Simple Answer”.

Ouça: “Yet Again”

9. channel ORANGE

Frank Ocean

Gravadora: Def Jam
Gênero: R&B
Texto: Crítica do Na Mira do Groove

Depois que Frank Ocean revelou ter se apaixonado por um rapaz na adolescência, muito se questionou se isso não seria uma ação para promover o disco. Afetividades à parte, o que realmente interessa é que channel ORANGE não precisa se sustentar em polêmicas para ser ouvido. É um ótimo álbum, do começo ao fim.

Foram necessárias algumas passagens para que o R&B retomasse seu devido posto na música pop. Cronologicamente, artistas como R. Kelly, The-Dream e, partindo para os dias atuais, The Weeknd, formam a tríade que chegou ao ápice no trabalho de Frank Ocean. Canções como “Sweet Life” e “Super Rich Kids” revelam um cantor que tem desejos de luxúria, mas precisa enfrentar conturbações emocionais, mostradas em “Bad Religion”. Ou mesmo conturbações psicotrópicas, como na chapante narrativa de “Pyramids”.

Ouça: “Sweet Life”

8. Blunderbuss

Jack White

Gravadora: Third Man/Columbia
Gênero: Rock
Texto: Crítica do Na Mira do Groove

O primeiro comentário após este disco é: Jack White não precisa mais do The White Stripes. Foram tempos passados, que se ofuscam aos poucos no decorrer de Blunderbuss, seu primeiro álbum com assinatura própria.

White não faz nada de diferente do que já fez com os outros projetos. Então, qual a novidade aqui? É que ele está claramente bem mais inspirado, como provam os riffs turbulentos de “Sixteen Saltines”, o folk-rock de “Love Interruption” ou o belo piano de “Hypocritical Kiss”, uma de suas músicas mais bonitas já gravadas.

Ouça: “Weep Themselves to Sleep”

7. good kid, m.A.A.d city

Kendrick Lamar

Gravadora: Polydor Group
Gênero: Hip Hop
Texto: Resenha da Revista O Grito

Hip hop autobiográfico nunca foi novidade – ainda mais quando a realidade passa a envolver clubes hedonistas, carros importados e festas extravagantes. Ao falar de seu crescimento tortuoso numa cidade perigosa, Kendrick Lamar corria o risco de se tornar reverencial ao rap dos anos 1990, perigando ser comparado a Notorius B.I.G. ou Tupac.

Kendrick soube fazer com distinção toda a somatória de coisas interessantes que aconteceram ao hip hop: batidas criativas (“Money Trees”), histórias interessantes (“Swimming Pools”), catarse (“Backseat Freestyle”) e grandes parcerias, que resultaram numa sequência matadora com Dr. Dre: “Compton” e “The Recipe”. Em resumo: é o disco de hip hop do ano.

Ouça: “Swimming Pools (Drank)”

6. The Money Store

Death Grips

Gravadora: Independente
Gênero: Noisy-rap
Texto: Resenha do Pitchfork (em inglês)

Considerado a Banda do Ano pelo Consequence of Sound, o Death Grips causou frisson em 2012: depois de lançar este petardo pesadíssimo, assinou com a Epic mas f**eu eles ao entregar um disco (NO LOVE DEEP WEB) cuja capa é um pênis.

Escolher o melhor álbum de 2012 desse grupo de punk-rap de Sacramento não foi tão fácil, mas The Money Store sai na frente por ter gerado faixas mais pegajosas. O que é aquele refrão estremecedor de “Get Got” ou os efeitos lunáticos de “The Fever (Aye Aye)”? A mais acessível deste álbum é “I’ve Seen Footage”, um pop-metal-punk-rap para ser ovacionado nas festas mais esquizofrênicas que rolarem por aí.

Ouça: “I’ve Seen Footage”

5. Locked Down

Dr. John

Gravadora: Nonesuch
Gênero: Rhytm’n Blues
Texto: Crítica do Na Mira do Groove

Um dos grandes pianistas de New Orleans, o ‘viajante da noite’ Dr. John revolucionou com sua esquizofrenia sonora nos anos 1960 com o experimental Gris-Gris (1968). Apesar de continuar ativo por todos esses anos, Locked Down é possivelmente a melhor abertura para a sua sonoridade; não só por ter sido produzido por Dan Auerbach (The Black Keys), mas por sintetizar a eficaz procura por sons (e loucuras) mais límpidos.

“Getaway” fala sobre um amor perdido com perfeita simbiose guitarra-piano, evocando solos inspirados em ambos os instrumentos. Devidamente retrô e com ritmo quebrado na bateria de Max Weissenfeldt, “Kingdom of Izzness” simboliza a arte única de Dr. John.

Uma das grandes pérolas é “Revolution”, um doo-wop em que a experiência do músico é de grande valia para nossos tempos (disse ‘uma das’ porque não dá pra deixar de falar de “You Lie” ou “Big Shot” sem bons adjetivos).

Ouça: “Revolution”

4. Old Ideas

Leonard Cohen

Gravadora: Columbia
Gênero: Folk
Texto: Crítica do Na Mira do Groove

Mais um sessentão que lançou um baita disco em 2012. Depois de sofrer uma perda de mais de US$ 4 milhões por conta de uma manager em 2005, Leonard Cohen voltou à ativa com sua poesia doída, onde a primeira pessoa é alvo de questionamentos espirituais (“Amen”) e perdições mundanas (“Show Me The Place”).

Mesmo que dotado de bom humor em alguns momentos (‘Adoro conversar com Leonard/(…) Ele é um bastardo preguiçoso/Vivendo em um terno’, versos de “Going Home”), Old Ideas é uma resignação do poeta perante as atropeladas da vida, que não cessaram mesmo com o avançar dos anos.

Achei que o passado iria me resguardar/Mas a escuridão também chegou por lá’, comprime-se o bardo canadense em “Darkness”, uma de suas melhores canções em décadas.

Ouça: “Darkness”

3. The Seer

Swans

Gravadora: Young God
Gênero: Post-Rock
Texto: Crítica do Na Mira do Groove

The Seer é o cruzamento perfeito entre post-rock e art-rock. The Seer é o álbum que marca o retorno do ano. The Seer é um chacoalhar necessário em tempos caóticos. The Seer é… um álbum de apaixonados feito para apaixonados por música.

Assim como a capa, o 12º álbum do Swans é uma selva obscura dotada de pancadas improváveis e apocalípticas. A sequência “Lunacy” e “Mother of the World” prenuncia o fim do mundo, tema inescapável com a aproximação do 21/12/2012.

O susto é a prova inicial de que o ouvinte passou por uma barreira estrondosa para chegar ao paraíso de canções como a longa faixa-título ou a linda “Song For a Warrior”, com a voz impagável de Karen O (Yeah Yeah Yeahs).

Apesar de quase 2h de duração, The Seer tem que ser confrontado para ser aproveitado – e qual o propósito maior da arte que não este?

Ouça: “Mother of the World”

2. Devotion

Jessie Ware

Gravadora: Universal
Gênero: Neo-soul
Texto: Resenha do Monkeybuzz

Num mundo de M.I.A., Nicki Minaj e Lady Gaga, Jessie Ware é um oásis. Suas curtas canções emocionais representam o futuro da música pop. (A julgar por Devotion, seria o prenúncio de um futuro positivo, momento perfeito em que a música pop se chocaria com música de qualidade.)

Com ritmos caleidoscópicos paralelos ao trabalho do SBTRKT (ela fazia backing vocals no projeto), “Running” nos transporta para os tempos de ouro de Sade, onde as batidas eletrônicas tribais são substitutos naturais da bateria contida e dos instrumentos de sopro de uma “Smooth Operator”, por exemplo. Ouça “No To Love” e compare; é a semelhança natural de duas cantoras britânicas que cantam soul com diferentes panos de fundo.

No entanto, Jessie Ware deixa de ser mera sombra de sua conterrânea quando se percebe o rígido controle vocal que torna sua marca única. Seja na balada pop de “Sweet Talk” ou no batimento acelerado de “110%”, Jessie se firma ao lado de Karen O (Yeah Yeah Yeahs) e Beth Gibbons (Portishead) como uma das melhores cantoras do cenário alternativo musical.

Ouça: “Sweet Talk”

1. The Idler Wheel…

Fiona Apple

Gravadora: Epic
Gênero: Alternativo
Texto: Crítica do Na Mira do Groove

Sem refrão, sem hits e sem hibridismo, Fiona Apple está mais crua que nunca em seu quarto álbum. Assim como os trabalhos anteriores, The Idler Wheel… é a contínua exposição de uma artista cuja degradação é o nosso espetáculo.

Ninguém faz som como Fiona Apple; e talvez nem vai fazer. Ela é dona de uma arte personalista, pautada mais por suas emoções que catálogos estéticos. As feridas de sua eterna dor são expostas em “Daredevil” e “Regret”: com a agressividade transportada para o piano, temos a perfeita junção entre Edith Piaf e Charley Patton.

Para o novo trabalho, a cantora acertou em cheio ao chamar o baterista Charley Drayton, que faz uso da batida do acid-jazz (“Daredevil”), rock psicodélico (“Jonathan”) e outros gêneros que soam dissonantes em relação ao piano cáustico e intrépido de Fiona Apple – assim como seus conturbados sentimentos.

Foi escolhido o melhor do ano também por outro motivo: por ser exemplo de que nós, seres humanos, por mais que dependamos de máquinas, conhecimento e redes sociais, somos escravos de nossas emoções que, com o passar dos milênios, continua incalculável.

Ouça: “Left Alone”

Em uma lista, ficaria assim:

1. Fiona Apple: The Idler Wheel…
2. Jessie Ware: Devotion
3. Swans: The Seer
4. Leonard Cohen: Old Ideas
5. Dr. John: Locked Down
6. Death Grips: The Money Store
7. Kendrick Lamar: good kid, m.A.A.d city
8. Jack White: Blunderbuss
9. Frank Ocean: channel ORANGE
10. Grizzly Bear: Shields
11. Cat Power: Sun
12. Vijay Iyer Trio: Accelerando
13. Godspeed You! Black Emperor: Allelujah! Don’t Bend! Ascend!
14. Michael Kiwanuka: Home Again
15. Scott Walker: Bish Bosch
16. Bruce Springsteen: Wrecking Ball
17. Café Tacvba: El Objeto Antes Llamado Disco
18. Patti Smith: Banga
19. Bobby Womack: The Bravest Man in the Universe
20. Killer Mike: R.A.P. Music
21. Illya Kuryaki & the Valderramas: Chances
22. Dinosaur Jr.: I Bet On Sky
23. Jimmy Cliff: Rebirth
24. Alabama Shakes: Boys & Girls
25. Yeasayer: Fragrant World
26. Hot Chip: In Our Heads
27. Robert Glasper Experiment: Black Radio
28. John Cale: Shifty Adventures in Nookie Wood
29. Ravi Coltrane: Spirit Fiction
30. Nas: Life is Good

E aí, o que achou da lista dos 30 Melhores Discos Internacionais de 2012? Concordou? Não? Faça a sua também nos comentários.

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