China entrevista Criolo, o grande vencedor da noite. Foto de Adri Felden/Argosfoto

O VMB tem a incrível capacidade de não refletir o que está nas ruas. Pelo menos, é sempre isso que vem em mente quando estamos nos momentos próximos da premiação. Neste ano, eles se redimiram com nomeações de artistas mais competentes, ainda que esteja preso aos fãs-clubes degenerados de grupos teen que, além de dominarem toda a programação da MTV, são o principal motor de um canal que há tempos deixou de priorizar a informação musical.

Ok, o rap finalmente teve o reconhecimento que merecia. Criolo faturou três prêmios na última edição (20 de outubro) com o excelente disco Nó na Orelha e Emicida foi congratulado como Artista do Ano, além de receber uma estatueta pelo clipe de “Então Toma”.

Não que isso seja um mérito da premiação: já faz tempo que o rap fez as pazes com o cenário musical brasileiro. Desde quando Kamau colocou nas ruas Non Ducor Duco em 2008, Pentágono lançou Natural, ou quando Emicida apareceu em 2009 com sua primeira mixtape (Pra Quem Já Mordeu um Cachorro Por Comida, Até que Eu Cheguei Longe…), o rap havia mostrado que era possível seguir rumos diferentes das letras beligerantes que dominaram a cena nos anos 90. Como disse Kamau, “o rap estava se desamarrando”.

Enquanto isso acontecia, a MTV estava premiando Restart, Fresno, Cine e muitos etceteras do gênero, abandonando o verdadeiro público que gosta de música para atender pedidos de fãs carentes. Tudo isso comprometeu a qualidade da premiação, e a MTV cagou pra essa credibilidade.

Talvez agora seja o momento de redenção. Talvez a MTV queira abraçar o público que gosta de música (uma vez que o rap, hoje em dia, está mais para um ritmo cult do que um ritmo periférico. Nos bairros mais afastados, ouve-se bem mais forró rala-bucho e funk carioca em volumes absurdos. Até escutar Racionais nos automóveis, hoje em dia, tem sido coisa rara).

Não que a emissora vá mudar de nicho. Ela continuará seguindo o caminho do escracho, mas que tenha apelo popular. Para comprovar, vide Lady Gaga faturando Melhor Artista Internacional e o hit idiota “Sou Foda” conquistando uma estatueta.

Resumindo: o VMB 2011 não significou ruptura nenhuma. Deu indícios de que está mais preocupado com a música de qualidade, mas não irei me surpreender se, no ano que vem, grupos emos que há anos abastecem a grade da emissora ganharem milhões de prêmios mais uma vez.

Assista o VMB 2011 na íntegra e, em seguida, confira os ganhadores da premiação:

Artista do Ano: Emicida
Melhor Disco: Nó na Orelha, Criolo
Melhor Música: ‘Não Existe Amor em SP’, Criolo
Clipe do Ano: ‘Então Toma’, Emicida
Hit do Ano: ‘Me Acorde pra Vida’, CW7
Revelação: Criolo
Webclipe: ‘Shake de Amor’, Banda Uó
Melhor Capa: ‘A Coruja e o Coração’, Tiê
Aposta: Tono
Webhit: ‘Sou Foda’, Vitinho
Artista Internacional: Lady Gaga