Gravadora: Warp
Dara de Lançamento:
28 de setembro de 2016

O estilo referencial de Danny Brown chama tanta atenção, que já é estampado logo de cara. O título, Atrocity Exhibition, é o mesmo da canção do Joy Division que abre o álbum Closer (1980). A primeira faixa chama-se “Downward Spiral”, mesmo nome do álbum mais famoso de Nine Inch Nails. Tem, também, uma música que se chama “Rolling Stone” – e nem é preciso elencar quantos e quantos clássicos do rock carregam este termo, além da famigerada ‘banda mais longeva de todos os tempos’.

Danny Brown curte rock, mas encapsula suas referências de um jeito usual até mesmo entre os ‘heróis’ do rap alternativo. Aesop Rock e El-P, por exemplo, não negam as guitarras do gênero; Brown, por outro lado, prefere bagunçar os riffs e entortar padrões rítmicos da bateria.

Mas, não devemos negar: Brown é um dos mais instigantes rappers da atualidade, e isso se confirma com Atrocity Exhibition. Quem se deparar com as 15 faixas do álbum do rapper de Detroit não vai estranhar muito; os antecessores também são repletos de canções.

Apesar dos poucos minutos de cada, elas parecem durar mais no cérebro de quem as escuta, de uma maneira positiva. “Tell Me What I Don’t Know”, por exemplo, recorre à repetição do refrão, mas as quebradas rítmicas, estilhaçadas como cacos de vidro, criam um thriller interessante na mente do ouvinte.

“Lost” tem um requisito jazzístico, mas tá mais pro horrorcore querendo ir de encontro a um soul estranhão. “White Lines” pega umas linhas emprestadas do progressivo, mas a utiliza como um jogo esfuziante que casa bem com o estilo de voz bizarro de Danny Brown.

Crítica: Danny Brown | Old (2013)

Os features são bastante notáveis: um disco com Kendrick Lamar, Earl Sweatshirt e Kelela, por si só, chamariam a atenção dos outsiders. Mas são eles que se ajustam às doideiras de Brown: em “Really Doe”, Ab-Soul rima com a destreza do cara que chega com forte presença, Kendrick foca num refrão coeso e cumpre o que promete em seus jogos rápidos de verbetes e Earl finaliza com o estilo gangsta pesadão – tudo isso numa faixa só.

“From The Ground” lamentavelmente não aproveita tão bem o potencial de Kelela como gostaríamos. Visto a perspectiva tortuosa que Brown costuma dar à soul-music, ela fica muito aquém da capacidade criativa dos dois. O fato de ser a 11ª faixa dá a entender, inclusive, que Atrocity beira o cansaço – o que não é bem verdade.

A sensação dramático-esfumaçada criada em “Get Hi”, com B-Real (Cypress Hill), tem tudo a ver com os efeitos slow-motion associados ao uso da maconha.

E, por fim, “Hell For It” é ancorado num piano cheio de tensão, que injeta velocidade no som monocromático de Jamie xx, trazendo uma sensação de drama após tanta loucura e intensidade.

Atrocity Exhibition é o quarto álbum de Danny Brown, e sua estreia pelo selo Warp (famoso por seu catálogo eletrônico-experimental). Ele disse à Rolling Stone que gastou US$ 70 mil em todo processo de gravação e contou com o experiente Paul White para produzí-lo. O álbum estava previsto para ser lançado dia 30 de setembro, mas acabou sendo antecipado.

Publicidade